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No fim, ser lida enquanto não homem cisgénero é resistência, é coexistir na violência socialmente consentida, é coexistir na violência normalizada, é coexistir na violência internalizada. Ser lida enquanto não homem é resistir, é permanecer no silêncio social, é permanecer no silêncio normalizado, é permanecer no silêncio internalizado. Ser lida enquanto não homem é resistir, gritar para ser ouvida, gritar para desconstruir, gritar para compreender.

do Autor/a da Criada Malcriada www.facebook.com/veronicadivorciada http://www.facebook.com/acriadamalcriada
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Um “emprego” que não me dá garantias é precário. Um “emprego” numa empresa que rescinde os meus direitos de trabalhadora ao fim de 9 meses é precário! Não podemos querer ter jovens motivados, ter jovens envolvidos activamente nas empresas se o que lhes oferecemos são 9 meses e um futuro incerto. Não podemos querer que os nossos jovens invistam, comprem casas e pensem em formar famílias enquanto se promoverem instrumentos económicos que apenas auxiliem os empregadores.

uma mente peganhenta, uns olhos peganhentos, sempre a vir à procura da nódoa, e o rapaz pergunta-me o que é mais e eu digo que não é mais nada, enquanto tiro o dinheiro cheia de raiva, com o café a amargar-me a raiva contra a convencida, a que se encheu com a bola de Berlim e com a minha nódoa, a que não me deixou comer o queque a mim, a mim, que só venho aqui quando a coragem me arranca de casa, a mim, que tenho outras blusas e não as trouxe
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Conheces-me desde os 5. Tenho quase 36 anos. É um bocadinho de tempo. Vivíamos a três prédios um do outro e de alguma forma foste a única referência masculina positiva que se abateu sobre a minha existência. Vivíamos, naquele tempo, no mesmo bairro e quem nunca viveu num bairro não sabe o bom que é brincar na rua e ter amigos por perto. Ensinaste-me tanto

Foi apenas durante o último semestre de 2016 que, lentamente, o livro foi ganhando forma. Por incrível que pareça, o resultado eleitoral nos Estados Unidos desbloqueou o que faltava, e a “cola” necessária para ligar todos os bocadinhos perdidos estava encontrada. O mundo estremecia perante mais um impensável cenário e ansiavam-se soluções. Um cenário negro invadiu-nos a muitos, um pouco por todo o mundo. Era urgente iluminar cabeças, bocas, mãos e o caminho de quem quer fazer deste Mundo, um Mundo melhor. Era urgente mostrar que no meio da escuridão, o medo não venceria
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Porque motivo não poderia ter uma mãe, sendo eu própria mãe? Porque é que a minha mãe não pôde desempenhar esse papel comigo? Porque não poderia acompanhar-nos? A minha corrente de amor partiu-se antes do tempo. É isso mesmo. O meu filho não conheceu a avó materna. Não a consegue imaginar, mesmo vendo fotografias. Falha esse pilar.

A minha questão era simples: queria contribuir mais para o pensamento estratégico da empresa. A minha mais valia era pensar e propor coisas novas, sendo aliás para isso paga, explicando que me via subaproveitada com as tarefas que tinha pela frente diariamente. A sua resposta foi, não uma, mas por duas vezes, a mesma. Disse-o em conversa comigo e logo de seguida repetiu-o quando se juntou à conversa o meu colega de equipa, que se queixava de algo semelhante. O meu chefe, rapazinho na casa dos 30, respondeu-me com um “Coitadinha... queres um abracinho?”.
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Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

No fim, ser lida enquanto não homem cisgénero é resistência, é coexistir na violência socialmente consentida, é coexistir na violência normalizada, é coexistir na violência internalizada. Ser lida enquanto não homem é resistir, é permanecer no silêncio social, é permanecer no silêncio normalizado, é permanecer no silêncio internalizado. Ser lida enquanto não homem é resistir, gritar para ser ouvida, gritar para desconstruir, gritar para compreender.

Um “emprego” que não me dá garantias é precário. Um “emprego” numa empresa que rescinde os meus direitos de trabalhadora ao fim de 9 meses é precário! Não podemos querer ter jovens motivados, ter jovens envolvidos activamente nas empresas se o que lhes oferecemos são 9 meses e um futuro incerto. Não podemos querer que os nossos jovens invistam, comprem casas e pensem em formar famílias enquanto se promoverem instrumentos económicos que apenas auxiliem os empregadores.

uma mente peganhenta, uns olhos peganhentos, sempre a vir à procura da nódoa, e o rapaz pergunta-me o que é mais e eu digo que não é mais nada, enquanto tiro o dinheiro cheia de raiva, com o café a amargar-me a raiva contra a convencida, a que se encheu com a bola de Berlim e com a minha nódoa, a que não me deixou comer o queque a mim, a mim, que só venho aqui quando a coragem me arranca de casa, a mim, que tenho outras blusas e não as trouxe
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Conheces-me desde os 5. Tenho quase 36 anos. É um bocadinho de tempo. Vivíamos a três prédios um do outro e de alguma forma foste a única referência masculina positiva que se abateu sobre a minha existência. Vivíamos, naquele tempo, no mesmo bairro e quem nunca viveu num bairro não sabe o bom que é brincar na rua e ter amigos por perto. Ensinaste-me tanto

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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Foi apenas durante o último semestre de 2016 que, lentamente, o livro foi ganhando forma. Por incrível que pareça, o resultado eleitoral nos Estados Unidos desbloqueou o que faltava, e a “cola” necessária para ligar todos os bocadinhos perdidos estava encontrada. O mundo estremecia perante mais um impensável cenário e ansiavam-se soluções. Um cenário negro invadiu-nos a muitos, um pouco por todo o mundo. Era urgente iluminar cabeças, bocas, mãos e o caminho de quem quer fazer deste Mundo, um Mundo melhor. Era urgente mostrar que no meio da escuridão, o medo não venceria
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Como é que falo com os meus amigos se me tiram o telemóvel?! Hoje chego tarde. Vou à discoteca com as minhas amigas. Pai, o meu namorado pode vir connosco de férias?” - Estas frases soam-lhe familiares? Costumam vir acompanhadas por um revirar de olhos, uma expressão de desdém ou, por vezes, total ausência de contacto visual? Isso significa que a adolescência está oficialmente instalada em sua casa

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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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