AMA-TE SEMPRE!

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Tenho apenas 25 anos e uma doença crónica desde os 10. Desde aí que me trataram sempre de maneira diferente. Quando era miúda ainda não se chamava bullying. Eram simplesmente agressivos e maldosos comigo. Durante muitos anos sofri porque era diferente, chamavam-me nomes, gozavam comigo, inventavam coisas a meu respeito. Quando mudei de escola para o secundário pensei que isso fosse mudar, mas continuou até acabar a escola. Depois disso conheci um rapaz. O primeiro, aquele que eu achava que seria o meu príncipe encantado. Só que esse “príncipe” começou a destruir-me com palavras. Até chegou a dizer à minha mãe para me ensinar a cozinhar. Os maus tratos duraram dois anos, até eu abrir os olhos e cair na realidade do que me estava a acontecer. Fiquei um pouco perdida depois. Andei drogada com antidepressivos por um longo período. Durante toda a minha vida senti-me sempre menos que os outros, com a autoestima em baixo. Não me achava suficiente. Desde Novembro de 2012 que olhei para mim própria e larguei os antidepressivos, os calmantes, e todas as muletas artificiais. Até hoje não voltei a tocar em nada. A medicação fez-me perder o brilho, ganhei uns bons quilos a mais… e deixei de “sentir”. Sempre fui um pouco fria. Não queria admitir o que sentia. Escondia as emoções dentro de uma carapaça e não deixava que ninguém tentasse sequer descobrir quem sou. Nunca fui de muitas conversas nem gosto de confusão. Tenho dias em que me sinto triste, outros menos, mas agora sinto. Não vivo drogada. Muitas vezes choro, mas isso faz parte. Tenho de me levantar por mim, ter força, ter confiança. Neste momento estou casada com o meu “lobo mau”, a lidar com as coisas do dia-a-dia e a preparar-me para voltar a estudar. Para me desafiar. Provar a mim mesma que sou capaz. Acredito em karmas, por isso todos os que me fizeram mal ainda me hão-de ver vencer. O “ser diferente” é o que sou hoje. Sou mulher, dona de casa, não gosto de cozinhar, adoro ver séries, estou desempregada por opção (porque o meu trabalho anterior andava a dar cabo de mim e da minha saúde, por isso tive de fazer uma escolha), tento melhorar-me a cada dia que passa. Não sei o futuro, mas sei que não quero ser mãe tão cedo (também já ouvi muitas vezes “para quando um bebé?”). Primeiro está a minha saúde. Cuidar de mim. Acreditar em mim. O amor torna-nos melhores pessoas. Foi graças ao meu marido que fui recuperando a autoestima. Uma pessoa que nos apoie e que fique ao nosso lado mesmo quando as coisas estão más, é difícil de encontrar hoje em dia. Mas eu tenho essa pessoa. Por muito que passemos juntos, algum caminho havemos de encontrar. Mas temos de confiar em nós, arriscar. Deixar as pessoas tóxicas para trás. Lutar por nós. Amar-nos.

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