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O povo português uniu-se por uma causa nobre, mais uma vez. Apesar da dificuldade, da falta de dinheiro, dos problemas e das pressões, encontrámos espaço para dar, mais uma vez. Não foi o futebol, a eurovisão ou o interesse pessoal que nos uniu: foi a solidariedade, a vontade de ajudar o próximo, o altruísmo desinteressado. Não estraguemos este gesto nacional tão bonito a discutir o que nos sai pelo rabo. Os miúdos da creche já são donos desse monopólio, não vale a pena começar uma guerra que não podemos ganhar.

Pintura: Ana Cristina Dias
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As pernas, altas, tinham pequenas linhas de água que brotavam debaixo da saia e os ombros, descobertos, ardiam como se estivesse num qualquer areal. Ao dobrar a esquina, uma brisa suficientemente forte assaltou-a. Lambeu-lhe o decote primeiro e depois levantou-lhe um pouco a saia. Os joelhos dela tremeram de uma maneira tonta e nesse instante já não era o vento.
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. Sabes que te topei a descobrir que eu sei que pensaste em ligar ao chefe. Que enjoo, fico agoniado. A mão. A mão a cumprir uma ordem, o número do patrão. Dás por isso. Desistes. Já sabes que sei que ligaste para o 112 do telemóvel. Disfarças. Disfarças mal. Disfarçamos ambos. Mal. Se sabemos o que o outro pensa, para quê esta palhaçada? Agarro na arma. Tu sabes. Agarras na tua. Eu não tenho arma, tu sabes que é falsa. Sei que tens uma. A tua é verdadeira. O dedo a destrancar o gatilho. O desfalque. Para quê, se de nada me vai servir agora?
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A verdade é que podemos sonhar em encontrar o amor. Gostar de alguém é bom, é maravilhoso se formos correspondidas. Mas quem pediu príncipes? Além disso preferia ter crescido a ouvir histórias de raparigas independentes, lutadoras, livres, de bem com a vida, por si só. Meninas com capacidade de se defenderem sozinhas, sem necessitar de alguém que as sustente para serem felizes “para sempre”.

Só uma falha tão grande de quem cá anda há mais tempo pode justificar que um conjunto de energúmenos, numa semana em que o país foi consumido pelo fogo e chora quem dele não conseguiu escapar – e foram dezenas – ache divertido, tradicional, relaxante, incendiar os cornos de um touro e soltá-lo para que esperneie de dor. E li que a discussão em Benavente vai acesa: não foram cornos incendiados, aquilo era só coisa de foguetes, sei lá

Fui à minha página e apaguei a partilha, não sem antes olhar por uns minutos para aqueles sorrisos genuínos, aquele momento que nunca mais se irá repetir. Deixei que esse conhecimento assentasse em mim, que o meu cérebro tivesse o tempo necessário para processar a informação. A morte é sempre difícil de aceitar.

passado este primeiro momento de horror, em que a todos faltou o bom senso, questiono: haveria necessidade de continuar a mostrar certas imagens? Haveria necessidade de mostrar os corpos de animais calcinados, obrigando-nos a fazer a analogia com corpos humanos? Haverá necessidade de conhecer e expor o rosto das pessoas que faleceram? Essa exposição irá auxiliar os que sobreviveram a superar a dor? Haverá necessidade de continuar a procurar atores para ilustrar toda esta tragédia?

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

O povo português uniu-se por uma causa nobre, mais uma vez. Apesar da dificuldade, da falta de dinheiro, dos problemas e das pressões, encontrámos espaço para dar, mais uma vez. Não foi o futebol, a eurovisão ou o interesse pessoal que nos uniu: foi a solidariedade, a vontade de ajudar o próximo, o altruísmo desinteressado. Não estraguemos este gesto nacional tão bonito a discutir o que nos sai pelo rabo. Os miúdos da creche já são donos desse monopólio, não vale a pena começar uma guerra que não podemos ganhar.

As pernas, altas, tinham pequenas linhas de água que brotavam debaixo da saia e os ombros, descobertos, ardiam como se estivesse num qualquer areal. Ao dobrar a esquina, uma brisa suficientemente forte assaltou-a. Lambeu-lhe o decote primeiro e depois levantou-lhe um pouco a saia. Os joelhos dela tremeram de uma maneira tonta e nesse instante já não era o vento.
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. Sabes que te topei a descobrir que eu sei que pensaste em ligar ao chefe. Que enjoo, fico agoniado. A mão. A mão a cumprir uma ordem, o número do patrão. Dás por isso. Desistes. Já sabes que sei que ligaste para o 112 do telemóvel. Disfarças. Disfarças mal. Disfarçamos ambos. Mal. Se sabemos o que o outro pensa, para quê esta palhaçada? Agarro na arma. Tu sabes. Agarras na tua. Eu não tenho arma, tu sabes que é falsa. Sei que tens uma. A tua é verdadeira. O dedo a destrancar o gatilho. O desfalque. Para quê, se de nada me vai servir agora?
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A verdade é que podemos sonhar em encontrar o amor. Gostar de alguém é bom, é maravilhoso se formos correspondidas. Mas quem pediu príncipes? Além disso preferia ter crescido a ouvir histórias de raparigas independentes, lutadoras, livres, de bem com a vida, por si só. Meninas com capacidade de se defenderem sozinhas, sem necessitar de alguém que as sustente para serem felizes “para sempre”.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

Ultimos Artigos

Pintura: Ana Cristina Dias
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Apesar da igualdade de género fazer parte do eixo transversal da Estratégia Nacional para as Comunidades Ciganas, e apesar do “crescimento” e organização de duas dezenas de mulheres ciganas em Portugal, são ainda inúmeras as desigualdades que as mulheres ciganas enfrentam, há questões bastante prementes que necessitam de respostas e pistas futuras de intervenção para assim eliminar as desigualdades e os obstáculos que estas continuam a enfrentar, nomeadamente no que se refere aos seus direitos de cidadania, ao seu acesso à participação e à tomada de decisão, em particular no que respeita às questões que lhes dizem respeito e que afetam as suas comunidades;

Figuras Femininas
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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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