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Mas é quando não estamos em festa; quando as luzes se apagam; quando acalmamos esta euforia do que é celebrar para fora, que começamos a fazer o balanço para dentro. Na melhor das hipóteses, metade da vida já lá vai. Já foi. Puff! Já desapareceu. Resta-nos, portanto, a outra metade. É aí que começamos a pensar – é inevitável não o fazer – sobre o que queremos fazer com a metade que nos resta. É aí que entram as tais canções e ladainhas. Será assim tão bom como dizem?

O patriarcado não funciona e é uma organização social que tem de ser desconstruída. E podemos começar por desfazer a ideia de que “os problemas das mulheres são só das mulheres”. Não, já chega. Os homens podem e devem estar envolvidos na luta pelos direitos humanos, sejam específicos das mulheres ou não. Este argumento de que os problemas das mulheres não são dos homens cria a oportunidade para os homens poderem “lavar as mãos” e validar a eventual falta de participação dos mesmos.

O corte de muita da roupa que vestimos ainda hoje tem influências de Coco Chanel, a estilista que começou a fazer roupa para as bonecas a partir dos restos de tecido das vestes das freiras.
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Na altura não questionámos, só queríamos jogar futebol. Uns meses depois, o meu pai partiu com a equipa para França e nós fomos assistidas pelo massagista do clube feminino. A Rita começou a ficar diferente, fechada em si, e raramente ia aos treinos. Eu não percebi porquê. Acabei naturalmente por deixar também o futebol, uma vez que a minha Rita não estava. A minha Rita, deixou de ser a Rita. O tempo foi passando e ela continuava em silêncio.
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não é por eu não sofrer diretamente com qualquer tipo de violação dos direitos das mulheres que posso tapar os olhos ao que acontece pelo mundo. Devo, enquanto ser humano, o respeito por quem lutou e continua a lutar para que eu, enquanto mulher, possa hoje escrever livremente nesta plataforma ou seja onde for (ainda que sujeita a críticas), enquanto tantas mulheres, não só não têm essa hipótese, como vivem situações gravíssimas que atentam à sua dignidade.

Não apetece tomar banho a correr e sair da casa como quem acabou de enfrentar um tsunami. Não apetece ver aquela camisola de que gosto tanto suja de baba ou de ranho ou de molho de esparguete à bolonhesa que ele decidiu atirar-me. Não apetece ver o canal Panda ou a Patrulha Pata ou a chata da Masha. Não apetece ter de ir para a cama às nove da noite e passar mais de uma hora deitada a tentar que ele adormeça enquanto canta, bate palmas, grita, chora, ri e faz tudo menos dormir.

Numa casa fria e sombria, no norte de Inglaterra, há muito, muito tempo, viviam três irmãs. Charlotte, Emily e Anne estavam muitas vezes sozinhas, e escreviam histórias e poemas para se entreterem. Certo dia, Charlotte decidiu enviar os seus poemas a um poeta inglês famoso para saber o que ele achava. O poeta respondeu, «Não gosto nada dos teus poemas: a literatura é um trabalho de homens!»
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Já falei muitas vezes aqui sobre rótulos e preconceitos de género, o homem forte e inteligente e a mulher bonita e sensível, o quão errados eles são e o quanto alimentam a desigualdade. Não me vou repetir, apenas pergunto: porque é que um homem não iria gostar, da mesma forma que a mulher, de saber que está bonito e elegante no dia do seu casamento?
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Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Mas é quando não estamos em festa; quando as luzes se apagam; quando acalmamos esta euforia do que é celebrar para fora, que começamos a fazer o balanço para dentro. Na melhor das hipóteses, metade da vida já lá vai. Já foi. Puff! Já desapareceu. Resta-nos, portanto, a outra metade. É aí que começamos a pensar – é inevitável não o fazer – sobre o que queremos fazer com a metade que nos resta. É aí que entram as tais canções e ladainhas. Será assim tão bom como dizem?

O patriarcado não funciona e é uma organização social que tem de ser desconstruída. E podemos começar por desfazer a ideia de que “os problemas das mulheres são só das mulheres”. Não, já chega. Os homens podem e devem estar envolvidos na luta pelos direitos humanos, sejam específicos das mulheres ou não. Este argumento de que os problemas das mulheres não são dos homens cria a oportunidade para os homens poderem “lavar as mãos” e validar a eventual falta de participação dos mesmos.

Na altura não questionámos, só queríamos jogar futebol. Uns meses depois, o meu pai partiu com a equipa para França e nós fomos assistidas pelo massagista do clube feminino. A Rita começou a ficar diferente, fechada em si, e raramente ia aos treinos. Eu não percebi porquê. Acabei naturalmente por deixar também o futebol, uma vez que a minha Rita não estava. A minha Rita, deixou de ser a Rita. O tempo foi passando e ela continuava em silêncio.

não é por eu não sofrer diretamente com qualquer tipo de violação dos direitos das mulheres que posso tapar os olhos ao que acontece pelo mundo. Devo, enquanto ser humano, o respeito por quem lutou e continua a lutar para que eu, enquanto mulher, possa hoje escrever livremente nesta plataforma ou seja onde for (ainda que sujeita a críticas), enquanto tantas mulheres, não só não têm essa hipótese, como vivem situações gravíssimas que atentam à sua dignidade.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

Ultimos Artigos

O corte de muita da roupa que vestimos ainda hoje tem influências de Coco Chanel, a estilista que começou a fazer roupa para as bonecas a partir dos restos de tecido das vestes das freiras.
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Numa casa fria e sombria, no norte de Inglaterra, há muito, muito tempo, viviam três irmãs. Charlotte, Emily e Anne estavam muitas vezes sozinhas, e escreviam histórias e poemas para se entreterem. Certo dia, Charlotte decidiu enviar os seus poemas a um poeta inglês famoso para saber o que ele achava. O poeta respondeu, «Não gosto nada dos teus poemas: a literatura é um trabalho de homens!»
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Hoje em dia, Ann é considerada uma das inventoras mais promissoras do nosso tempo. O seu sonho é fazer com que as Lanternas Ocas estejam disponíveis gratuitamente para todas as pessoas no mundo que não têm acesso à eletricidade. «Gosto da ideia de usar a tecnologia para tornar o mundo melhor e para manter o nosso ambiente limpo», costuma dizer.
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Artigos Mais Vistos

Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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