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Infelizmente, em 2018 continuamos a assistir a uma forte e enraizada cultura de responsabilização das vítimas que é disseminada pelas redes sociais, por pessoas que são figuras públicas ou vozes de referência, que chegam até às jovens e aos jovens, e que reforça o silenciamento de quem foi vítima de abuso sexual.

No último ginásio a que fomos algo ainda mais interessante teve lugar. A minha amiga, por ter lido à entrada que havia nutricionista, perguntou como é que se processavam as consultas (regularidade, preço, etc.). Ora ela é MUITO mais magra do que eu, logo, a resposta veio para mim. O senhor explicou tudinho olhando para mim, deu preços e demais informações e só depois perguntou: “É para si, certo?”. Respondemos as duas sem uníssono: Não!

(E sim, as coisas estão a mudar. Mas as coisas mudam com o exemplo e ainda há tantos exemplos maus.) E isto é tão pouco se passarmos fronteiras e olharmos para o mundo. Eles não imaginam o que é viver num mundo onde tantas mulheres, todos os dias, sofrem porque são mulheres. E pensarmos que “até tivemos sorte” quando nunca, mas nunca se pode tratar de sorte. (Eles dizem que vivemos num país onde homens e mulheres são tratados de igual forma, onde não é preciso ser feminista porque já existe igualdade. A sério?)
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Tu não és como as outras mães é a história real dessa vida intensa, extravagante, inconformista que foi a de Else Kirschner, uma mulher verdadeiramente livre, e uma mãe diferente de todas as outras. Nascida na conservadora burguesia judia de Berlim, Else estava prometida para casar com um bom partido. Mas os encantos de um artista cristão - «o maior amor e pior partido da sua vida» - foram o trampolim que procurava para renunciar ao conforto da casa paterna e ser dona do seu destino num mundo cheio de promessa.
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A verdade é que muitas mulheres crescem com o princípio de que a sua existência só se realiza em pleno quando partilhada com um "Príncipe Azul". Isso até é romântico e bonito mas… POR FAVOR, PAREM! Não criem as vossas meninas como princesas e os vossos meninos como heróis. Nós também podemos ser as heroínas da nossa história. Não somos de porcelana, também gostamos de nos esfolar, de combater, de mostrar a nossa força. Assim como os meninos/ homens podem gostar de cor-de-rosa, cozinhar e cuidar dos outros.

Durante toda esta vida adquiri o hábito de remoer tudo, não sou amiga de todos e todas, estou sempre desconfiada da sociabilidade. Faz parte de ser uma mulher negra, estamos sempre prontas para o desrespeito. Certos acontecimentos só pioram esta característica que eu construí, não sozinha, mas socialmente, em conjunto com o medo de ser rejeitada.
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Sou Mulher. Sou filha, sou irmã, sou neta, sou sobrinha, sou amiga. Ainda não sou mãe, mas sou tia. Nasci em 1984 e já vi e vivi muitas realidades diferentes do que é ser mulher neste mundo, estando a descobrir o que é ser verdadeiramente feminista desde há 3 anos a esta parte.
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Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Infelizmente, em 2018 continuamos a assistir a uma forte e enraizada cultura de responsabilização das vítimas que é disseminada pelas redes sociais, por pessoas que são figuras públicas ou vozes de referência, que chegam até às jovens e aos jovens, e que reforça o silenciamento de quem foi vítima de abuso sexual.

No último ginásio a que fomos algo ainda mais interessante teve lugar. A minha amiga, por ter lido à entrada que havia nutricionista, perguntou como é que se processavam as consultas (regularidade, preço, etc.). Ora ela é MUITO mais magra do que eu, logo, a resposta veio para mim. O senhor explicou tudinho olhando para mim, deu preços e demais informações e só depois perguntou: “É para si, certo?”. Respondemos as duas sem uníssono: Não!

(E sim, as coisas estão a mudar. Mas as coisas mudam com o exemplo e ainda há tantos exemplos maus.) E isto é tão pouco se passarmos fronteiras e olharmos para o mundo. Eles não imaginam o que é viver num mundo onde tantas mulheres, todos os dias, sofrem porque são mulheres. E pensarmos que “até tivemos sorte” quando nunca, mas nunca se pode tratar de sorte. (Eles dizem que vivemos num país onde homens e mulheres são tratados de igual forma, onde não é preciso ser feminista porque já existe igualdade. A sério?)

A verdade é que muitas mulheres crescem com o princípio de que a sua existência só se realiza em pleno quando partilhada com um "Príncipe Azul". Isso até é romântico e bonito mas… POR FAVOR, PAREM! Não criem as vossas meninas como princesas e os vossos meninos como heróis. Nós também podemos ser as heroínas da nossa história. Não somos de porcelana, também gostamos de nos esfolar, de combater, de mostrar a nossa força. Assim como os meninos/ homens podem gostar de cor-de-rosa, cozinhar e cuidar dos outros.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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Tu não és como as outras mães é a história real dessa vida intensa, extravagante, inconformista que foi a de Else Kirschner, uma mulher verdadeiramente livre, e uma mãe diferente de todas as outras. Nascida na conservadora burguesia judia de Berlim, Else estava prometida para casar com um bom partido. Mas os encantos de um artista cristão - «o maior amor e pior partido da sua vida» - foram o trampolim que procurava para renunciar ao conforto da casa paterna e ser dona do seu destino num mundo cheio de promessa.
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Sou Mulher. Sou filha, sou irmã, sou neta, sou sobrinha, sou amiga. Ainda não sou mãe, mas sou tia. Nasci em 1984 e já vi e vivi muitas realidades diferentes do que é ser mulher neste mundo, estando a descobrir o que é ser verdadeiramente feminista desde há 3 anos a esta parte.
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Artigos Mais Vistos

Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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