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Fiquei estarrecida! Então não é que em pleno século XXI, depois de já termos conseguido o direito de voto, a independência da família, a autonomia financeira, a prática de uma qualquer profissão, o comando de empresas e até o comando de Estados Nação, enfim, a autodeterminação feminina, não devem ainda as mulheres confessar que estão romanticamente interessadas num homem, dizê-lo com frontalidade e cortejá-lo da mesma forma como habitualmente são namoradas pelos homens, porque “conquistar” é um papel masculino.

Apesar da imagem da mulher que injustamente acusa um homem de violação ser comum no imaginário popular, os estudos mostram que essa não é a realidade. Um estudo realizado nos EUA sobre denúncias falsas de violação (”False allegations of sexual assault: an analysis of 10 years of reported cases”) mostra que apenas 6% de todas as denúncias são falsas, e que, tendo em conta outros estudos realizados, se pode concluir que entre 2 a 10% das alegações são falsas (infelizmente a PSP não recolhe este tipo de estatísticas para Portugal).

Mas Kate acreditava que as mulheres deviam ter as mesma liberdade que os homens: liberdade de dizer o que pensavam, de votar em quem quisessem e de vestir roupa confortável. Um dia, levantou-se e declarou, «As mulheres devem poder votar. E devem deixar de usar espartilhos.» As pessoas ficaram chocadas, enraivecidas, e inspiradas pelas ideias novas e radicais de Kate.
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Poucos otários caem na esparrela, mas volta e meia lá há alguém que deixa passar os chamados “prioritários”. E aí nós, as pessoas de bem, fazemos a nossa parte e reclamamos. No mínimo lançamos um olhar de desdém, para que o oportunista perceba que nem todos são patetas. O que interessa a lei? Que direito tem uma gaja de me passar à frente só porque decidiu aumentar a população mundial? Eu trabalho e pago impostos, provavelmente até lhe estou a pagar a baixa para ficar em casa no sofá como uma lontra... Ainda tenho de me calar enquanto a deixo passar à frente na fila do supermercado? Era o que mais faltava.
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Joan adorava rock. Certo Natal, quando tinha treze anos, ofereceram- lhe a primeira guitarra. Ficou delirante — mas faltava qualquer coisa. Tocar sozinha era bom, pensou, «mas se quero mesmo ser uma estrela rock, tenho de arranjar uma banda.»
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Numa bela tarde de Verão, quando menos esperava, Amor disse-nos, com uma resignação pacífica e pacificada que só quem muito sofreu e muito superou consegue ter, que tinha vivido com medo durante mais de 30 anos. Que o Terror se tinha instalado em sua casa muito pouco tempo após a lua de mel e que por lá tinha ficado, até ao dia em que ela se fartou e saiu da casa que nunca chegou a ser um lar. Explicou-nos, com uma naturalidade assustadora, que o Terror dormia com ela com uma faca debaixo da almofada. Que lhe dizia que um dia a iria matar: “esta faca é para ti, Amor!”, ou, “um dia destes não acordas, Amor!”.

Aos poucos, Julia tornou-se uma autoridade mundial em cozinha francesa e o seu livro de receitas, Dominar a Arte da Cozinha Francesa, foi um sucesso de vendas. Até teve programas na televisão. «Bon appétit», dizia ela, «desde que não sejam tubarões!»
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Por tudo o que a pornografia representa, é fácil concluir pelo olhar censurável do Feminismo em relação à mesma. Porém, a censura e criminalização apenas trariam mais uma forma de repressão sexual e de hipocrisia, ignorando que a pornografia pode funcionar como um veículo de liberdade sexual, se a indústria redireccionar seriamente o seu olhar de forma a dar espaço a ambos os sexos. Ao negar esta função da pornografia, as mulheres estarão a reprimir os seus próprios desejos, visto que negar que uma mulher se excita com pornografia é semelhante à ideia conservadora de que ela não se masturba.

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Fiquei estarrecida! Então não é que em pleno século XXI, depois de já termos conseguido o direito de voto, a independência da família, a autonomia financeira, a prática de uma qualquer profissão, o comando de empresas e até o comando de Estados Nação, enfim, a autodeterminação feminina, não devem ainda as mulheres confessar que estão romanticamente interessadas num homem, dizê-lo com frontalidade e cortejá-lo da mesma forma como habitualmente são namoradas pelos homens, porque “conquistar” é um papel masculino.

Apesar da imagem da mulher que injustamente acusa um homem de violação ser comum no imaginário popular, os estudos mostram que essa não é a realidade. Um estudo realizado nos EUA sobre denúncias falsas de violação (”False allegations of sexual assault: an analysis of 10 years of reported cases”) mostra que apenas 6% de todas as denúncias são falsas, e que, tendo em conta outros estudos realizados, se pode concluir que entre 2 a 10% das alegações são falsas (infelizmente a PSP não recolhe este tipo de estatísticas para Portugal).

Poucos otários caem na esparrela, mas volta e meia lá há alguém que deixa passar os chamados “prioritários”. E aí nós, as pessoas de bem, fazemos a nossa parte e reclamamos. No mínimo lançamos um olhar de desdém, para que o oportunista perceba que nem todos são patetas. O que interessa a lei? Que direito tem uma gaja de me passar à frente só porque decidiu aumentar a população mundial? Eu trabalho e pago impostos, provavelmente até lhe estou a pagar a baixa para ficar em casa no sofá como uma lontra... Ainda tenho de me calar enquanto a deixo passar à frente na fila do supermercado? Era o que mais faltava.

Numa bela tarde de Verão, quando menos esperava, Amor disse-nos, com uma resignação pacífica e pacificada que só quem muito sofreu e muito superou consegue ter, que tinha vivido com medo durante mais de 30 anos. Que o Terror se tinha instalado em sua casa muito pouco tempo após a lua de mel e que por lá tinha ficado, até ao dia em que ela se fartou e saiu da casa que nunca chegou a ser um lar. Explicou-nos, com uma naturalidade assustadora, que o Terror dormia com ela com uma faca debaixo da almofada. Que lhe dizia que um dia a iria matar: “esta faca é para ti, Amor!”, ou, “um dia destes não acordas, Amor!”.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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Mas Kate acreditava que as mulheres deviam ter as mesma liberdade que os homens: liberdade de dizer o que pensavam, de votar em quem quisessem e de vestir roupa confortável. Um dia, levantou-se e declarou, «As mulheres devem poder votar. E devem deixar de usar espartilhos.» As pessoas ficaram chocadas, enraivecidas, e inspiradas pelas ideias novas e radicais de Kate.
2115

Joan adorava rock. Certo Natal, quando tinha treze anos, ofereceram- lhe a primeira guitarra. Ficou delirante — mas faltava qualquer coisa. Tocar sozinha era bom, pensou, «mas se quero mesmo ser uma estrela rock, tenho de arranjar uma banda.»
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Aos poucos, Julia tornou-se uma autoridade mundial em cozinha francesa e o seu livro de receitas, Dominar a Arte da Cozinha Francesa, foi um sucesso de vendas. Até teve programas na televisão. «Bon appétit», dizia ela, «desde que não sejam tubarões!»
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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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