JÁ NÃO SOU DA GERAÇÃO DOS ESTÁGIO, E AGORA?

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Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

Descobri que existe um fator que se sobrepõe a todos os outros. Independentemente da formação académica e profissional, da experiência, das competências sociais e da entrevista ter corrido “mesmo muito bem”. Algo que já chegou aos meus ouvidos quando o entrevistador me negou o lugar… pura ironia. O fator “Está elegível para um estágio pelo Centro de Emprego” tornou-se eliminatório, sem qualquer hipótese para negociações ou até mesmo choradinhos.

A minha resposta é não, e as oportunidades são-me retiradas como um doce a uma criança.

Pois é, parece que já não faço parte da geração dos estágios. E também não faço parte da geração das cunhas, porque não as tenho. E agora, faço parte de quê? Dos voluntariados eternos? Das apresentações quinzenais? Das formações profissionais que (nunca) aumentam a probabilidade de empregabilidade? Da geração frustrada que não consegue sair da casa dos papás? Da geração (e da família) que se dedicou anos e anos e anos a uma profissão que, ao fim ao cabo, serve só para entretenimento pessoal?

Frases como “Em princípio vou ligar-lhe, mas está em desvantagem em relação aos outros porque nós preferimos contratar estagiários” – e depois não liga. Ou até mesmo “Já não está elegível para estágio profissional? Ok, obrigado e boa tarde!” – e depois a chamada telefónica é desligada. Frases que estão constantemente em replay, num misto entre “Pen-Pineapple-Apple-Pen” e “I will survive”.

Uma luta desigual contra tudo e contra todos, mas, essencialmente, contra a mentalidade de um país. É preferível “usar e abusar” dos apoios e descartar o que se construiu, em troca de um novo projeto de caridade – “Pronto, já cumprimos a nossa parte para com a sociedade. Adeus e que venha a próxima nem-nem!”.

E com tristeza e raiva, a minha introdução passa a ser:

Jovem, 25 anos.