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Voltaste? Se sei quem és? Sim, sei. Não vens só. Explicas-me que essa mulher, de corpo esculpido pela arte de cuidar, cuidará de mim. Sorris, mas não sei se entendo. Dizes que és meu marido. Penso que sei, é verdade. Acredito, reconheço-te o sorriso. As voltas à chave mantêm a clausura, mas já não me pesa
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http://www.facebook.com/ritacorreia.ilustradora
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O homem do momento, tão informado que considera a virgindade um perigo para a saúde pública, pronunciou-se agora sobre o consumo de cannabis e as relações homossexuais. Parece que quem fuma erva gosta de gente do mesmo sexo… esses doidivanas. E há que ouvir o Quintino, que ele tirou um curso e percebe do que fala.

a autora pode não querer mostrar o BI mas escancara a alma. Há histórias de infância e adolescência, recordações da mãe, confissões, gostos, partilha de excertos inéditos dos seus livros. Elena conta-nos como é exigente com a sua escrita e como se farta de deitar material fora. Para ilustrar, inclui excertos que não usou explicando porque os recusou.
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ficou-me até hoje um terror que tento disfarçar de localidades com uma única estrada de acesso mas, sobretudo, ficou-me um terror absoluto de incêndios. Moimenta da Beira, para onde nos deslocávamos também em família, tinha mais do que uma estrada de acesso mas em Setembros quentes, em que o restolho brilhava por todo o lado, a sirene dos bombeiros tocava a toda a hora

Sim, houve e há feminismos. Mas não teríamos feministas liberais com pensamento estruturado, porque tiveram acesso à educação, se não fosse o feminismo das mulheres oprimidas no mundo do trabalho e da tomada de consciência, a partir da industrialização, de que o direito ao voto não pode ser uma reclamação formal, mas uma das reivindicações para o acesso a uma vida social digna.

Quando chegares a casa, lembra-te que deixei bifes de frango a descongelar. Grelha e faz com salada e massa a acompanhar, que sei que sabes fazer. Não dá assim tanto trabalho e é mais saudável que a pizza. Enquanto fazes o jantar, põe o mais velho no banho e diz-lhe para se lavar decentemente. Ele no duche do treino só passa o corpo por água, NÃO TOMA BANHO! À miúda, põe-na logo a despachar os TPCs, assim que chegar. Vai reclamar, vai dizer que quer ver televisão, e se a deixares ver sem ter feito os trabalhos, quando deres conta são dez da noite e ainda não tocou num caderno

Sempre consumi o amor em dobro daquilo que era suposto. Nunca me chegava o normal. Nunca me chegava só gostar. Tinha de amar. Nunca me chegava um amor quente. Tinha de queimar. Nunca me chegava um amor para a vida. Tinha de ser para a vida e tinha de continuar para a morte. Era amor, caramba. E no amor não há medidas. Não há regras. Não há condições. Tão-pouco deve haver restrições. E, se era amor, era assim que se devia amar. Sempre.

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Voltaste? Se sei quem és? Sim, sei. Não vens só. Explicas-me que essa mulher, de corpo esculpido pela arte de cuidar, cuidará de mim. Sorris, mas não sei se entendo. Dizes que és meu marido. Penso que sei, é verdade. Acredito, reconheço-te o sorriso. As voltas à chave mantêm a clausura, mas já não me pesa
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O homem do momento, tão informado que considera a virgindade um perigo para a saúde pública, pronunciou-se agora sobre o consumo de cannabis e as relações homossexuais. Parece que quem fuma erva gosta de gente do mesmo sexo… esses doidivanas. E há que ouvir o Quintino, que ele tirou um curso e percebe do que fala.

ficou-me até hoje um terror que tento disfarçar de localidades com uma única estrada de acesso mas, sobretudo, ficou-me um terror absoluto de incêndios. Moimenta da Beira, para onde nos deslocávamos também em família, tinha mais do que uma estrada de acesso mas em Setembros quentes, em que o restolho brilhava por todo o lado, a sirene dos bombeiros tocava a toda a hora

Sim, houve e há feminismos. Mas não teríamos feministas liberais com pensamento estruturado, porque tiveram acesso à educação, se não fosse o feminismo das mulheres oprimidas no mundo do trabalho e da tomada de consciência, a partir da industrialização, de que o direito ao voto não pode ser uma reclamação formal, mas uma das reivindicações para o acesso a uma vida social digna.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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http://www.facebook.com/ritacorreia.ilustradora
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a autora pode não querer mostrar o BI mas escancara a alma. Há histórias de infância e adolescência, recordações da mãe, confissões, gostos, partilha de excertos inéditos dos seus livros. Elena conta-nos como é exigente com a sua escrita e como se farta de deitar material fora. Para ilustrar, inclui excertos que não usou explicando porque os recusou.

a nossa tradição cultural e filosófica (que) constitui uma medida de transformação, porque, ao permitir abalar uma consciência histórica canónica e discriminadora, abre caminho a uma outra construção de sentido. Assim, parece ser possível e legítimo oferecer a mulheres e homens uma visão do passado que se constitua como um novo ‘espaço de experiência’ teórica capaz de gerar novos ‘horizontes de expectativa’
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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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