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Não posso esconder que me senti fortemente incomodada ao ver uma mulher, num espaço de exposição mediática como é o jornal da SIC, diminuir desta forma a luta de outras mulheres que vivem num país onde ser mulher e/ou membro da comunidade LGBTI é extremamente perigoso. A isto chama-se, no mínimo, falta de empatia. Dizer com ar de gozo que é estranho que deputadas portuguesas se solidarizarem com um movimento cívico, apartidário de mulheres (e não só), porque não vivem no Brasil, porque não têm a ver com a situação, revela que Manuela Moura Guedes apoia aquela ideia horrenda e desumana de que “se não é aqui, se não está à frente dos nossos olhos, não importa!”.
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Se falarmos e defendermos o feminismo e a igualdade do género e todos os princípios basilares em que o mesmo assenta, temos também de começar por nós próprias e fazer a diferença. Não basta dizer que somos feministas. Vamos começar por fazer a diferença em casa, na nossa rua, no nosso local de trabalho, com as nossas colegas, familiares, filhas e amigas.

O Prémio Nobel da Paz 2018 foi atribuído à activista de direitos humanos Nadia Murad e ao médico congolês Denis Mukwege. Nadia Murad foi vítima da jihad sexual do Estado Islâmico. Escapou e contra-atacou: converteu-se em defensora dos Direitos Humanos - a primeira pessoa a ser nomeada Embaixadora da Boa Vontade para a Dignidade dos Sobreviventes de Tráfico de Seres Humanos das Nações Unidas e está actualmente a trabalhar para levar o Estado Islâmico ao Tribunal Penal Internacional, por genocídio e crimes contra a Humanidade.
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Cada divulgação de actos de agressão sexual, ou cada notícia da sua impunidade, desperta em mim uma reacção de stress pós-traumático, mas, a partir de agora, despertará também uma acção muito concreta. Não vou continuar a partilhar textos como fazia, tentando convencer quem já está ou não quer ser convencido. Vou é agir. Como nos mostra o exemplo dos/as activistas pelos direitos civis nos EUA, o mundo muda é com marchas, vozes em coro, cartas insistentes a quem decide, greves, cartazes, boicotes, megafones.
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A campanha “traduz-te em força” é composta por cinco vídeos, cada um dedicado a uma das nacionalidades com maior expressão em Portugal (Brasil, Cabo-Verde, Ucrânia, Roménia e China). Em cada vídeo, três mulheres migrantes, a residir em Portugal, interpretam um poema de enaltecimento feminino, escrito por uma poetisa originaria do pais representado. No vídeo dedicado ao Brasil, Ângela Machado, Juliana Falchetti e Carolina Leão interpretam o poema “Gargalhada” da grande poetisa Cecília Meireles.

obrigamos a vítima a ser frágil, virginal e passiva enquanto exigimos que demonstre algum tipo de resistência física contra o atacante durante o acto. Uma vítima que não entre em depressão (visível) e mantenha a sua vida, os seus estudos, namoros e hábitos “promíscuos” é imediatamente descredibilizada pelos tribunais, mas também o é a mulher que, no momento, não gritou, esperneou, agrediu ou tentou fugir. Desconhecemos que não existem duas vítimas iguais nem com a mesma reacção face ao mesmo acontecimento e esquecemos que, em cenários aflitivos, muito frequentemente bloqueamos e somos incapazes de reagir como reagiríamos se estivéssemos fora da situação. É como um filme de terror, em que nos perguntamos, enfurecidos, por que é que a vítima não fugiu ou por que razão entrou naquele quarto. O problema é que não somos nós quem está ali.

Talvez por isso as acusações de Kathryn Mayorga tenham causado um impacto tão forte. Ao ler as notícias, dava por mim a fazer o que tanto critico: a rotulá-la imediatamente de oportunista, a pensar que existem vídeos dos dois a dançar em ambiente de "sedução mútua", que já passou imenso tempo, que ela aceitou dinheiro... só me faltou criticar a forma como ela estava vestida (felizmente o machismo não está enraizado em mim até esse ponto). Quando me apercebi do que estava a fazer, tive vergonha. Porque a verdade é que ela pode ser uma vítima. Ela pode mesmo ter sido violada, pode ter sofrido pressões para se calar, pode ter vivido todos estes anos com este peso no peito e, só agora, ter arranjado a coragem necessária para contar a sua história.
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Não se ensinam os rapazes a não violar, a não abusar, mas pede-se às raparigas que tenham cuidado e não saiam à noite sozinhas, não aceitem bebidas, não deem conversa a estranhos, não usem roupa justa, não sorriam muito, não dancem de certas formas, como se a violação fosse o resultado natural de um processo de sedução mútua.

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Não posso esconder que me senti fortemente incomodada ao ver uma mulher, num espaço de exposição mediática como é o jornal da SIC, diminuir desta forma a luta de outras mulheres que vivem num país onde ser mulher e/ou membro da comunidade LGBTI é extremamente perigoso. A isto chama-se, no mínimo, falta de empatia. Dizer com ar de gozo que é estranho que deputadas portuguesas se solidarizarem com um movimento cívico, apartidário de mulheres (e não só), porque não vivem no Brasil, porque não têm a ver com a situação, revela que Manuela Moura Guedes apoia aquela ideia horrenda e desumana de que “se não é aqui, se não está à frente dos nossos olhos, não importa!”.
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Se falarmos e defendermos o feminismo e a igualdade do género e todos os princípios basilares em que o mesmo assenta, temos também de começar por nós próprias e fazer a diferença. Não basta dizer que somos feministas. Vamos começar por fazer a diferença em casa, na nossa rua, no nosso local de trabalho, com as nossas colegas, familiares, filhas e amigas.

Cada divulgação de actos de agressão sexual, ou cada notícia da sua impunidade, desperta em mim uma reacção de stress pós-traumático, mas, a partir de agora, despertará também uma acção muito concreta. Não vou continuar a partilhar textos como fazia, tentando convencer quem já está ou não quer ser convencido. Vou é agir. Como nos mostra o exemplo dos/as activistas pelos direitos civis nos EUA, o mundo muda é com marchas, vozes em coro, cartas insistentes a quem decide, greves, cartazes, boicotes, megafones.
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obrigamos a vítima a ser frágil, virginal e passiva enquanto exigimos que demonstre algum tipo de resistência física contra o atacante durante o acto. Uma vítima que não entre em depressão (visível) e mantenha a sua vida, os seus estudos, namoros e hábitos “promíscuos” é imediatamente descredibilizada pelos tribunais, mas também o é a mulher que, no momento, não gritou, esperneou, agrediu ou tentou fugir. Desconhecemos que não existem duas vítimas iguais nem com a mesma reacção face ao mesmo acontecimento e esquecemos que, em cenários aflitivos, muito frequentemente bloqueamos e somos incapazes de reagir como reagiríamos se estivéssemos fora da situação. É como um filme de terror, em que nos perguntamos, enfurecidos, por que é que a vítima não fugiu ou por que razão entrou naquele quarto. O problema é que não somos nós quem está ali.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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O Prémio Nobel da Paz 2018 foi atribuído à activista de direitos humanos Nadia Murad e ao médico congolês Denis Mukwege. Nadia Murad foi vítima da jihad sexual do Estado Islâmico. Escapou e contra-atacou: converteu-se em defensora dos Direitos Humanos - a primeira pessoa a ser nomeada Embaixadora da Boa Vontade para a Dignidade dos Sobreviventes de Tráfico de Seres Humanos das Nações Unidas e está actualmente a trabalhar para levar o Estado Islâmico ao Tribunal Penal Internacional, por genocídio e crimes contra a Humanidade.
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Falar de sexualidade, no momento certo e de forma adequada, é preparar as crianças e os jovens para uma vida plena, protegida e informada. Este livro, da autoria de uma das maiores especialistas em educação sexual do nosso país, é uma ferramenta essencial para lhe dar apoio na compreensão de cada fase do desenvolvimento da criança, do adolescente e do jovem, e inclui todos os conselhos e informação de que precisa para os educar para uma vida feliz e completa.

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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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