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Naquele dia, quando olhei para o meu braço no espelho, percebi tudo... Vi aquelas bolinhas cinzentas – mas em mim - e lembrei-me que já as tinha visto antes. Todos os dias da minha vida. Foi como juntar a peça que faltava para compreender um puzzle. Reparei nelas pela primeira vez naquele dia no banho. Via-as nos braços, nas costas e algumas no pescoço Dela. Essas bolinhas chamam-se nódoas negras...

nem todos gostamos de viver. Ou melhor, todos gostamos de viver, mas não suportamos o sofrimento e a dor. Destes dois queremos distância. Nem sempre o conseguimos. O equilíbrio vital das emoções é dificílimo de ser atingindo. Somos naturalmente insatisfeitos e complexos até para nós próprios. Falar sobre depressão, esgotamentos, ataques de pânico, ansiedade e outros transtornos mentais é ainda hoje tabu e fracturante. É difícil levantar o véu para aquilo que não se entende nem se sabe ao certo de onde vem ou como chega.

Laura foi utilizada como punchline de uma "boa piada" - que é péssima by the way - para ser reduzida a "mulher de". Não é a primeira, nem será a última. "Mulher de", "Filha de", "Irmã de", “Namorada de” reflexos de um sexismo latente numa sociedade estruturalmente machista. À esquerda, à direita, não me interessa. Machista. Laura quis ser só Laura. E é.

Sou suspeito porque adoro cheirar os livros quando os compro, não resisto a entrar numa qualquer livraria e ler num só folego o primeiro capítulo de um livro que me chame a atenção, de circundar vezes sem fim os corredores como se de um museu que tivesse as mais preciosas peças de arte se tratasse, enfim. Sou suspeito, e por isso creio profundamente nos benefícios dos livros quando usados enquanto terapia, em qualquer indivíduo/grupo excluído socialmente ou em situação de vulnerabilidade socio-afetiva.
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Durante anos, o termo “vadia” (entre outros) foi usado para perpetuar o machismo, defendendo que uma mulher que faz sexo livremente, que tem mais do que um parceiro sexual, que usa roupas mais curtas, entre outras coisas, é uma vadia e não deve ser respeitada. Dito isto, faz sentido aceitarmos este termo? Aceitarmos que uma mulher que toma decisões que a fazem feliz seja apelidada assim?

Desculpem lá, mas eu não quero ser mãe. E ultimamente parece que devo alguma coisa por não querer sê-lo. Não, não sou um ser humano amargo e não detesto crianças. Não, não sou uma mulher má e insensível a quem o barulho do choro de um bebé num restaurante incomode: pelo contrário, continuo a gostar de dar colo e de jogar ao macaquinho do chinês na rua com afilhadas que me vão crescendo debaixo dos braços e que me abraçam com a força de um barco que abalroa. Gosto de crianças mas não quero ser mãe.

Temos o dever de questionar as nossas próprias opiniões, de verificar factos, de aprender com os erros e com a história. Temos o dever de moldar o nosso carácter e o nosso cérebro, de fazer um esforço por deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos. Acima de tudo, temos o dever de garantir aos outros tanta liberdade e tanto respeito quanto desejamos para nós próprios.
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Casei-me com uma pessoa que assumia diferentes traços psicológicos. Que alternava o comportamento em função do objetivo que queria atingir. E esse comportamento moldava o meu estado de espirito e a minha forma de estar. Essa pessoa roubou todo o meu equilíbrio e bem-estar. A pessoa com quem casei foi um expert em convencer-me que havia sido o melhor que me aconteceu. Que me tinha salvo de uma vida sem rumo. Que ele, a minha “sorte-grande”, tinha aparecido, exclusivamente, para o meu bem. Comigo e com a minha família era disponível, tão disponível que se prontificava a qualquer ajuda, a qualquer hora, sabendo sempre como cobrar esses favores mais tarde.

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Naquele dia, quando olhei para o meu braço no espelho, percebi tudo... Vi aquelas bolinhas cinzentas – mas em mim - e lembrei-me que já as tinha visto antes. Todos os dias da minha vida. Foi como juntar a peça que faltava para compreender um puzzle. Reparei nelas pela primeira vez naquele dia no banho. Via-as nos braços, nas costas e algumas no pescoço Dela. Essas bolinhas chamam-se nódoas negras...

nem todos gostamos de viver. Ou melhor, todos gostamos de viver, mas não suportamos o sofrimento e a dor. Destes dois queremos distância. Nem sempre o conseguimos. O equilíbrio vital das emoções é dificílimo de ser atingindo. Somos naturalmente insatisfeitos e complexos até para nós próprios. Falar sobre depressão, esgotamentos, ataques de pânico, ansiedade e outros transtornos mentais é ainda hoje tabu e fracturante. É difícil levantar o véu para aquilo que não se entende nem se sabe ao certo de onde vem ou como chega.

Laura foi utilizada como punchline de uma "boa piada" - que é péssima by the way - para ser reduzida a "mulher de". Não é a primeira, nem será a última. "Mulher de", "Filha de", "Irmã de", “Namorada de” reflexos de um sexismo latente numa sociedade estruturalmente machista. À esquerda, à direita, não me interessa. Machista. Laura quis ser só Laura. E é.

Durante anos, o termo “vadia” (entre outros) foi usado para perpetuar o machismo, defendendo que uma mulher que faz sexo livremente, que tem mais do que um parceiro sexual, que usa roupas mais curtas, entre outras coisas, é uma vadia e não deve ser respeitada. Dito isto, faz sentido aceitarmos este termo? Aceitarmos que uma mulher que toma decisões que a fazem feliz seja apelidada assim?

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

Ultimos Artigos

Sou suspeito porque adoro cheirar os livros quando os compro, não resisto a entrar numa qualquer livraria e ler num só folego o primeiro capítulo de um livro que me chame a atenção, de circundar vezes sem fim os corredores como se de um museu que tivesse as mais preciosas peças de arte se tratasse, enfim. Sou suspeito, e por isso creio profundamente nos benefícios dos livros quando usados enquanto terapia, em qualquer indivíduo/grupo excluído socialmente ou em situação de vulnerabilidade socio-afetiva.

A exposição DzSobre Livrosdz é uma forma de dar continuidade ao trabalho da artista plástica Maísa Champalimaud com o objetivo de explorar personagens literários sobre múltiplos de livros. Para a artista, em busca de exaltar os intérpretes máximos da língua portuguesa, surgiu a ideia de retratá-los sobre o suporte que no fundo é deles - os livros.
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A EAYE é uma Associação Europeia sem fins lucrativos, constituída por e para jovens. Como tal, pretende motivar os jovens a mudar a Europa no sentido de continuar a ser um continente que promove os direitos humanos, a igualdade, a inclusão social, a cidadania, a cultura, um estilo de vida saudável, bem como a protecção do ambiente e do conhecimento tecnológico.

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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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