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Depois, no primeiro recreio, o Guilherme levantara-lhe a saia em frente a toda a gente. E depois disse que se ela não queria que lhe levantassem as saias, que usasse calças. A Marta deu-lhe um empurrão com força e foi parar à directora, que não só lhe deu um raspanete, como disse que quando acontecesse assim era melhor ignorar. A Marta saiu do gabinete com um nó na garganta e os olhos rasos de lágrimas, sem saber bem que sentimento era aquele.

Grace Hopper foi almirante da Marinha e uma pioneira determinada, sendo considerada a mãe da programação de computadores. Nascida em Nova Iorque, em 1906, doutorou-se em Matemática pela Universidade Yale, em 1934, e trabalhava como professora associada de Matemática na Universidade Vassar quando os EUA entraram na II Guerra Mundial. Em 1943, deixou o emprego para se juntar às WAVES (Mulheres Admitidas para Serviço Voluntário).

Com a faculdade, apareceram as amigas para a vida toda como outros amigos para a vida toda, e com isto sempre o estigma parvo de que, para te dares com tantos homens, só podes ser leviana; que não, que não existe amizade em estado líquido entre homens e mulheres, não existe nada sem toques nem beijos na boca, mesmo que, de facto, tenha sido apenas uma ida ao cinema, um copo à noite, uma conversa sobre gajos que tivemos com um amigo para tentarmos compreender melhor o que nos calhou na rifa. Eu acredito profundamente que homens e mulheres podem ter relações de amizade que não envolvam mamas e sexo mas que transbordem admiração, cumplicidade e ternura.

Era uma vez uma menina que adorava escrever histórias sobre animais. Chamava-se Rachel e, na idade adulta, seria uma das mais fervorosas defensoras do ambiente
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Há quase dois anos que muitas mulheres, independentemente do seu género, orientação sexual ou estado civil, procuraram técnicas de PMA para serem mães e para realizarem o seu projeto familiar. A verdade é que muitas já estavam a meio do seu processo e acabaram por receber a chamada telefónica que lhes dizia: “Pedimos desculpa, mas por falta de condições legais, não vamos poder realizar a inseminação artificial” ou “Não podemos fazer a transferência do seu embrião, porque o dador quer continuar a ser anónimo”. Quantas mulheres já tinham feito o avio na farmácia, pedindo toda a medicação e feito as injeções hormonais? Quantas é que pediram empréstimos e começaram a projetar o quarto do bebé?

São as vidas dos outros, que têm idade para só pensarem em sonhos e guardarem no coração a fé no mundo e nas pessoas mas que, em vez disso, se preocupam em saber de cor o melhor esconderijo quando os gritos tomam conta de tudo, que gostavam que alguém lhes dissesse a que lugar pertencem e que adormecem a acreditar que é amanhã que as promessas feitas se cumprem e trazem com elas a esperança de que tudo mude.

As coisas não eram fáceis, nesse tempo, para uma mulher cientista, mas inspirada no exemplo de Marie Curie, Branca nunca deixou que ninguém lhe dissesse aquilo de que não era capaz. Assumiu vários lugares de liderança, pertenceu a várias sociedades científicas – portuguesas e francesas – e o seu pioneirismo e o reconhecimento por parte dos seus pares granjearam-lhe um lugar de destaque na comunidade científica portuguesa.

A Maria, a minha mãe, é o ser humano mais especial do meu mundo. Paralelamente ao facto de ter sido a pessoa que arriscou a própria vida para me dar uma vida, foi quem nunca desistiu de mim. A minha mãe doou o seu corpo à Faculdade de Ciências Médicas, ao Departamento de Anatomia da Universidade Nova de Lisboa, porque sente necessidade de ser útil à medicina tal como a medicina lhe tem sido útil. Amo-a com todas as suas limitações e com todas aquelas que ainda estiverem para vir. O controverso tema da eutanásia já foi abordado entre nós e concluí dessa reflexão que a minha mãe considera que a eutanásia deve ser sustentada no maior dos princípios - a LIBERDADE

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Depois, no primeiro recreio, o Guilherme levantara-lhe a saia em frente a toda a gente. E depois disse que se ela não queria que lhe levantassem as saias, que usasse calças. A Marta deu-lhe um empurrão com força e foi parar à directora, que não só lhe deu um raspanete, como disse que quando acontecesse assim era melhor ignorar. A Marta saiu do gabinete com um nó na garganta e os olhos rasos de lágrimas, sem saber bem que sentimento era aquele.

Com a faculdade, apareceram as amigas para a vida toda como outros amigos para a vida toda, e com isto sempre o estigma parvo de que, para te dares com tantos homens, só podes ser leviana; que não, que não existe amizade em estado líquido entre homens e mulheres, não existe nada sem toques nem beijos na boca, mesmo que, de facto, tenha sido apenas uma ida ao cinema, um copo à noite, uma conversa sobre gajos que tivemos com um amigo para tentarmos compreender melhor o que nos calhou na rifa. Eu acredito profundamente que homens e mulheres podem ter relações de amizade que não envolvam mamas e sexo mas que transbordem admiração, cumplicidade e ternura.

Há quase dois anos que muitas mulheres, independentemente do seu género, orientação sexual ou estado civil, procuraram técnicas de PMA para serem mães e para realizarem o seu projeto familiar. A verdade é que muitas já estavam a meio do seu processo e acabaram por receber a chamada telefónica que lhes dizia: “Pedimos desculpa, mas por falta de condições legais, não vamos poder realizar a inseminação artificial” ou “Não podemos fazer a transferência do seu embrião, porque o dador quer continuar a ser anónimo”. Quantas mulheres já tinham feito o avio na farmácia, pedindo toda a medicação e feito as injeções hormonais? Quantas é que pediram empréstimos e começaram a projetar o quarto do bebé?

São as vidas dos outros, que têm idade para só pensarem em sonhos e guardarem no coração a fé no mundo e nas pessoas mas que, em vez disso, se preocupam em saber de cor o melhor esconderijo quando os gritos tomam conta de tudo, que gostavam que alguém lhes dissesse a que lugar pertencem e que adormecem a acreditar que é amanhã que as promessas feitas se cumprem e trazem com elas a esperança de que tudo mude.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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Grace Hopper foi almirante da Marinha e uma pioneira determinada, sendo considerada a mãe da programação de computadores. Nascida em Nova Iorque, em 1906, doutorou-se em Matemática pela Universidade Yale, em 1934, e trabalhava como professora associada de Matemática na Universidade Vassar quando os EUA entraram na II Guerra Mundial. Em 1943, deixou o emprego para se juntar às WAVES (Mulheres Admitidas para Serviço Voluntário).

Era uma vez uma menina que adorava escrever histórias sobre animais. Chamava-se Rachel e, na idade adulta, seria uma das mais fervorosas defensoras do ambiente

As coisas não eram fáceis, nesse tempo, para uma mulher cientista, mas inspirada no exemplo de Marie Curie, Branca nunca deixou que ninguém lhe dissesse aquilo de que não era capaz. Assumiu vários lugares de liderança, pertenceu a várias sociedades científicas – portuguesas e francesas – e o seu pioneirismo e o reconhecimento por parte dos seus pares granjearam-lhe um lugar de destaque na comunidade científica portuguesa.

Artigos Mais Vistos

Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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