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“Deixa-te de merdas, Cilinha, o gajo é um cão. Caga nele e vais ver que em três tempos arranjas outro.” Cecília encolhia os ombros. A Paula não via a profundidade, não percebia o Viriato. Nem o Viriato percebia a Paula: “Olha-me esta, agora tenho de fazer sala com a fufa anorética? Queres estar com ela, vai tu!” A maior parte das vezes Cecília desistia de a ir ver. Não queria chatear Viriato.

O mundo era uma espécie de laboratório para Mae, e ela queria fazer muitas experiências. Estudou engenharia química, estudos afro-americanos e medicina. Aprendeu a falar russo, suaíli e japonês. Tornou-se médica e ofereceu-se para trabalhar como voluntária no Camboja e na Serra Leoa.
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a sociedade está a chegar aos limites da negação da opressão e violência de género estrutural nela existentes, criando novos mecanismos, como a desculpabilização destes comportamentos – são homens muito doentes – para fazer sentido de uma realidade perturbadora. Continuamos a ignorar o caráter sistemático do assédio sexual em contexto laboral (e não-laboral), encaramo-lo como um acidente, um desvio à norma. “Há qualquer coisa de errado com aquele homem”, dizemos confortadas/os pela ideia.
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Em tempos que já lá vão, no Haiti, havia uma menina com o cabelo vermelho como o fogo. Chamava-se Jacquotte. A mãe dela tinha morrido ao dar à luz o seu irmão mais novo. O pai morreu pouco depois, Jacquotte teve de encontrar maneira de se sustentar a ela e ao irmão. Foi assim que resolveu ser pirata
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Sabemos que combatemos séculos de crenças não substanciadas em conhecimento científico e que cada família é um universo por si só, repleta de interacções específicas, repleta de uma história específica, de mitos específicos, de formas de amar específicas. Assim, estaremos nós, técnicos que trabalham com a família, destinados a ser como Cassandra e a não conseguir passar estes conhecimentos que temos?

Um amor impossível e reprimido durante 30 anos é perpetuado através de cartas secretas. Na fachada que constrói para viver, Alice mantém um casamento de conveniência e circunstância. Após a sua morte, é à filha Teresa que cabe o legado destas cartas escondidas. Ao recebê-las, é confrontada com uma narrativa que não reconhece, com personagens desconhecidas e com a sombra sempre presente da sua mãe, que se alastra pelas cartas em contornos que Teresa nunca julgaria serem possíveis.
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O Curso de Formação Especializada em Igualdade de Género pretende proporcionar aos/às participantes uma reflexão alargada e potenciar a capacidade crítica, bem como um conhecimento aprofundado e a aquisição de competências práticas acerca das temáticas da Igualdade de Género. Espera-se ainda com este Curso facilitar a apropriação de recursos por parte dos/as participantes para que realizem uma avaliação e análise precisas das organizações com vista a uma intervenção que promova um contexto mais igualitário através da integração da perspetiva de género nas políticas públicas e nos planos de ação.

Se nasceste homem, branco e hétero, é quase impossível que tenhas sofrido o tipo de opressão que as mulheres sofreram e sofrem e, por muito que te tentes colocar no lugar delas, continuarás sem sofrer essa opressão e nunca serás capaz de vivenciar o que as mulheres vivenciam diariamente, por isso, não menosprezes os problemas das mulheres: se uma mulher reclamar sobre o problema do assédio nas ruas, não digas nunca que "são só elogios" ou “uma vez mandaram-me um piropo e até fiquei todo contente” porque, se para ti esses problemas são a exceção, para as mulheres eles são a regra.

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

“Deixa-te de merdas, Cilinha, o gajo é um cão. Caga nele e vais ver que em três tempos arranjas outro.” Cecília encolhia os ombros. A Paula não via a profundidade, não percebia o Viriato. Nem o Viriato percebia a Paula: “Olha-me esta, agora tenho de fazer sala com a fufa anorética? Queres estar com ela, vai tu!” A maior parte das vezes Cecília desistia de a ir ver. Não queria chatear Viriato.

a sociedade está a chegar aos limites da negação da opressão e violência de género estrutural nela existentes, criando novos mecanismos, como a desculpabilização destes comportamentos – são homens muito doentes – para fazer sentido de uma realidade perturbadora. Continuamos a ignorar o caráter sistemático do assédio sexual em contexto laboral (e não-laboral), encaramo-lo como um acidente, um desvio à norma. “Há qualquer coisa de errado com aquele homem”, dizemos confortadas/os pela ideia.
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Sabemos que combatemos séculos de crenças não substanciadas em conhecimento científico e que cada família é um universo por si só, repleta de interacções específicas, repleta de uma história específica, de mitos específicos, de formas de amar específicas. Assim, estaremos nós, técnicos que trabalham com a família, destinados a ser como Cassandra e a não conseguir passar estes conhecimentos que temos?

Se nasceste homem, branco e hétero, é quase impossível que tenhas sofrido o tipo de opressão que as mulheres sofreram e sofrem e, por muito que te tentes colocar no lugar delas, continuarás sem sofrer essa opressão e nunca serás capaz de vivenciar o que as mulheres vivenciam diariamente, por isso, não menosprezes os problemas das mulheres: se uma mulher reclamar sobre o problema do assédio nas ruas, não digas nunca que "são só elogios" ou “uma vez mandaram-me um piropo e até fiquei todo contente” porque, se para ti esses problemas são a exceção, para as mulheres eles são a regra.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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O mundo era uma espécie de laboratório para Mae, e ela queria fazer muitas experiências. Estudou engenharia química, estudos afro-americanos e medicina. Aprendeu a falar russo, suaíli e japonês. Tornou-se médica e ofereceu-se para trabalhar como voluntária no Camboja e na Serra Leoa.
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Em tempos que já lá vão, no Haiti, havia uma menina com o cabelo vermelho como o fogo. Chamava-se Jacquotte. A mãe dela tinha morrido ao dar à luz o seu irmão mais novo. O pai morreu pouco depois, Jacquotte teve de encontrar maneira de se sustentar a ela e ao irmão. Foi assim que resolveu ser pirata
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Um amor impossível e reprimido durante 30 anos é perpetuado através de cartas secretas. Na fachada que constrói para viver, Alice mantém um casamento de conveniência e circunstância. Após a sua morte, é à filha Teresa que cabe o legado destas cartas escondidas. Ao recebê-las, é confrontada com uma narrativa que não reconhece, com personagens desconhecidas e com a sombra sempre presente da sua mãe, que se alastra pelas cartas em contornos que Teresa nunca julgaria serem possíveis.
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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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