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Minhas queridas amigas, mantenham-se quietas! Pela vossa saúde e bom nome, mantenham-se em casa sossegadas, deitem os miúdos o mais tardar às 21.00h (já sabem que mulher que é boa mãe não se divorcia e deita os miúdos a horas) e deixem-se estar no sofá! Já sabem, sossegadas, nada de redes sociais, nada de Tinders. Sossegadas! “Não há mulher que se queira divorciar que não tenha outro! De certeza que ela já tem outro!”.  Será este um discurso do século passado ou continua atual?

Há muito muito tempo, na Silla, um dos três antigos reinos da Coreia, havia uma rapariga de catorze anos, muito esperta, que se tornou rainha. A jovem rainha mandou estudantes e estudiosos para a China para aprenderem as línguas e os hábitos chineses, criando relações fortes de amizade entre os dois países. Seondeok foi a primeira rainha de Silla, após vinte e seis reis.
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A ciência fala em inconvenientes fisiológicos que a eliminação dos pelos traz como o favorecimento de infeções. Hoje temos vários movimentos que se posicionam contra a eliminação dos pelos. Madonna e Miley Cyrus dão a cara por alguns desses movimentos. Há uma luta pela emancipação individual. Efetivamente um hábito estético só existe quando há liberdade para adotá-lo ou não.

Nunca gostei de me sentir observada. Minutos mais tarde começaram os assobios. Ignorei. Procurei nunca fixar-lhes o olhar, estratégia que ainda hoje mantenho. Fingir que nada se passa, que não percebi, que não era comigo. Discretamente, verifiquei que estes homens eram os funcionários das camionetas. Sei-o porque reconheci um deles, que era pai da minha melhor amiga da escola primária.
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Pergunto-me quais terão sido as consequências deste meu silêncio, motivado pela vergonha. Sem ter feito nada de errado, este episódio de tentativa de sedução de um homem mais velho contribuiu para incentivar em mim uma submissão silenciosa e cheia de vergonha no que diz respeito aos avanços agressivos dos cães que ladram, mas principalmente dos que não ladram. Como se de certa forma eu, o meu corpo, fossemos culpados do que tantas vezes acontece quase sem acontecer.
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Era uma vez uma rapariga que sonhava tornar-se uma grande advogada. «Uma senhora advogada?», troçavam as pessoas. «Não sejas tonta! Os advogados e os juízes são sempre homens.» Ruth olhou à sua volta e percebeu que era verdade. «Mas não vejo nenhuma razão para isso não poder mudar», pensou consigo própria.
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Eu digo que vou estender a roupa e peço-te para mexeres o arroz. Estás a ver a palavra: “peço-te”. É disso que estou farta! Cá em casa não quero ser chefe de distribuição de tarefas. Eu sei que tu ajudas. Eu coloco o arroz e tu mexes, com uma mão. A outra segura o telemóvel com o jogo. Eu vou preparar as mochilas e peço-te para pores a mesa. Tu fazes! Peço-te para tirares o escorredor para a massa e tu perguntas: “onde está?”. Só me vejo em modo desenho animado a fumegar pelas orelhas. Há quanto tempo aqui vives?

foi então que a responsável me chamou. Falou-me sobre o direito que todos temos ao amor, a uma família. Disse-me: "A vida é lá fora!". O voluntariado e as instituições são uma espécie de paliativo. É lá fora que ganhamos o peso certo do que somos. E cada dia tem um incalculável peso na vida de quem está institucionalizado. Quando cada um de nós pensa na co-adopção sem se despir de preconceitos, valores pessoais, experiências ou teorias morais, jamais poderá sentir apenas o que interessa: o direito a ser amado. O direito a viver lá fora, nos braços de quem está disposto a acolher.
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Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Minhas queridas amigas, mantenham-se quietas! Pela vossa saúde e bom nome, mantenham-se em casa sossegadas, deitem os miúdos o mais tardar às 21.00h (já sabem que mulher que é boa mãe não se divorcia e deita os miúdos a horas) e deixem-se estar no sofá! Já sabem, sossegadas, nada de redes sociais, nada de Tinders. Sossegadas! “Não há mulher que se queira divorciar que não tenha outro! De certeza que ela já tem outro!”.  Será este um discurso do século passado ou continua atual?

A ciência fala em inconvenientes fisiológicos que a eliminação dos pelos traz como o favorecimento de infeções. Hoje temos vários movimentos que se posicionam contra a eliminação dos pelos. Madonna e Miley Cyrus dão a cara por alguns desses movimentos. Há uma luta pela emancipação individual. Efetivamente um hábito estético só existe quando há liberdade para adotá-lo ou não.

Nunca gostei de me sentir observada. Minutos mais tarde começaram os assobios. Ignorei. Procurei nunca fixar-lhes o olhar, estratégia que ainda hoje mantenho. Fingir que nada se passa, que não percebi, que não era comigo. Discretamente, verifiquei que estes homens eram os funcionários das camionetas. Sei-o porque reconheci um deles, que era pai da minha melhor amiga da escola primária.
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Pergunto-me quais terão sido as consequências deste meu silêncio, motivado pela vergonha. Sem ter feito nada de errado, este episódio de tentativa de sedução de um homem mais velho contribuiu para incentivar em mim uma submissão silenciosa e cheia de vergonha no que diz respeito aos avanços agressivos dos cães que ladram, mas principalmente dos que não ladram. Como se de certa forma eu, o meu corpo, fossemos culpados do que tantas vezes acontece quase sem acontecer.
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Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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Há muito muito tempo, na Silla, um dos três antigos reinos da Coreia, havia uma rapariga de catorze anos, muito esperta, que se tornou rainha. A jovem rainha mandou estudantes e estudiosos para a China para aprenderem as línguas e os hábitos chineses, criando relações fortes de amizade entre os dois países. Seondeok foi a primeira rainha de Silla, após vinte e seis reis.
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Era uma vez uma rapariga que sonhava tornar-se uma grande advogada. «Uma senhora advogada?», troçavam as pessoas. «Não sejas tonta! Os advogados e os juízes são sempre homens.» Ruth olhou à sua volta e percebeu que era verdade. «Mas não vejo nenhuma razão para isso não poder mudar», pensou consigo própria.
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Em tempos, em Bogotá, na Colômbia, havia uma costureira que também era espiã. O seu verdadeiro nome era segredo, mas a maioria das pessoas chamava-lhe Policarpa Salavarrieta. Quando era pequenina, a avó de Policarpa ensinou-a a coser. Mal ela sabia que, um dia, as suas aptidões para a costura a iriam ajudar a desencadear a revolução no seu país.
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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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