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Entre 4 e 29 de maio, o Ciclo de Conferências Clubes Capazes marca a agenda feminista nacional, reunindo estudantes do ensino secundário e do ensino básico do 3º ciclo do Alentejo para quatro tertúlias moderadas por Rita Ferro Rodrigues. Durante 90 minutos, iremos refletir sobre Feminismo e Igualdade de Género em conjunto com as comunidades locais.
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A minha mãe envelheceu mais cedo do que as mães dos meus amigos porque eu nasci tarde. Também por ter nascido num bairro, de vez em quando ainda arranjo ali as unhas, no lugar onde todos se conhecem e sabem a que família pertencemos. Descobri também ali, há algum tempo, a moda dos bailes da terceira idade, pelo número de frequentadoras do cabeleireiro a partir de uma determinada hora. Bailes aos sábados e domingos à tarde que acontecem em pequenas associações recreativas, onde mulheres de 60, 70 e 80 anos, sozinhas, vão dançar e ser felizes. Às vezes viúvas, às vezes divorciadas, às vezes solteiras: sozinhas ou com amigas.

As Conversas de Gente são conversas intimistas, sem intermediários, com perguntas e respostas entre pessoas inspiradoras que dão a conhecer o dia-a-dia das suas profissões e as suas histórias de vida a jovens em fase de escolha do seu futuro. Vamos mostrar-lhes cursos e requisitos (provas de acesso e médias) e saídas profissionais. Vamos inspirá-los a ser mais e melhores como Elas.

Esta nova lei passa a reconhecer que somos nós quem determina a nossa identidade e a forma como nos apresentamos ao mundo. Adicionalmente, não estamos perante a criação de situações irreversíveis. A mesma prevê que basta um requerimento à conservatória para mudança do nome e sexo no registo civil, mas exige igualmente, para nova alteração, uma autorização judicial. Para evitar os abusos da lei, mas também como garante de uma ação civil refletida e muito desejada.
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Infelizmente, em 2018 continuamos a assistir a uma forte e enraizada cultura de responsabilização das vítimas que é disseminada pelas redes sociais, por pessoas que são figuras públicas ou vozes de referência, que chegam até às jovens e aos jovens, e que reforça o silenciamento de quem foi vítima de abuso sexual.

No último ginásio a que fomos algo ainda mais interessante teve lugar. A minha amiga, por ter lido à entrada que havia nutricionista, perguntou como é que se processavam as consultas (regularidade, preço, etc.). Ora ela é MUITO mais magra do que eu, logo, a resposta veio para mim. O senhor explicou tudinho olhando para mim, deu preços e demais informações e só depois perguntou: “É para si, certo?”. Respondemos as duas sem uníssono: Não!

(E sim, as coisas estão a mudar. Mas as coisas mudam com o exemplo e ainda há tantos exemplos maus.) E isto é tão pouco se passarmos fronteiras e olharmos para o mundo. Eles não imaginam o que é viver num mundo onde tantas mulheres, todos os dias, sofrem porque são mulheres. E pensarmos que “até tivemos sorte” quando nunca, mas nunca se pode tratar de sorte. (Eles dizem que vivemos num país onde homens e mulheres são tratados de igual forma, onde não é preciso ser feminista porque já existe igualdade. A sério?)

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

A minha mãe envelheceu mais cedo do que as mães dos meus amigos porque eu nasci tarde. Também por ter nascido num bairro, de vez em quando ainda arranjo ali as unhas, no lugar onde todos se conhecem e sabem a que família pertencemos. Descobri também ali, há algum tempo, a moda dos bailes da terceira idade, pelo número de frequentadoras do cabeleireiro a partir de uma determinada hora. Bailes aos sábados e domingos à tarde que acontecem em pequenas associações recreativas, onde mulheres de 60, 70 e 80 anos, sozinhas, vão dançar e ser felizes. Às vezes viúvas, às vezes divorciadas, às vezes solteiras: sozinhas ou com amigas.

Esta nova lei passa a reconhecer que somos nós quem determina a nossa identidade e a forma como nos apresentamos ao mundo. Adicionalmente, não estamos perante a criação de situações irreversíveis. A mesma prevê que basta um requerimento à conservatória para mudança do nome e sexo no registo civil, mas exige igualmente, para nova alteração, uma autorização judicial. Para evitar os abusos da lei, mas também como garante de uma ação civil refletida e muito desejada.

Infelizmente, em 2018 continuamos a assistir a uma forte e enraizada cultura de responsabilização das vítimas que é disseminada pelas redes sociais, por pessoas que são figuras públicas ou vozes de referência, que chegam até às jovens e aos jovens, e que reforça o silenciamento de quem foi vítima de abuso sexual.

No último ginásio a que fomos algo ainda mais interessante teve lugar. A minha amiga, por ter lido à entrada que havia nutricionista, perguntou como é que se processavam as consultas (regularidade, preço, etc.). Ora ela é MUITO mais magra do que eu, logo, a resposta veio para mim. O senhor explicou tudinho olhando para mim, deu preços e demais informações e só depois perguntou: “É para si, certo?”. Respondemos as duas sem uníssono: Não!

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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Entre 4 e 29 de maio, o Ciclo de Conferências Clubes Capazes marca a agenda feminista nacional, reunindo estudantes do ensino secundário e do ensino básico do 3º ciclo do Alentejo para quatro tertúlias moderadas por Rita Ferro Rodrigues. Durante 90 minutos, iremos refletir sobre Feminismo e Igualdade de Género em conjunto com as comunidades locais.
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As Conversas de Gente são conversas intimistas, sem intermediários, com perguntas e respostas entre pessoas inspiradoras que dão a conhecer o dia-a-dia das suas profissões e as suas histórias de vida a jovens em fase de escolha do seu futuro. Vamos mostrar-lhes cursos e requisitos (provas de acesso e médias) e saídas profissionais. Vamos inspirá-los a ser mais e melhores como Elas.

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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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