Actualidade Artigos

A minha questão era simples: queria contribuir mais para o pensamento estratégico da empresa. A minha mais valia era pensar e propor coisas novas, sendo aliás para isso paga, explicando que me via subaproveitada com as tarefas que tinha pela frente diariamente. A sua resposta foi, não uma, mas por duas vezes, a mesma. Disse-o em conversa comigo e logo de seguida repetiu-o quando se juntou à conversa o meu colega de equipa, que se queixava de algo semelhante. O meu chefe, rapazinho na casa dos 30, respondeu-me com um “Coitadinha... queres um abracinho?”.
1

. Por debaixo de uma capa retórica de igualdade, todos os poderes são ainda dominados por homens. Na política, nas empresas, nas estruturas sociais, na mídia, o poder é deles, exercido por eles e prosseguindo os objetivos deles. Quem se surpreende que todas as estatísticas demonstrem que as mulheres estão ainda social, econômica e politicamente em clara desvantagem? Ao invés, o que nos dizem é o contrário. Hoje, dizem, existe verdadeira igualdade, por muito que todos os fatos desmintam essa idéia.

O silêncio impunha-se, sempre entrecortado pelo brum-brum constante da máquina de secar e pelo clic-clic aqui e ali provocado pelos fechos e botões contra o tambor de metal. Que vontade de se levantar da cadeira e desligar aquela máquina infernal que pouco mais fazia do que barulho. Mas não podia. Aquela roupa ali enrolada, numa dança de horas, sempre trocando de par, sempre em novos contactos e sempre a produzir uma música que ela dispensava, fazia falta seca. Para quê? Para vestir quem não estava presente naquele dia. Quem tinha saído e deixado para trás um silêncio exagerado
145

Numa altura em que ainda existem dirigentes políticos que se referem às mulheres como “o elo mais fraco”, é necessário bater o pé e lutar, é necessário mostrar a força que nos move, a nós, sociedade. Sejam homens ou mulheres, esta é a altura de ser e de mostrar perseverança, esta é a altura de edificar os nossos ideais.
PUB

Eu, que tantas vezes já reagi ao abuso denunciando-o, não consegui dizer nada. Depois de todos esses anos discutindo assédio, minha única reação foi paralisar. Dessa vez, não deu. Dessa vez, não houve uma sacada genial de minha parte para lidar com o abuso. Nem sempre temos um coelho fantástico para tirar da cartola diante do assédio. Dessa vez, simplesmente não deu.

Já transformei amor em raiva. Já perdoei um amor não correspondido. Já achei que, para ser amor, só valia se fosse amor sofrido. Já dei mais do que devia dar. Já me senti a mais amada. Já achei que tinha tudo e já vi tudo transformar-se em nada. Já morei sozinha no amor, por achar que amar bastava. Mas amar os outros, esquecendo-te de ti, é dar amor e ficar com nada

Chegava ao jantar e dizia que tinha jantado em casa. E pesava-me. Pesava-me cinco, seis, sete vezes por dia. Às escondidas. E continuava gorda. Como é possível eu continuar gorda? Como é possível dizerem-me que estou magra? Mas será que ninguém vê? Estão todos doidos. Passar um dia, dois dias sem comer era o mais normal. Isso e mais 30.000 esquemas para ninguém perceber. Foram quatro anos assim.

O tempo; O tempo eu vejo em mim. O tempo eu vejo nos que me rodeiam. Vejo-o na vida; A brevidade da vida, vejo na diminuição de cadeiras na mesa do jantar no dia de natal. A constante e interminável corrida atrás do tempo, vejo num perfeito desconhecido que se apressa atrás do comboio que o leva de um destino a outro, alheio ao mundo que o rodeia.
308

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
3187

Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

A minha questão era simples: queria contribuir mais para o pensamento estratégico da empresa. A minha mais valia era pensar e propor coisas novas, sendo aliás para isso paga, explicando que me via subaproveitada com as tarefas que tinha pela frente diariamente. A sua resposta foi, não uma, mas por duas vezes, a mesma. Disse-o em conversa comigo e logo de seguida repetiu-o quando se juntou à conversa o meu colega de equipa, que se queixava de algo semelhante. O meu chefe, rapazinho na casa dos 30, respondeu-me com um “Coitadinha... queres um abracinho?”.
1

. Por debaixo de uma capa retórica de igualdade, todos os poderes são ainda dominados por homens. Na política, nas empresas, nas estruturas sociais, na mídia, o poder é deles, exercido por eles e prosseguindo os objetivos deles. Quem se surpreende que todas as estatísticas demonstrem que as mulheres estão ainda social, econômica e politicamente em clara desvantagem? Ao invés, o que nos dizem é o contrário. Hoje, dizem, existe verdadeira igualdade, por muito que todos os fatos desmintam essa idéia.

O silêncio impunha-se, sempre entrecortado pelo brum-brum constante da máquina de secar e pelo clic-clic aqui e ali provocado pelos fechos e botões contra o tambor de metal. Que vontade de se levantar da cadeira e desligar aquela máquina infernal que pouco mais fazia do que barulho. Mas não podia. Aquela roupa ali enrolada, numa dança de horas, sempre trocando de par, sempre em novos contactos e sempre a produzir uma música que ela dispensava, fazia falta seca. Para quê? Para vestir quem não estava presente naquele dia. Quem tinha saído e deixado para trás um silêncio exagerado
145

Numa altura em que ainda existem dirigentes políticos que se referem às mulheres como “o elo mais fraco”, é necessário bater o pé e lutar, é necessário mostrar a força que nos move, a nós, sociedade. Sejam homens ou mulheres, esta é a altura de ser e de mostrar perseverança, esta é a altura de edificar os nossos ideais.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

Ultimos Artigos

Como é que falo com os meus amigos se me tiram o telemóvel?! Hoje chego tarde. Vou à discoteca com as minhas amigas. Pai, o meu namorado pode vir connosco de férias?” - Estas frases soam-lhe familiares? Costumam vir acompanhadas por um revirar de olhos, uma expressão de desdém ou, por vezes, total ausência de contacto visual? Isso significa que a adolescência está oficialmente instalada em sua casa

do Autor/a da Criada Malcriada www.facebook.com/veronicadivorciada http://www.facebook.com/acriadamalcriada

Artigos Mais Vistos

Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
13860