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Hollywood é todos os dias em todos os lugares. Violência física, verbal, sexual, fazem parte do quotidiano das mulheres e vocês sabem-no, todos sabemos; se a sociedade escolhe o modelo holístico de assobiar para o lado para endereçar a vulnerabilidade latente à condição da mulher, desvalorizando as denúncias, culpabilizando as vítimas, cultuando o silêncio, não me venham falar em abalos épicos. Repulsa, frustração, impotência, revolta, OK, mas choque?

do Autor/a da Criada Malcriada www.facebook.com/veronicadivorciada http://www.facebook.com/acriadamalcriada
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Ao longo dos meus anos de adolescente e jovem pseudoadulta devo ter sido chamada de porca, puta e pêga umas 20 vezes. Os três P's mais machistas que conheço. Confessa. Ver as palavras escritas assim, preto no branco, tem outro impacto, não tem? Porque se fizeres as contas, rapidamente percebes que já passaste pelo mesmo tantas ou mais vezes que eu. Provavelmente calaste na grande maioria das vezes. Porque estavas entre amigos. Porque não querias armar confusão à frente de tanta gente. Porque ele ou ela te vai dizer que estava na brincadeira

Esta é a história da Laura. De uma Laura que foi capaz de dizer «chega». De uma Laura que teve a coragem de procurar a sua felicidade sem que isso significasse egoísmo. De uma Laura que podia ter ficado agarrada ao que era mais fácil, ao que lhe exigia menos esforço, ao que não lhe obrigava a enfrentar as suas próprias crenças. Esta é a história de uma Laura corajosa.
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Os tempos de lazer tinham de ser com os amigos, precisava de espairecer. Uma cerveja, um jogo de cartas e eu ficava bem. A casa sufocava-me. Eu não sabia tratar de ti. Não precisava de trocar fraldas. Não sabia. Não podia. Não queria. A tua mãe fazia. Não te dava leite. Não sabia. Não podia. Não tinha jeito. A tua mãe fazia. Não te dava banho. Não sabia. Não podia. Não tinha jeito. A tua mãe fazia. Não brincava contigo. Não queria. Não tinha tempo. Era ridículo. Tu lá te safaste. Recordo-me de te ver crescer como se estivesse do outro lado. Como se existisse um vidro.

Eufrosina tornou-se a primeira mulher indígena a ser eleita Presidente do Congresso estadual. Quando a primeira-dama do México visitou aquele Estado, Eufrosina andou de braço dado com ela, frente à população local. Mostrou ao pai — e ao mundo inteiro — que não há nada que as poderosas mulheres indígenas do México não possam fazer.
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O procedimento é o habitual. Colocam-nos a bata, ligam-nos ao CTG, tudo num registo muito mecânico. Para ajudar, a maioria de nós sente dores, percepciona uma falta de controlo sobre o corpo e sobre a situação (chegamos a pensar que não vamos sobreviver depois das contracções). Nesta fase, são mais os sinais de que não estamos bem do que os que nos recordam que somos mulheres saudáveis prontas para um parto. Se a equipa médica for autoritária e pouco empática, ignorando as nossas necessidades/opiniões, tendemos a sentir-nos obrigadas a comportar-nos como doentes e a aceitar as opiniões dos “senhores doutores”.

Mas é quando não estamos em festa; quando as luzes se apagam; quando acalmamos esta euforia do que é celebrar para fora, que começamos a fazer o balanço para dentro. Na melhor das hipóteses, metade da vida já lá vai. Já foi. Puff! Já desapareceu. Resta-nos, portanto, a outra metade. É aí que começamos a pensar – é inevitável não o fazer – sobre o que queremos fazer com a metade que nos resta. É aí que entram as tais canções e ladainhas. Será assim tão bom como dizem?

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Hollywood é todos os dias em todos os lugares. Violência física, verbal, sexual, fazem parte do quotidiano das mulheres e vocês sabem-no, todos sabemos; se a sociedade escolhe o modelo holístico de assobiar para o lado para endereçar a vulnerabilidade latente à condição da mulher, desvalorizando as denúncias, culpabilizando as vítimas, cultuando o silêncio, não me venham falar em abalos épicos. Repulsa, frustração, impotência, revolta, OK, mas choque?

Ao longo dos meus anos de adolescente e jovem pseudoadulta devo ter sido chamada de porca, puta e pêga umas 20 vezes. Os três P's mais machistas que conheço. Confessa. Ver as palavras escritas assim, preto no branco, tem outro impacto, não tem? Porque se fizeres as contas, rapidamente percebes que já passaste pelo mesmo tantas ou mais vezes que eu. Provavelmente calaste na grande maioria das vezes. Porque estavas entre amigos. Porque não querias armar confusão à frente de tanta gente. Porque ele ou ela te vai dizer que estava na brincadeira

Esta é a história da Laura. De uma Laura que foi capaz de dizer «chega». De uma Laura que teve a coragem de procurar a sua felicidade sem que isso significasse egoísmo. De uma Laura que podia ter ficado agarrada ao que era mais fácil, ao que lhe exigia menos esforço, ao que não lhe obrigava a enfrentar as suas próprias crenças. Esta é a história de uma Laura corajosa.
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Os tempos de lazer tinham de ser com os amigos, precisava de espairecer. Uma cerveja, um jogo de cartas e eu ficava bem. A casa sufocava-me. Eu não sabia tratar de ti. Não precisava de trocar fraldas. Não sabia. Não podia. Não queria. A tua mãe fazia. Não te dava leite. Não sabia. Não podia. Não tinha jeito. A tua mãe fazia. Não te dava banho. Não sabia. Não podia. Não tinha jeito. A tua mãe fazia. Não brincava contigo. Não queria. Não tinha tempo. Era ridículo. Tu lá te safaste. Recordo-me de te ver crescer como se estivesse do outro lado. Como se existisse um vidro.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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do Autor/a da Criada Malcriada www.facebook.com/veronicadivorciada http://www.facebook.com/acriadamalcriada
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Eufrosina tornou-se a primeira mulher indígena a ser eleita Presidente do Congresso estadual. Quando a primeira-dama do México visitou aquele Estado, Eufrosina andou de braço dado com ela, frente à população local. Mostrou ao pai — e ao mundo inteiro — que não há nada que as poderosas mulheres indígenas do México não possam fazer.
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O corte de muita da roupa que vestimos ainda hoje tem influências de Coco Chanel, a estilista que começou a fazer roupa para as bonecas a partir dos restos de tecido das vestes das freiras.
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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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