MAIOR E VACINADA

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Por outro lado, a vacinação é, igualmente, um ato de cidadania e solidariedade. Ainda que eu, como mãe, achasse que conseguiria manter a minha filha numa redoma de vidro simbólica, protegendo-a de todos os contactos perigosos, teria vacinado a minha filha. Sei que há crianças que não podem ser vacinadas (podem ler aqui todas as explicações sobre a VASPR, as vacinas que têm gerado mais polémicas). E sei que, ao vacinar a minha filha, estou a proteger indiretamente estas outras crianças que, por falta de opção, não podem ser vacinadas. Chama-se proteção de grupo. Quando as taxas de vacinação são superiores a 90%, numa determinada população, a doença não tem por onde se desenvolver, acabando por ser erradicada. É assim como quando cortamos o oxigénio para apagar um fogo. Sem ar, a chama não tem como se alimentar e morre. Se tod@s estivermos vacinad@s, a doença não tem como se reproduzir, e morre. Morre a doença, vivemos nós. Infelizmente, o fenómeno da proteção de grupo gera também um outro fenómeno quase tão perigoso como a doença: o da falsa sensação de segurança. Há 30 anos, quando eu era criança, era normal que as crianças tivessem todas as doenças tradicionais: sarampo, varicela, papeira, rubéola, escarlatina… Eu tive – ainda que sem sintomas graves, por estar vacinada – contacto com todas estas doenças, e estou, por isso, felizmente imune. A minha filha de 13 anos não teve qualquer uma destas doenças. Nem uma. Nem um sintoma. Nem uma ida ao médico ou ao hospital. De certo modo, ainda bem. Contudo, o desaparecimento das doenças faz com que os pais se esqueçam que ainda existem. E que podem matar. Gera uma falsa sensação de segurança que pode levar, erradamente, muitos pais a verem a vacinação como dispensável. Pais, lá porque o leão está preso na jaula há 30 anos, não quer dizer que se tenha tornado inofensivo! Se abrirmos a jaula ao leão, ele volta a atacar. Como, aliás, demonstra este pequeno surto de sarampo que tivemos e que já provocou uma morte (e indizível sofrimento aos pais da jovem que morreu).

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