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Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira. Sou uma árvore que arde com duro prazer. Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo.

A vida tem destas delícias. Talvez para cada um de nós o momento de passarmos a confiar na NOSSA forma de viver chegue em alturas diferentes. No meu caso, tem sido um crescendo de tentativa e erro sempre mais consolidado. E agora com o nascimento da Joana, há dois meses, dei um basta.

É urgente escolher as pessoas certas para a nossa vida. É urgente perceber que nem todas as que queremos connosco são aquelas que nos fazem bem. É urgente aprender a deixar ir quem não nos pertence. E não ir atrás, não insistir, não colocar o outro sempre em primeiro lugar, sofrendo por quem não merece. Deixar ficar aquelas que nos tratam bem, que nos valorizam, que nos motivam, que precisam também de nós. Sim, é urgente manter apenas quem deve e sabe ficar!

uma das alunas quebrou o seu silêncio e partilhou a sua experiência pessoal, a qual esteve na base de todo o projeto e que levou a que juntos escrevessem o texto que viria a dar forma aos contornos da história da nossa “Mélanie”, a vítima de maus tratos que simboliza todas as mulheres que vivem esta realidade.
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De repente, pessoas que estão longe estão mais perto do que nunca; outras estão perto, mas há todo um abismo a separar-nos. Afinal o que separa as pessoas é sobretudo a frieza e o não querer saber. Ou talvez nem todos consigam lidar da melhor forma com a diferença.

Viver no interior, não é o fim do mundo! Nunca me impediu de sair para estudar, e muito menos de iniciar uma carreira. Nunca me impediu de saber o que queria saber. A informação também cá chega, baste querer. É certo que no interior as oportunidades não estão ao virar de cada esquina. Há poucas, não chegam para todos, porém existem. Dão é mais trabalho. O trabalho molda o caráter das gentes do interior

No fim, ser lida enquanto não homem cisgénero é resistência, é coexistir na violência socialmente consentida, é coexistir na violência normalizada, é coexistir na violência internalizada. Ser lida enquanto não homem é resistir, é permanecer no silêncio social, é permanecer no silêncio normalizado, é permanecer no silêncio internalizado. Ser lida enquanto não homem é resistir, gritar para ser ouvida, gritar para desconstruir, gritar para compreender.

do Autor/a da Criada Malcriada www.facebook.com/veronicadivorciada http://www.facebook.com/acriadamalcriada
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Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

A vida tem destas delícias. Talvez para cada um de nós o momento de passarmos a confiar na NOSSA forma de viver chegue em alturas diferentes. No meu caso, tem sido um crescendo de tentativa e erro sempre mais consolidado. E agora com o nascimento da Joana, há dois meses, dei um basta.

É urgente escolher as pessoas certas para a nossa vida. É urgente perceber que nem todas as que queremos connosco são aquelas que nos fazem bem. É urgente aprender a deixar ir quem não nos pertence. E não ir atrás, não insistir, não colocar o outro sempre em primeiro lugar, sofrendo por quem não merece. Deixar ficar aquelas que nos tratam bem, que nos valorizam, que nos motivam, que precisam também de nós. Sim, é urgente manter apenas quem deve e sabe ficar!

De repente, pessoas que estão longe estão mais perto do que nunca; outras estão perto, mas há todo um abismo a separar-nos. Afinal o que separa as pessoas é sobretudo a frieza e o não querer saber. Ou talvez nem todos consigam lidar da melhor forma com a diferença.

Viver no interior, não é o fim do mundo! Nunca me impediu de sair para estudar, e muito menos de iniciar uma carreira. Nunca me impediu de saber o que queria saber. A informação também cá chega, baste querer. É certo que no interior as oportunidades não estão ao virar de cada esquina. Há poucas, não chegam para todos, porém existem. Dão é mais trabalho. O trabalho molda o caráter das gentes do interior

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira. Sou uma árvore que arde com duro prazer. Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo.

uma das alunas quebrou o seu silêncio e partilhou a sua experiência pessoal, a qual esteve na base de todo o projeto e que levou a que juntos escrevessem o texto que viria a dar forma aos contornos da história da nossa “Mélanie”, a vítima de maus tratos que simboliza todas as mulheres que vivem esta realidade.

do Autor/a da Criada Malcriada www.facebook.com/veronicadivorciada http://www.facebook.com/acriadamalcriada
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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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