DESENGANE-SE

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Os gestos eram mecânicos, inconscientes, impossíveis de parar. Parecidos com um tique de infância, repisado, censurado sem efeito, mas certamente nunca pensado. A mão ia e vinha, tendo como destino a caixa de velocidades. Como num carro de corrida, num constante movimento ritmado. Ali andava aquela mão, ora suspensa no ar, à espera da ordem de um copiloto inexistente, ora num trajeto em nada parecido com um rali, mergulhando novamente na manete, sem a acionar, apenas para a acariciar, como que a tomar balanço para ficar suspensa de novo no ar.

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