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Cansei-me de ouvir “és forte, és uma lutadora, és um exemplo”. Bati com as mãos na mesa e fui em busca das minhas fraquezas, fui conhecer as minhas fragilidades, fui em busca da menina que se fez mulher rápido demais. Entrei em mim, vi-me do lado de dentro. Nunca me tinha visto assim. Perdoei-me os erros, humanizei-me. E fiquei leve. Leve como nunca me tinha sentido. Leve para prosseguir a minha viagem, agora de pés firmes na terra, agora com a certeza de que o medo também se sente, de que a força e a fraqueza caminham de mãos dadas.

Sabemos também, sem dúvida, que há uma diversidade de corpos entre aqueles catalogados de femininos e masculinos, que há corpos para além do binarismo que são os das pessoas intersexo e ainda os corpos das pessoas trans quando são efetuadas transformações nos mesmos. Mas o que é ser do género feminino? Como se utiliza esse “género feminino” no discurso quotidiano sem voltar à essencialização do que é “ser” homem e mulher?

Somos nós. Nós a entrar pelo mundo “deles” adentro e sem pedir licença. Nós a ganhar terreno. Nós a inundar a desigualdade. A matá-la aos poucos. Em cada roulotte, em cada fila, em cada cadeira onde uma de nós está presente, Disputa-se mais do que um jogo. Disputa-se o mundo. Vencem-se rótulos e preconceitos.
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Sim, vou vestir a minha melhor roupa, vou por o meu melhor blush e vou escolher uma tinta que condiga com o meu tom de pele. Mas não é para disfarçar os quarenta de trinta. É para comemorar o facto de estar a aproveitar a vida. De a ter aproveitado e querer muito continuar a aproveitá-la. Talvez isto só resulte porque, de uma maneira geral, vivo sem nenhum arrependimento. A vida tem-me ensinado que até os erros são necessários para aprendermos a separar o trigo do joio.
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Tenho um ódio especial guardado para quem decide não vacinar os filhos e usa argumentos como “todos os outros estão vacinados, por isso o meu não precisa”. Esta é uma questão fracturante porque mexe com algo próximo ao nosso coração, mexe com a vida de inocentes, com decisões que influenciam a vida de toda a comunidade. É natural que as pessoas fiquem zangadas quando sentem que a sua integridade física é posta em causa. Só que aqui o caso é outro. Aqui não se trata de uma criança saudável que foi colocada em risco por opção dos pais, trata-se de uma família que foi desfeita por uma morte precoce, uma tragédia incontornável.
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Achamos naquele instante que tudo perdeu o sentido. Que ficar sozinho é tão medonho como estar num quarto escuro aos cinco anos. Que precisamos mesmo de alguém ao nosso lado para nos sentirmos mulheres. Ou homens. Ou completos. Ou felizes. Não. Precisamos de nós e de amores que nos tragam paz. Sobretudo, paz.

Sílvia Patrício nasceu em Vincennes, França, em 1974. É licenciada pela Escola Superior de Arte e Design de Caldas da Rainha (2000). Realiza a sua primeira exposição individual em 1997, em Leiria (“O Outro Lado“).

Lara Soft & Marta Hari não têm preconceitos temporais, e muito menos de género, desde que a música seja o fio condutor para uma grande noite, que tem sempre como ponto de partida os Anos 80. Volte atrás no tempo connosco!

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Cansei-me de ouvir “és forte, és uma lutadora, és um exemplo”. Bati com as mãos na mesa e fui em busca das minhas fraquezas, fui conhecer as minhas fragilidades, fui em busca da menina que se fez mulher rápido demais. Entrei em mim, vi-me do lado de dentro. Nunca me tinha visto assim. Perdoei-me os erros, humanizei-me. E fiquei leve. Leve como nunca me tinha sentido. Leve para prosseguir a minha viagem, agora de pés firmes na terra, agora com a certeza de que o medo também se sente, de que a força e a fraqueza caminham de mãos dadas.

Sabemos também, sem dúvida, que há uma diversidade de corpos entre aqueles catalogados de femininos e masculinos, que há corpos para além do binarismo que são os das pessoas intersexo e ainda os corpos das pessoas trans quando são efetuadas transformações nos mesmos. Mas o que é ser do género feminino? Como se utiliza esse “género feminino” no discurso quotidiano sem voltar à essencialização do que é “ser” homem e mulher?

Somos nós. Nós a entrar pelo mundo “deles” adentro e sem pedir licença. Nós a ganhar terreno. Nós a inundar a desigualdade. A matá-la aos poucos. Em cada roulotte, em cada fila, em cada cadeira onde uma de nós está presente, Disputa-se mais do que um jogo. Disputa-se o mundo. Vencem-se rótulos e preconceitos.
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Sim, vou vestir a minha melhor roupa, vou por o meu melhor blush e vou escolher uma tinta que condiga com o meu tom de pele. Mas não é para disfarçar os quarenta de trinta. É para comemorar o facto de estar a aproveitar a vida. De a ter aproveitado e querer muito continuar a aproveitá-la. Talvez isto só resulte porque, de uma maneira geral, vivo sem nenhum arrependimento. A vida tem-me ensinado que até os erros são necessários para aprendermos a separar o trigo do joio.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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Sílvia Patrício nasceu em Vincennes, França, em 1974. É licenciada pela Escola Superior de Arte e Design de Caldas da Rainha (2000). Realiza a sua primeira exposição individual em 1997, em Leiria (“O Outro Lado“).

Mentimos por hábito ou para nos protegermos? Para ficarmos bem vistos e impressionarmos os que nos rodeiam? Ou para obter uma vantagem adicional? Mentimos por nos sentirmos inseguros, porque temos uma autoestima baixa, por humanidade? Ou mentimos para esconder algo que fizemos de errado? Para manipular os outros? Quando olhamos à nossa volta apercebemo-nos de que é quase impossível excluir a mentira da nossa vida. Todos os dias dizemos «pequenas» mentiras, que utilizamos de forma quase inconsciente mas que afetam a nossa vida e a dos outros.
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Licenciatura e Mestrado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Pós-graduação em Treino de Liderança e Desenvolvimento de Equipas no ISPA. Frequentou o curso de Desenvolvimento Artístico com a Marta Wengorovius, o curso de Pintura da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, o workshop de Técnicas de Vidro na Faculdade de Belas Artes de Lisboa, o curso de Formação de Monitores de Expressão Plástica da Fundação Calouste Gulbenkian e as aulas de Espaço e Criatividade da professora Helena Carqueijeiro também na Gulbenkian entre outras formações e workshops..

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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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