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Ao contrário do que algumas pessoas acreditam, não é no contexto do infantário ou no primeiro ciclo que se dá a socialização das crianças e a construção dos papéis de género, mas sim quando os pais e as mães descobrem o sexo do bebé. É nessa altura que decidem qual o guião que vão adoptar, um guião onde está tudo devidamente descrito e com inúmeros apontamentos para reforçar a narrativa dos estereótipos de género.

Os sintomas de depressão não desaparecem por si, não são “só uma fase” e exigem que olhemos para eles de frente e com a seriedade que merecem. A identificação conjunta de alguns recursos como o do acompanhamento psicológico é fundamental para que se sintam mais apoiados e possam aprender a olhar de uma forma positiva para dentro de si e a desenvolver estratégias mais adaptativas para lidar com os desafios do mundo externo.

Na verdade, as padeiras, as suas mamas e o corpo hipersexualizado da mulher não representam nem simbolizam a broa de Avintes. Se foi ou não uma mulher que criou o guião? Não me interessa. Sabemos que o patriarcado está enraizado mesmo entre nós, mulheres. Crescemos no meio dele, estamos formatadas para o promover e vivê-lo até ao dia em que ganhamos consciência sobre o mundo, sobre as coisas, e fugimos dele como quem foge rumo à liberdade.

Eu sou o exemplo. Mas não lhe exemplifico situações más. Mascaro o cansaço de conciliar dois trabalhos, escondo o stress que me provoca ter de pagar as contas e ter de gerir bem as idas ao supermercado. Não deixo que me veja (ou tento, pelo menos) quando choro. Seja por que motivo for. Ser o exemplo é um peso mas também implica saber mostrar as minhas fragilidades. E eu não consigo fazer isso.
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A minha mãe e a minha avó ensinaram-me, sobretudo, a não ter medo. Por isso arregacei as mangas e abri um negócio em tempos de crise, mesmo quando toda a gente me dizia que lojas há muitas e que o risco é grande. Não trabalho na área para a qual estudei, mas a cada dia que passa sinto-me mais envolvida com aquilo que faço. Sinto-me alegre por trabalhar com mulheres e para mulheres!

Veio da sua primeira missão com o objetivo de arranjar dinheiro para a operação de um menino que deixou para trás na Costa do Marfim – e que não conseguiu esquecer - e não descansou enquanto, com a ajuda de tantos anónimos e missionários, o Yéo não foi operado e começou a andar. “Sempre tive muita vontade de partir numa missão de voluntariado internacional (…) tinha noção de que as minhas ações num país mais desfavorecido teriam maior impacto.

No dia em que nasceu, eu já sabia que a liberdade de ser é o maior bem que se pode dar a um filho. Mas não basta sabê-lo. É preciso experimentá-lo. Nesta transformação de mulher e de mãe (de homem e de pai), é preciso caminhar e deixar acontecer, para assim aprender que um amor maior como este nosso não precisa de ser espelho, nem montra, nem sequer precisa de um guião que antecipe todos os passos ou reproduza todas as falas. Pelo contrário, querê-lo seria reduzir a quase nada a nobre missão de ajudar a crescer.

Nunca a chamei de madrasta porque nunca assim me fez sentido. Sempre foi “a tia” e é dela que vos falarei agora. Mesmo não me tendo carregado na barriga durante nove meses, para a tia, fui o seu primeiro filho. Teve comigo o mesmo trato que tem com qualquer um dos seus filhos biológicos, e apesar de não ter nenhuma obrigação para comigo, sempre me deu tudo aquilo que necessitava.

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

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Ao contrário do que algumas pessoas acreditam, não é no contexto do infantário ou no primeiro ciclo que se dá a socialização das crianças e a construção dos papéis de género, mas sim quando os pais e as mães descobrem o sexo do bebé. É nessa altura que decidem qual o guião que vão adoptar, um guião onde está tudo devidamente descrito e com inúmeros apontamentos para reforçar a narrativa dos estereótipos de género.

Os sintomas de depressão não desaparecem por si, não são “só uma fase” e exigem que olhemos para eles de frente e com a seriedade que merecem. A identificação conjunta de alguns recursos como o do acompanhamento psicológico é fundamental para que se sintam mais apoiados e possam aprender a olhar de uma forma positiva para dentro de si e a desenvolver estratégias mais adaptativas para lidar com os desafios do mundo externo.

Na verdade, as padeiras, as suas mamas e o corpo hipersexualizado da mulher não representam nem simbolizam a broa de Avintes. Se foi ou não uma mulher que criou o guião? Não me interessa. Sabemos que o patriarcado está enraizado mesmo entre nós, mulheres. Crescemos no meio dele, estamos formatadas para o promover e vivê-lo até ao dia em que ganhamos consciência sobre o mundo, sobre as coisas, e fugimos dele como quem foge rumo à liberdade.

Eu sou o exemplo. Mas não lhe exemplifico situações más. Mascaro o cansaço de conciliar dois trabalhos, escondo o stress que me provoca ter de pagar as contas e ter de gerir bem as idas ao supermercado. Não deixo que me veja (ou tento, pelo menos) quando choro. Seja por que motivo for. Ser o exemplo é um peso mas também implica saber mostrar as minhas fragilidades. E eu não consigo fazer isso.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

Ultimos Artigos

Já chegou às livrarias o primeiro livro, publicado em Portugal, de Carmen Maria Machado. Apesar de ser o seu romance de estreia, a autora publicou já diversos textos, ensaios e contos em jornais e revistas como The New Yorker, New York Times, Granta, Tin House, VQR, McSweeney’s Quarterly Concern, The Believer, Guernica, entre outros. Este livro é uma poderosa e desconcertante reflexão sobre o que é ser mulher, desejar, amar, resistir, viver como mulher. Um dos livros- sensação nas feiras do livro em 2017, de uma das promissoras novas vozes da literatura americana. 
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Elvira Fortunato nasceu em Almada em 1964 e desde pequena que sonhava ser engenheira, porque já então «gostava de construir coisas». Em 1987, licenciou-se em Engenharia Física e dos Materiais na Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa. Em 1991 fez o mestrado sobre Materiais Semicondutores e em 1995 o doutoramento em Microeletrónica e Optoelectrónica, na mesma universidade. Mais tarde, tornou-se professora e investigadora do Departamento de Ciência dos Materiais da FCT

Ex. mos Senhoras e Senhores Presidentes dos Grupos Parlamentares, As entidades abaixo subscritas enfatizam a sua posição em favor de uma real igualdade entre homens e...
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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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