PERDER PESO? QUE SEJA PELA MINHA SAÚDE

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Há um lugar comum onde se acredita que os gordos são felizes e há gordos a defender esse lugar como quem grita: Não nos tirem o que nos resta, já nos basta sermos gordos!
Ser gordo não é pêra doce e passar a vida inteira a aprender a gostar de nós assim, pode ser muito perigoso, senão vejamos: Toda a gente nos diz (e bem) que devemos gostar de nós, ter orgulho em nós, abraçar o que somos e não deixar que a sociedade nos entristeça com os seus julgamentos e os seus padrões. Tudo isto é verdade e às vezes, consegue-se. É claro que todos temos inseguranças e as pessoas que por alguma razão fogem aos padrões de beleza estereotipados ainda têm mais, óbvio. Mas cada um pode realmente aprender a aceitar-se como é, e gostar muito de si.
Eu, por exemplo, aprendi a gostar tanto de mim, a achar-me tão bonita mesmo com quilos a mais, que deixei de ver o mal que a boa auto estima estava a fazer à minha saúde.
O problema de ser gordo não é ser gordo, é o que ser gordo nos faz. Quando se é gordo, passa-se metade da vida a aprender a ser feliz e a outra metade sem o conseguir ser porque o corpo não deixa. O corpo não nos deixa correr com os filhos, não nos deixa dançar até de madrugada, não nos deixa fazer amor contra a parede, não nos deixa fazer tantas coisas muito mais importantes do que caber num certo vestido. Porque é só um corpo e precisa de ser cuidado e andar uma vida inteira a aguentar-se a ele e a mais um quarto, um terço ou metade de outra pessoa não é coisa que se deva fazer a quem que dizemos amar.

É muito difícil, é o mais difícil, depois de aprendermos a amar-nos, reconhecer que não estávamos a direccionar bem o nosso amor, que se nos amássemos mesmo, não nos faríamos mal.
Não nos poríamos cansados.
Não nos envenenaríamos.
Não nos esqueceríamos que sem saúde e sem vida não serve de nada gritar que “eu estou muito bem assim e que ninguém tem nada a ver com isso”.
E estaremos bem assim? Então gritamos porquê?
Um gordo nunca veste o que quer mas o que pode, e isso, principalmente para uma mulher, mesmo a mais despojada, vai moendo tanto. Uma mulher com peso a mais nunca é a mais gira da festa, nunca é a mais gira em lado nenhum. É sempre muito interessante, muito querida, muito inteligente e muito simpática e eu garanto que a mim já me apeteceu muitas vezes responder: Interessante a mim não me chega! Neste momento eu quero ser interessante e mais bonita. Eu. Agora.
Porque há alturas em que queremos melhorar alguma coisa em nós, no corpo ou na alma e não há mal nenhum nisso. O que nos mata é escondermos isso de nós mesmos.
Eu nunca fiz uma dieta, convencida que estava que dar esse passo significaria admitir perante os outros e perante mim, que afinal não gostava assim tanto daquilo que sou.
Hoje, no dia em que começo, não uma dieta, mas um tratamento que eu acredito, mudará a minha vida e me tornará mais leve 23 quilos!, percebo que finalmente reconheço que gosto muito do que sou e o que eu sou não é o tamanho das minhas calças ou o número de quilos que tenho. Eu sou o meu olhar que será sempre o mesmo, a forma como penso, sinto e falo, os quatro filhos que gerei e abraço todos os dias, o homem que me ama e que se apaixonou por isso tudo tivesse eu o tamanho que quisesse.
Mas só poderei ser isto tudo com saúde, viva.
Se passei os últimos quarenta anos a aprender a aceitar que era gorda, passarei os próximos quarenta a perceber que mereço ter mais saúde e ser a mais gira muitas vezes. E vestir, não o que há, mas o que eu quiser, como eu quiser, sem correr dez lojas para comprar um vestido que não mostre a barriga. Vai ser muito mais fácil se ela não estiver lá.
Há uma coisa absolutamente nova neste tratamento da Pronokal, é que nos sentimos mimados. É uma aldeia inteira a torcer por nós! Há um nutricionista à distância de um click, que nos telefona para saber se estamos bem, que nos recebe presencialmente e adapta o plano alimentar ao nosso gosto, ao nosso estilo de vida e aos nossos objectivos. Há um médico de clínica geral, no meu caso, a atenciosíssima Dra. Dina Neves, há distância de um telefonema, há um personal trainer para nos fazer levantar o rabo da cadeira e não ficarmos todas cheias de peles, há análises regulares para saber se estamos mesmo bem e uma plataforma com receitas, dicas e apoio on line. O compromisso não é só nosso, é de todos e isso faz toda a diferença.
A perda de peso é um processo lógico. Como eliminamos da nossa dieta os açúcares e todas as outras coisas que já sabemos desde sempre que se transformam em glicose, glicose a mais que vai direitinha para o rabo e para as ancas em forma de gordura, o organismo começa a consumir a dita, a volumetria, a megera e para termos a certeza que eliminamos mesmo só gordura, que não perdemos massa muscular, ingerimos a proteína controlada. Aquela que precisamos.
Não é uma dieta louca, não é uma moda, é um processo médico em que nunca estamos por nossa conta.
Além disso, comemos. Aprendemos a comer para que nenhum trabalho ou esforço sejam perdidos.
É muito mais fácil fazer seja o que for quando não estamos sozinhos. Ter ajuda e ter um plano de equipa torna quase impossível falhar.
Pela minha saúde, física e emocional, eu não posso, nem quero falhar. Melhor, eu mereço conseguir. Eu, todos nós, todas nós, merecemos tudo!

Quando saí do gabinete da médica que me mediu de alto a baixo, que me viu os níveis de tudo e mais alguma coisa e vim de lá a saber que, por exemplo, os níveis do meu colesterol estavam assustadoramente altos, que o meu perímetro abdominal me colocava num grupo de risco para doenças cardiovasculares, aí, senti-me verdadeiramente gorda. Por dentro. E triste. Porque adoro viver (os gordos adoram viver!), porque quero ficar muito velhinha ao lado do meu marido e fazê-lo pensar todos os dias que tem uma sorte dos diabos. Porque quero conhecer os meus netos e até os bisnetos.
Depois de ter passado tanto tempo a aprender a amar-me, há que fazer alguma coisa com isso! Cuidar de mim, deste corpo, tirar-lhe o que o cansa e que o adoece, sentir-me bonita a um ponto que desconheço e tenho a certeza que não haveria melhor altura nem melhor maneira de o fazer.
Que comece a viagem!