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Eu tinha apenas 14 anos. Lembro-me que comecei a tremer e disse que não o faria e ele reagiu roubando a minha mala. Sim, ele só me devolveria a mala, com a minha carteira, o telemóvel, os meus pertences, se eu lhe fizesse um broche. Naquele momento, fui chantageada. Alguém estava a usar o que era meu por direito para conseguir obter prazer forçado.

Era uma vez, na Nigéria, uma menina chamada Chimamanda que adorava livros. Lia todos os que encontrava e, aos sete anos, começou a escrever as suas próprias histórias. Chimamanda tinha vivido sempre na Nigéria. Comia mangas quando lhe apetecia e brincava ao sol o ano inteiro. No entanto, todas as personagens das suas histórias eram brancas: tinham olhos azuis, comiam maçãs e brincavam na neve. «Eu pensava que as pessoas com pele cor de chocolate não podiam estar em livros», disse ela.

Machismo estrutural é não te sentires segura na rua, à noite, por seres mulher. Machismo estrutural é perguntarem que roupas tinham vestidas as vítimas de violação. Machismo estrutural é um marido sentir-se mal se a mulher ganhar mais do que ele. Machismo estrutural é a pressão estética sentida para agradar aos homens e para corresponder ao padrão de beleza socialmente imposto: mulher jovem, magra e depilada.

A questão do género para mim nunca foi tema. Se determinada pessoa é competente, tem as qualidades e o mérito que a fez chegar e conquistar esse lugar, só tenho que respeitar e saber viver com essa decisão. O que não posso conceber é que recrutadores ou entidades patronais me revoguem o acesso a um posto de trabalho pelo meu género. O género, felizmente, não define a qualidade dos profissionais, nem a sua maior ou menor aptidão para realizar algum trabalho.
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a próxima vez que uma mulher fizer o costume: for valente, ousada, agarrar o metafórico touro pelos cornos (sim, porque só em metáfora acho isso aceitável, com o touro verdadeiro é uma barbaridade) vou escolher dizer, com o mesmo nível de brejeirice e o mesmo tom típico aqui do norte: “É preciso ter cá um clitóris! Palmas p’rá mulher!” Como sei que não temos todos que gostar do amarelo, convido-vos a criar as vossas próprias versões desta expressão e de outras

A meio do doutoramento, conheceu Frank Gilbreth e ficou tão intrigada com a sua obsessão pela eficiência no local de trabalho que trocou a Literatura pela Psicologia. A sua dissertação, intitulada A Psicologia da Gestão, foi o primeiro estudo sobre psicologia organizacional e a forma como as relações no trabalho nos afetam.

DIA 18 MAIO -19H00 - À FRENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA.
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no campo dos comentários misóginos e desonestos das redes sociais, parece que há apenas dois papéis para as feministas: ou são as más da fita ou as perfeitas que jamais poderão errar. Cá em Portugal, quando falamos de feministas com visibilidade, recordo-me das reações empolgadas à Fernanda Câncio, à Paula Cosme Pinto, à Carla Macedo ou à Rita Ferro Rodrigues. Para muitos, estas mulheres representam as diferentes faces do feminismo numa única pessoa - do mau feminismo, digamos assim. São más feministas porque não se focam nas “verdadeiras” questões, aquelas que são centrais e fundamentais;

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Eu tinha apenas 14 anos. Lembro-me que comecei a tremer e disse que não o faria e ele reagiu roubando a minha mala. Sim, ele só me devolveria a mala, com a minha carteira, o telemóvel, os meus pertences, se eu lhe fizesse um broche. Naquele momento, fui chantageada. Alguém estava a usar o que era meu por direito para conseguir obter prazer forçado.

Machismo estrutural é não te sentires segura na rua, à noite, por seres mulher. Machismo estrutural é perguntarem que roupas tinham vestidas as vítimas de violação. Machismo estrutural é um marido sentir-se mal se a mulher ganhar mais do que ele. Machismo estrutural é a pressão estética sentida para agradar aos homens e para corresponder ao padrão de beleza socialmente imposto: mulher jovem, magra e depilada.

A questão do género para mim nunca foi tema. Se determinada pessoa é competente, tem as qualidades e o mérito que a fez chegar e conquistar esse lugar, só tenho que respeitar e saber viver com essa decisão. O que não posso conceber é que recrutadores ou entidades patronais me revoguem o acesso a um posto de trabalho pelo meu género. O género, felizmente, não define a qualidade dos profissionais, nem a sua maior ou menor aptidão para realizar algum trabalho.

a próxima vez que uma mulher fizer o costume: for valente, ousada, agarrar o metafórico touro pelos cornos (sim, porque só em metáfora acho isso aceitável, com o touro verdadeiro é uma barbaridade) vou escolher dizer, com o mesmo nível de brejeirice e o mesmo tom típico aqui do norte: “É preciso ter cá um clitóris! Palmas p’rá mulher!” Como sei que não temos todos que gostar do amarelo, convido-vos a criar as vossas próprias versões desta expressão e de outras

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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Era uma vez, na Nigéria, uma menina chamada Chimamanda que adorava livros. Lia todos os que encontrava e, aos sete anos, começou a escrever as suas próprias histórias. Chimamanda tinha vivido sempre na Nigéria. Comia mangas quando lhe apetecia e brincava ao sol o ano inteiro. No entanto, todas as personagens das suas histórias eram brancas: tinham olhos azuis, comiam maçãs e brincavam na neve. «Eu pensava que as pessoas com pele cor de chocolate não podiam estar em livros», disse ela.

A meio do doutoramento, conheceu Frank Gilbreth e ficou tão intrigada com a sua obsessão pela eficiência no local de trabalho que trocou a Literatura pela Psicologia. A sua dissertação, intitulada A Psicologia da Gestão, foi o primeiro estudo sobre psicologia organizacional e a forma como as relações no trabalho nos afetam.

DIA 18 MAIO -19H00 - À FRENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA.
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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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