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Quando engravidei, embora tivessem passado alguns anos e a arrogância juvenil já houvesse desaparecido, continuava a acreditar que ser mãe era fácil, algo instintivo e natural, cuja complicação resultava do exagerado das pessoas. Ainda não me fazia sentido que alguém se sentisse triste após o nascimento do seu filho, um bebé que esteve na sua barriga vários meses, uma vida, uma família que iria nascer, alguém que iríamos amar e que nos amaria a vida toda – que motivos existiriam para ficarmos tristes e inicialmente rejeitarmos o pobre bebé?
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com os feminismos os homens ganham liberdade para fugir das amarras dos estereótipos de género e das suas expetativas rígidas. E se para muitos esta pode ser uma justificação abstrata, a verdade é que sem esta liberdade não haveria permissão para os homens e rapazes fugirem ao modelo masculino que associa a violência à sua educação. E convenhamos: o modelo tradicional não está a funcionar para os rapazes e homens: a masculinidade hegemónica é uma prisão que limita o desenvolvimento saudável das nossas crianças e que fomenta as desigualdades e violência de género

A avó conhece-me tão bem, que sabe primeiro que eu quando alguma coisa não está bem. No entanto, a avó não sabe dividir os reis por dinastias nem sabe quem pintou a Gioconda, a avó não sabe qual é a diferença entre as políticas de esquerda e as de direita, apesar de se assumir esquerdista porque segue os pensamentos do avô, no entanto, sabe as medidas certas do arroz. É verdade, esta avó sabe muito pouco sobre o que se passa ou passou no mundo. E é assim porque as circunstâncias a isso a obrigaram.

especialmente a todas as mães aventureiras que estão lá fora e que pensam estar a enlouquecer. “Been there” A ideia de recomeçar de novo, de criar uma vida nova num sítio onde ninguém nos conhece e onde tudo é uma surpresa, é absolutamente fascinante! Há quase uma sensação infantil do género “agora posso ser quem eu quiser porque ninguém me conhece aqui nem sabe nada da minha vida. Além disso, vou poder ter uma casa nova e decorá-la com coisas novas!”
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À data em que escrevo este texto, cumprem-se dois anos sobre a violação desta rapariga. Não sei quem ela é, mas pelo tempo que passo em Madrid, até é possível que já me tenha sentado ao seu lado no metro. Não sei quantas vezes já não me terei sentado ao lado de raparigas como ela. Mas para onde quer que eu olhe, vejo vestígios da sua história, vestígios dos mesmos fios invisíveis que a suportam. Reconheço-os como pedaços de um espelho partido, como quem não revê a imagem por completo, mas consegue identificar fragmentos que admite corresponderem à sua própria realidade. É nesses fragmentos que nos encontramos todas.

Chamava-me incompetente, burra e dizia que as mulheres não serviam para nada. Não sei enumerar quantas vezes disse que o mundo é dos homens e a eles sempre pertencerá, por mais manifestações, por mais reinvindicações, por mais soutiens queimados...o mundo será sempre dos homens. Que mentecapto. Que monstro vestido de cordeiro.

Somos ótimas jogadoras (obrigada equipa feminina do Sporting por tanta felicidade!), somos boas treinadoras, somos as mulheres que vão ao futebol e fervem na bancada, somos as mulheres que levam os filhos aos treinos arranjando sempre espaço na agenda, somos – poucas mas somos - dirigentes de pequenos clubes, mas deixamos de existir quando a centralidade, o dinheiro e o poder aumentam: a primeira divisão de um clube nunca teve uma Presidenta.

Ex. mos Senhoras e Senhores Presidentes dos Grupos Parlamentares, As entidades abaixo subscritas enfatizam a sua posição em favor de uma real igualdade entre homens e...
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Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Quando engravidei, embora tivessem passado alguns anos e a arrogância juvenil já houvesse desaparecido, continuava a acreditar que ser mãe era fácil, algo instintivo e natural, cuja complicação resultava do exagerado das pessoas. Ainda não me fazia sentido que alguém se sentisse triste após o nascimento do seu filho, um bebé que esteve na sua barriga vários meses, uma vida, uma família que iria nascer, alguém que iríamos amar e que nos amaria a vida toda – que motivos existiriam para ficarmos tristes e inicialmente rejeitarmos o pobre bebé?
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com os feminismos os homens ganham liberdade para fugir das amarras dos estereótipos de género e das suas expetativas rígidas. E se para muitos esta pode ser uma justificação abstrata, a verdade é que sem esta liberdade não haveria permissão para os homens e rapazes fugirem ao modelo masculino que associa a violência à sua educação. E convenhamos: o modelo tradicional não está a funcionar para os rapazes e homens: a masculinidade hegemónica é uma prisão que limita o desenvolvimento saudável das nossas crianças e que fomenta as desigualdades e violência de género

A avó conhece-me tão bem, que sabe primeiro que eu quando alguma coisa não está bem. No entanto, a avó não sabe dividir os reis por dinastias nem sabe quem pintou a Gioconda, a avó não sabe qual é a diferença entre as políticas de esquerda e as de direita, apesar de se assumir esquerdista porque segue os pensamentos do avô, no entanto, sabe as medidas certas do arroz. É verdade, esta avó sabe muito pouco sobre o que se passa ou passou no mundo. E é assim porque as circunstâncias a isso a obrigaram.

especialmente a todas as mães aventureiras que estão lá fora e que pensam estar a enlouquecer. “Been there” A ideia de recomeçar de novo, de criar uma vida nova num sítio onde ninguém nos conhece e onde tudo é uma surpresa, é absolutamente fascinante! Há quase uma sensação infantil do género “agora posso ser quem eu quiser porque ninguém me conhece aqui nem sabe nada da minha vida. Além disso, vou poder ter uma casa nova e decorá-la com coisas novas!”
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Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

Ultimos Artigos

Ex. mos Senhoras e Senhores Presidentes dos Grupos Parlamentares, As entidades abaixo subscritas enfatizam a sua posição em favor de uma real igualdade entre homens e...
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Annie Easley nasceu no Alabama, em 1933. Naquela época, viver no Sul dos EUA significava estar sujeito às injustas leis de Jim Crow, que tentavam impedir as pessoas afro-americanas de votar. Annie usou a sua inteligência para ajudar outros homens e mulheres a passar no absurdo teste obrigatório para eleitores negros. Ao longo da sua vida e carreira, Annie nunca virou as costas à sua comunidade.

A minha maior fonte de inspiração são as mulheres e a sua diversidade, quer na forma como no conteúdo. Ilustrá-las serve de catarse para a aceitação de mim mesma, exorcizando assim os conceitos impostos pela sociedade com os quais cresci e que, naturalmente, abalaram a minha autoestima. Vou-me redescobrindo através da força dos meus modelos que são uma verdadeira lição de vida.

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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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