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Para salvaguardar o direito de autodeterminação sexual das mulheres é suposto garantir que as mesmas tenham de ser importunadas? Não era expectável que, depois de tudo o que tem vindo a lume sobre as questões do assédio, estivéssemos antes preocupados em garantir o contrário, isto é, assegurar que nem homens nem mulheres são “importunados” na rua, nas escolas, nos transportes públicos, no local de trabalho e nos locais mais inusitados onde este tipo de “sedução” teima em suceder?
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o feminismo quer dar poder e opções às mulheres, não impor-lhes um caminho. É o patriarcado, o machismo, a “tradição social” e o normativismo que pretendem impor às mulheres (e aos homens) um certo (e muitas vezes único) caminho, retirando-lhes toda a escolha, toda a opção, todo o poder. O feminismo louva a mulher que trabalha fora de casa e a que trabalha para a casa, @s filh@s e a família. O feminismo louva a mulher que gosta de sexo casual e a que opta por ir virgem para o casamento. O feminismo louva a mulher que escolhe. Que pode escolher.

Eu entrei na universidade, Mãe. Estou quase a me formar e faço planos para o futuro próximo. Queria saber se sentes orgulho em mim. Ao mesmo tempo, queria saber se estás bem, se realmente estás rodeada por anjos a cantar glórias no céu como disseste que ias fazer. Às vezes me pergunto se ainda era essa a tua vontade, apesar do teu Deus, nosso Deus, ter deixado outra pessoa - aquele que dizia te amar, teu companheiro - te espancar, e com uma bala na testa, como se nada fosse, tirar a tua vida em frente às tuas meninas, acabando de vez com a oportunidade de estares com elas enquanto cresciam.

Quando um ditador cruel chamado Raphael Trujillo subiu ao poder, na República Dominicana, quatro irmãs juntaram-se à luta pela liberdade. Eram as irmãs Mirabal: Minerva, Patria, Maria Teresa e Dedé. Chamavam-lhe Las Mariposas, as borboletas. Distribuíam panfletos políticos e organizaram um movimento de oposição a Trujillo com o objetivo de restaurar a democracia no seu país. Trujillo não gostou.
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O erro do manifesto não é [somente] afirmar que é absurdo criminalizar a paquera insistente, o roubar beijo, o importunar, mas sim considerar isso um direito do homem e romantizar os homens que assim agem como sedutores desajeitados, perdoando-os por antecipação sem considerar a provável consequência dessa irrestricta liberdade. É como afirmar e dotar o homem (de novo insisto, refiro-me ao género) da possibilidade de poder e domínio sobre o corpo alheio.

A vítima de violência doméstica não pode ter um curso superior. Toda a gente sabe que a mulher vítima de violência doméstica é uma pobre coitada iletrada, tantas vezes ignorante, que nada percebe do mundo e da vida, só assim se compreendendo que vá ficando com um marido agressor. Se uma mulher letrada, com elevados níveis de formação, se queixa de violência doméstica, é porque está a mentir (e quer ficar com os bens todos no divórcio).

“Quando tinha 9 nove anos estreei-me no ténis, era muito boa jogadora, mais pequenina do que as colegas da minha idade e, por isso, era mais rápida. Aos 10 anos houve um treinador que me assediou. Começou por ser uma brincadeira (achava eu), e foi-se esticando, ele a ver até onde conseguia ir. A situação durou uns 3 três meses, e eu, uma criança de 10 anos que só pensava em jogar ténis e em fazer ginástica rítmica, fui confrontada pela primeira vez com o sexo. Demorei 3 TRÊS MESES até ganhar coragem para contar aos meus pais. Sabe porquê, querida Catherine? Porque, na minha cabeça inocente, achava que a culpa era minha e tinha uma vergonha GIGANTE. Não fui violada, fui assediada.”

do Autor/a da Criada Malcriada www.facebook.com/veronicadivorciada http://www.facebook.com/acriadamalcriada
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Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Para salvaguardar o direito de autodeterminação sexual das mulheres é suposto garantir que as mesmas tenham de ser importunadas? Não era expectável que, depois de tudo o que tem vindo a lume sobre as questões do assédio, estivéssemos antes preocupados em garantir o contrário, isto é, assegurar que nem homens nem mulheres são “importunados” na rua, nas escolas, nos transportes públicos, no local de trabalho e nos locais mais inusitados onde este tipo de “sedução” teima em suceder?
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o feminismo quer dar poder e opções às mulheres, não impor-lhes um caminho. É o patriarcado, o machismo, a “tradição social” e o normativismo que pretendem impor às mulheres (e aos homens) um certo (e muitas vezes único) caminho, retirando-lhes toda a escolha, toda a opção, todo o poder. O feminismo louva a mulher que trabalha fora de casa e a que trabalha para a casa, @s filh@s e a família. O feminismo louva a mulher que gosta de sexo casual e a que opta por ir virgem para o casamento. O feminismo louva a mulher que escolhe. Que pode escolher.

Eu entrei na universidade, Mãe. Estou quase a me formar e faço planos para o futuro próximo. Queria saber se sentes orgulho em mim. Ao mesmo tempo, queria saber se estás bem, se realmente estás rodeada por anjos a cantar glórias no céu como disseste que ias fazer. Às vezes me pergunto se ainda era essa a tua vontade, apesar do teu Deus, nosso Deus, ter deixado outra pessoa - aquele que dizia te amar, teu companheiro - te espancar, e com uma bala na testa, como se nada fosse, tirar a tua vida em frente às tuas meninas, acabando de vez com a oportunidade de estares com elas enquanto cresciam.

O erro do manifesto não é [somente] afirmar que é absurdo criminalizar a paquera insistente, o roubar beijo, o importunar, mas sim considerar isso um direito do homem e romantizar os homens que assim agem como sedutores desajeitados, perdoando-os por antecipação sem considerar a provável consequência dessa irrestricta liberdade. É como afirmar e dotar o homem (de novo insisto, refiro-me ao género) da possibilidade de poder e domínio sobre o corpo alheio.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

Ultimos Artigos

Quando um ditador cruel chamado Raphael Trujillo subiu ao poder, na República Dominicana, quatro irmãs juntaram-se à luta pela liberdade. Eram as irmãs Mirabal: Minerva, Patria, Maria Teresa e Dedé. Chamavam-lhe Las Mariposas, as borboletas. Distribuíam panfletos políticos e organizaram um movimento de oposição a Trujillo com o objetivo de restaurar a democracia no seu país. Trujillo não gostou.
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do Autor/a da Criada Malcriada www.facebook.com/veronicadivorciada http://www.facebook.com/acriadamalcriada
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Melba começou a tocar trombone todos os dias. Tentou ter aulas, mas não se deu bem com o professor. «Vou aprender sozinha. Vou improvisando», disse. Foi difícil, mas adorava o som bruto e estridente que saía daquele instrumento. Passado um ano, já tocava suficientemente bem para solar com o seu trombone na estação de rádio local.
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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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