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A verdade é que podemos sonhar em encontrar o amor. Gostar de alguém é bom, é maravilhoso se formos correspondidas. Mas quem pediu príncipes? Além disso preferia ter crescido a ouvir histórias de raparigas independentes, lutadoras, livres, de bem com a vida, por si só. Meninas com capacidade de se defenderem sozinhas, sem necessitar de alguém que as sustente para serem felizes “para sempre”.

Só uma falha tão grande de quem cá anda há mais tempo pode justificar que um conjunto de energúmenos, numa semana em que o país foi consumido pelo fogo e chora quem dele não conseguiu escapar – e foram dezenas – ache divertido, tradicional, relaxante, incendiar os cornos de um touro e soltá-lo para que esperneie de dor. E li que a discussão em Benavente vai acesa: não foram cornos incendiados, aquilo era só coisa de foguetes, sei lá

Fui à minha página e apaguei a partilha, não sem antes olhar por uns minutos para aqueles sorrisos genuínos, aquele momento que nunca mais se irá repetir. Deixei que esse conhecimento assentasse em mim, que o meu cérebro tivesse o tempo necessário para processar a informação. A morte é sempre difícil de aceitar.

passado este primeiro momento de horror, em que a todos faltou o bom senso, questiono: haveria necessidade de continuar a mostrar certas imagens? Haveria necessidade de mostrar os corpos de animais calcinados, obrigando-nos a fazer a analogia com corpos humanos? Haverá necessidade de conhecer e expor o rosto das pessoas que faleceram? Essa exposição irá auxiliar os que sobreviveram a superar a dor? Haverá necessidade de continuar a procurar atores para ilustrar toda esta tragédia?
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Apesar da igualdade de género fazer parte do eixo transversal da Estratégia Nacional para as Comunidades Ciganas, e apesar do “crescimento” e organização de duas dezenas de mulheres ciganas em Portugal, são ainda inúmeras as desigualdades que as mulheres ciganas enfrentam, há questões bastante prementes que necessitam de respostas e pistas futuras de intervenção para assim eliminar as desigualdades e os obstáculos que estas continuam a enfrentar, nomeadamente no que se refere aos seus direitos de cidadania, ao seu acesso à participação e à tomada de decisão, em particular no que respeita às questões que lhes dizem respeito e que afetam as suas comunidades;

a vida certamente se encarregará de te dar uma lição. Aproveito para te dizer que também não te quero conhecer, não vale a pena. Não tenho nada para falar contigo. A minha mãe é a minha heroína sem capa, com os pés bem assentes na terra e o olhar sempre em acção. Tu podes continuar a tua vida, que deves considerar perfeita, com a tua família, que eu sei que tens. Não sabes nada sobre mim e se te digo que existo é porque me apeteceu. A mãe não sabe que te estou a escrever.

Eu achava que tinha o meu caminho delineado, uma linha reta que incluía aquilo que eu inocentemente achava ser o meu propósito de vida. Estudar, arranjar um bom emprego, casar, ter filhos, cuidar dos filhos, cuidar dos netos, ficar velhinha e morrer. Nem o meu GPS cerebral se atrevia a sugerir-me rotas alternativas, era aquela rota com fim àquele destino e ponto. Até que a vida me troca as voltas e o GPS começa a tentar refazer o trajeto sem sucesso.

Figuras Femininas
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Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

A verdade é que podemos sonhar em encontrar o amor. Gostar de alguém é bom, é maravilhoso se formos correspondidas. Mas quem pediu príncipes? Além disso preferia ter crescido a ouvir histórias de raparigas independentes, lutadoras, livres, de bem com a vida, por si só. Meninas com capacidade de se defenderem sozinhas, sem necessitar de alguém que as sustente para serem felizes “para sempre”.

Só uma falha tão grande de quem cá anda há mais tempo pode justificar que um conjunto de energúmenos, numa semana em que o país foi consumido pelo fogo e chora quem dele não conseguiu escapar – e foram dezenas – ache divertido, tradicional, relaxante, incendiar os cornos de um touro e soltá-lo para que esperneie de dor. E li que a discussão em Benavente vai acesa: não foram cornos incendiados, aquilo era só coisa de foguetes, sei lá

Fui à minha página e apaguei a partilha, não sem antes olhar por uns minutos para aqueles sorrisos genuínos, aquele momento que nunca mais se irá repetir. Deixei que esse conhecimento assentasse em mim, que o meu cérebro tivesse o tempo necessário para processar a informação. A morte é sempre difícil de aceitar.

passado este primeiro momento de horror, em que a todos faltou o bom senso, questiono: haveria necessidade de continuar a mostrar certas imagens? Haveria necessidade de mostrar os corpos de animais calcinados, obrigando-nos a fazer a analogia com corpos humanos? Haverá necessidade de conhecer e expor o rosto das pessoas que faleceram? Essa exposição irá auxiliar os que sobreviveram a superar a dor? Haverá necessidade de continuar a procurar atores para ilustrar toda esta tragédia?

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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Apesar da igualdade de género fazer parte do eixo transversal da Estratégia Nacional para as Comunidades Ciganas, e apesar do “crescimento” e organização de duas dezenas de mulheres ciganas em Portugal, são ainda inúmeras as desigualdades que as mulheres ciganas enfrentam, há questões bastante prementes que necessitam de respostas e pistas futuras de intervenção para assim eliminar as desigualdades e os obstáculos que estas continuam a enfrentar, nomeadamente no que se refere aos seus direitos de cidadania, ao seu acesso à participação e à tomada de decisão, em particular no que respeita às questões que lhes dizem respeito e que afetam as suas comunidades;

Figuras Femininas
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Neste livro procurei ir atrás de outras e novas formas de se ser homem, diferentes de muitas com que me tenho cruzado ao longo da vida. Nasci num ambiente bastante tradicional e conservador, e depressa percebi que o facto de ser mulher implicava algumas limitações, as quais não se faziam sentir sobre o meu irmão, os meus primos, os meus amigos... O sentimento de injustiça tornou-me uma pessoa mais atenta. Vejo com bons olhos todas as mudanças a que temos assistido neste âmbito, mas reconheço que muito há ainda por fazer.

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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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