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Foi preciso toda uma vida, a minha vida, para conseguir entender a tua história, que também é minha. Perceber a verdadeira dimensão da tua luta. Passei tantos anos envolvida na minha dor de filha, de irmã, a tentar ser criança num cenário de guerra, a tentar sobreviver e a esquecer, que não percebi. Não percebi que trazias o nosso mundo aos ombros.

A meta que defini no dia 22 de Fevereiro desafiava-me a perder vinte e três quilos, chegar aos setenta. Confesso que achei que não me ia aguentar e que o objectivo era demasiado grandioso. A ideia de fazer dieta e mudar o estilo de vida assusta e quando não temos provas de que podemos confiar em nós é muito difícil assumir o compromisso. À medida que o tratamento com PronoKal foi avançando e que vi que, não só era capaz, como era muito mais fácil do que imaginava, fui aumentando a fasquia e neste momento, cheguei aos sessenta e seis quilos.

Cresci a ver fotos de pipis e pilinhas em livros de anatomia. Aprendi como as coisas funcionavam, comi muita sebenta com vaginas desenhadas, enquanto a minha mãe se preparava para os exames. Quando perguntei como se faziam os bebés aos meus pais, mostraram-me um livro com imagens e explicaram-me como a coisa funcionava. Sem filtros. Sem a parte do “quando um homem e uma mulher se amam muito”, porque essa parte não é científica. Essa parte é o que dizemos a nós próprios para diminuir a vergonha de algo que não é vergonha nenhuma.

Começo por colocar as seguintes questões: o que distingue a proibição do uso do burkini da imposição que obriga as mulheres a vestirem-no? Não serão formas iguais (e condenáveis) de repressão dos direitos e liberdade da mulher? Não serão, uma e outra, uma limitação da mulher quanto à sua liberdade de escolha?

Saberemos sempre falar sobre o amor, do alto dos nossos cinco anos, como na dimensão quase utópica dos oitenta. Sim, também há dramas. E que dramas. E choros e feridas e palavras feias e o ridículo. O ridículo.
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Sinopse  Passado na Nova Iorque dos anos ‘40, FLORENCE, UMA DIVA FORA DE TOM conta a história verídica da lendária Florence Foster Jenkins (Meryl Streep),...
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Sou feminista exactamente pela mesma razão que sou católica, por amor. E é desconcertante que o que para mim é tão claro, suscite tantas vezes, a tanta gente, tantas dúvidas e quase um apontar de dedo acusatório e separatista que me diz, não podes ser as duas coisas, ou se é uma coisa ou outra! Quase como se eu dissesse que era do Porto e do Benfica ou do PP e do Bloco de Esquerda. Pois, desculpem-me, mas não vai acontecer, porque vou continuar a ser as duas coisas, principalmente, porque já era católica antes de ser feminista e se eu concebo que uma feminista possa não ser católica, não praticar religião nenhuma ou praticar outra qualquer, já não entendo que uma católica não seja feminista.

Por vezes, sinto uma enorme vergonha de ainda viver numa época em que ser negro é motivo de gozo e preconceito. O mundo ainda está cheio de pessoas que acham que somos atrasados ou macacos, que todos temos HIV, que somos bandidos, feios ou mal cheirosos. Há quem pense e chegue a verbalizar, que não somos dignos das mesmas oportunidades e tudo isto sustentado apenas num pequeno detalhe: a cor da nossa pele.

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Foi preciso toda uma vida, a minha vida, para conseguir entender a tua história, que também é minha. Perceber a verdadeira dimensão da tua luta. Passei tantos anos envolvida na minha dor de filha, de irmã, a tentar ser criança num cenário de guerra, a tentar sobreviver e a esquecer, que não percebi. Não percebi que trazias o nosso mundo aos ombros.

Cresci a ver fotos de pipis e pilinhas em livros de anatomia. Aprendi como as coisas funcionavam, comi muita sebenta com vaginas desenhadas, enquanto a minha mãe se preparava para os exames. Quando perguntei como se faziam os bebés aos meus pais, mostraram-me um livro com imagens e explicaram-me como a coisa funcionava. Sem filtros. Sem a parte do “quando um homem e uma mulher se amam muito”, porque essa parte não é científica. Essa parte é o que dizemos a nós próprios para diminuir a vergonha de algo que não é vergonha nenhuma.

Começo por colocar as seguintes questões: o que distingue a proibição do uso do burkini da imposição que obriga as mulheres a vestirem-no? Não serão formas iguais (e condenáveis) de repressão dos direitos e liberdade da mulher? Não serão, uma e outra, uma limitação da mulher quanto à sua liberdade de escolha?

Saberemos sempre falar sobre o amor, do alto dos nossos cinco anos, como na dimensão quase utópica dos oitenta. Sim, também há dramas. E que dramas. E choros e feridas e palavras feias e o ridículo. O ridículo.
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Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

São poucos os homens que sabem, na verdade, fazer um minete. Até porque não existe realmente uma técnica infalível ou matemática para a execução de uma coisa tão íntima, quanto pessoal. São poucas as mulheres que se entregam ao supremo gozo de serem beijadas, adoradas, sorvidas, numa rendição despudorada e orgulhosa da sua feminilidade.

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A meta que defini no dia 22 de Fevereiro desafiava-me a perder vinte e três quilos, chegar aos setenta. Confesso que achei que não me ia aguentar e que o objectivo era demasiado grandioso. A ideia de fazer dieta e mudar o estilo de vida assusta e quando não temos provas de que podemos confiar em nós é muito difícil assumir o compromisso. À medida que o tratamento com PronoKal foi avançando e que vi que, não só era capaz, como era muito mais fácil do que imaginava, fui aumentando a fasquia e neste momento, cheguei aos sessenta e seis quilos.

Sinopse  Passado na Nova Iorque dos anos ‘40, FLORENCE, UMA DIVA FORA DE TOM conta a história verídica da lendária Florence Foster Jenkins (Meryl Streep),...
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Por vezes, sinto uma enorme vergonha de ainda viver numa época em que ser negro é motivo de gozo e preconceito. O mundo ainda está cheio de pessoas que acham que somos atrasados ou macacos, que todos temos HIV, que somos bandidos, feios ou mal cheirosos. Há quem pense e chegue a verbalizar, que não somos dignos das mesmas oportunidades e tudo isto sustentado apenas num pequeno detalhe: a cor da nossa pele.

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Kesha alega que durante dez anos foi abusada verbal e fisicamente, foi várias vezes forçada a consumir drogas para se desinibir, a interpretar temas onde não se revia, impedida de gravar as suas próprias letras e músicas e obrigada a seguir um caminho artístico muito diferente do registo que ambicionava e ambiciona para si. Sempre apavorada pelas ameaças que Dr.Luke lhe fazia, caso ela contasse a alguém o que se passava. Como prova da tortura psicológica sofrida, Kesha descreveu em tribunal um episódio onde Dr.Luke afirma que mataria o seu cão. Também era recorrente dizer-lhe que arruinaria a sua carreira.
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