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O Manel, que adora conversar, prosseguia com as suas reflexões, aparentemente alheio ao meu histerismo matinal. Continuámos ambos nos nossos devaneios, até chegarmos ao tema tabu, sobretudo quando já devia ter saído de casa há pelo menos 30 minutos: “Mãe, eu não quero ir à escola!” Na minha cabeça, a tempestade intensificou-se com a tão temida variável: É tardíssimo! Vais chegar atrasada! Não dás conta disto! O teu filho não quer ir à escola! Merda! E agora?

Depois do sucesso do primeiro Encontro no ano passado, em Lisboa, temos o prazer de apresentar o segundo Encontro no Porto, com o objetivo de proporcionar um espaço de reflexão, debate e networking entre jovens feministas. Estamos a preparar para os dias 26 a 28 de maio uma conferência que reunirá jovens ativistas, académic@s e interessad@s na área dos feminismos, de diferentes espaços e contextos profissionais, pessoais e políticos, para uma reflexão conjunta sobre o significado dos feminismos para si hoje em dia.

Foi eletrificante e delicioso e revelador e impressionante. Como era possível eu própria viver em total desconhecimento do meu corpo? O clitóris está lá. Sim, está escondidinho, mas agora que o descobri, parece fazer parte de mim, uma parte tão presente como os meus braços que se movem, como os meus olhos que tudo querem ver, como a minha língua que desfruta prazeres incríveis com a comida.

Viver no mato, trabalhar diariamente com estas mulheres, provoca sentimentos opostos e muitas vezes extremos e, a procura da descoberta dessas diferenças culturais e sociais, das razões por detrás de comportamentos inesperados e de reacções inusitadas é um trabalho intenso, desafiante e nem sempre gratificante. As pequenas vitórias, as pequenas conquistas, as pequenas melhorias seja na higiene, alimentação ou relações interpessoais são a alegria de fazer este trabalho e ter esta opção de vida.
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A última coisa de que uma mulher nesta situação precisa é de uma amiga que lhe dê conselhos paternalistas e que a pressione em qualquer dos sentidos. Neste caso, o papel de uma boa amiga é ouvir. Até pode dar a sua opinião, mas não a deve impor, não quando se trata de uma decisão tão definitiva, tão irrevogável. Acima de tudo, a amiga deve perceber que a escolha não é sua, que o corpo não é seu, e que não será ela que terá de viver com as consequências da decisão que for tomada.

Vinte anos, uma eternidade. Contudo, pensava: Gabi não voltaria ali sem um motivo adicional. Queria ser esse motivo. Quando desceu, de roupa prática, inventou uma ida aos correios para justificar a ausência das calças velhas e dos sapatos cambados. Admirou a cena do cimo das escadas, enquanto Gabrielle se apresentava e passava pela própria mãe como se não a visse. Grande atriz!
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Não sei o que sente uma mulher da dita “idade de ouro”, não sou uma. Mas tenho algumas amigas que são interessantes, activas, curiosas e custa-me pensar que não são livres de fazer as mesmas escolhas que eu, que não têm o direito a acreditar numa futura e absoluta felicidade. Que não podem sonhar em apaixonar-se outra vez, que não podem desejar outra boca e outros braços, porque a idade é só um dado cronológico que dá gasto ao corpo, não à alma.

A felicidade nunca fará as pazes com quem não sabe redimir-se, perdoando-se a si mesmo. E para te perdoares é necessário que tornes mais leve a tua bagagem. É necessário que lhe retires o peso do passado, que lhe diminuas o peso do futuro e que lhe concentres a leveza do presente. Uma boa bagagem quer-se feita de instantes, que tantas vezes se tornam eternos, quer-se feita do agora, que tantas vezes se torna para sempre.

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

O Manel, que adora conversar, prosseguia com as suas reflexões, aparentemente alheio ao meu histerismo matinal. Continuámos ambos nos nossos devaneios, até chegarmos ao tema tabu, sobretudo quando já devia ter saído de casa há pelo menos 30 minutos: “Mãe, eu não quero ir à escola!” Na minha cabeça, a tempestade intensificou-se com a tão temida variável: É tardíssimo! Vais chegar atrasada! Não dás conta disto! O teu filho não quer ir à escola! Merda! E agora?

Foi eletrificante e delicioso e revelador e impressionante. Como era possível eu própria viver em total desconhecimento do meu corpo? O clitóris está lá. Sim, está escondidinho, mas agora que o descobri, parece fazer parte de mim, uma parte tão presente como os meus braços que se movem, como os meus olhos que tudo querem ver, como a minha língua que desfruta prazeres incríveis com a comida.

Viver no mato, trabalhar diariamente com estas mulheres, provoca sentimentos opostos e muitas vezes extremos e, a procura da descoberta dessas diferenças culturais e sociais, das razões por detrás de comportamentos inesperados e de reacções inusitadas é um trabalho intenso, desafiante e nem sempre gratificante. As pequenas vitórias, as pequenas conquistas, as pequenas melhorias seja na higiene, alimentação ou relações interpessoais são a alegria de fazer este trabalho e ter esta opção de vida.

A última coisa de que uma mulher nesta situação precisa é de uma amiga que lhe dê conselhos paternalistas e que a pressione em qualquer dos sentidos. Neste caso, o papel de uma boa amiga é ouvir. Até pode dar a sua opinião, mas não a deve impor, não quando se trata de uma decisão tão definitiva, tão irrevogável. Acima de tudo, a amiga deve perceber que a escolha não é sua, que o corpo não é seu, e que não será ela que terá de viver com as consequências da decisão que for tomada.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

Ultimos Artigos

Depois do sucesso do primeiro Encontro no ano passado, em Lisboa, temos o prazer de apresentar o segundo Encontro no Porto, com o objetivo de proporcionar um espaço de reflexão, debate e networking entre jovens feministas. Estamos a preparar para os dias 26 a 28 de maio uma conferência que reunirá jovens ativistas, académic@s e interessad@s na área dos feminismos, de diferentes espaços e contextos profissionais, pessoais e políticos, para uma reflexão conjunta sobre o significado dos feminismos para si hoje em dia.

Sílvia Patrício nasceu em Vincennes, França, em 1974. É licenciada pela Escola Superior de Arte e Design de Caldas da Rainha (2000). Realiza a sua primeira exposição individual em 1997, em Leiria (“O Outro Lado“).

Mentimos por hábito ou para nos protegermos? Para ficarmos bem vistos e impressionarmos os que nos rodeiam? Ou para obter uma vantagem adicional? Mentimos por nos sentirmos inseguros, porque temos uma autoestima baixa, por humanidade? Ou mentimos para esconder algo que fizemos de errado? Para manipular os outros? Quando olhamos à nossa volta apercebemo-nos de que é quase impossível excluir a mentira da nossa vida. Todos os dias dizemos «pequenas» mentiras, que utilizamos de forma quase inconsciente mas que afetam a nossa vida e a dos outros.
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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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