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Atreveu-se com um eyeliner preto e deixou que os olhos ganhassem protagonismo, depois ousou mais e pintou de vermelho os lábios. Ficou uns minutos frente ao espelho a olhar aquela mulher, que lhe parecia outra, bonita, interessante, viva. Confirmou que aquela que enchia o espelho não tinha o ar cansado de quem vive ao acaso, vazia de alegrias, objectivos, ambições. Depois de tantos anos, esta era sem dúvida uma manhã diferente.
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Olhas-me e não sabes que dia é hoje, não sabes o ano, não sabes o mês, não sabes que a vida te fez de cabelos grisalhos e esqueces-te que já não tens a mesma força do tempo em que subias às árvores e andavas a pé pela Serra da tua aldeia. Em ti, no fundo da tua memória, essa força está lá, e quando te levo à praia queres nadar até ao horizonte, queres subir as rochas sozinho, queres passear pela areia e correr, queres voltar à memória de ti.

Tinha ar de adolescente, ainda que não o fosse. Ainda que gorda. Eles olhavam-na e assobiavam. Faziam som de beijinhos, ao longe. Às vezes gritavam-lhe coisas, diziam-lhe o que imaginavam debaixo das calças largas. Falavam de estar entre as coxas dela. Comentavam-lhe o peito que ela tentava esconder debaixo dos sutiãs de desporto da mãe. Até esses já lhe ficavam apertados. Era a única na turma que usava.

Quase dez anos depois, começaram as amigas a casar. Apanhar o ramo deixou de ter piada. Comecei a ver-me rodeada de miúdas cada vez mais novas. O meu feminismo começou a olhar para aquele momento de uma forma cada vez menos bonita, também. Comecei a achar-me na montra das solteiras, muitas vezes incitadas a cantarolar “All the single ladies” da Beyoncé. Deixei de querer apanhar o ramo, como se o desejo de o apanhar pudesse ser visto como diretamente proporcional ao desespero de casar.
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Entrar num edifício em chamas para salvar alguém é coragem, enfrentar criminosos armados até aos dentes é coragem, lutar pelo bem do mundo é coragem. Não me peçam para ver a nobreza de perder a vida em frente a um animal ferido por pura diversão sádica. Não me peçam para considerar esta morte algo mais que uma tragédia completamente evitável.

O pai dos meus filhos é família. Somos uma família. Seremos sempre. O pai dos meus filhos, meu amor durante muitos anos, é parte de mim. Unem-nos os filhos. A cumplicidade. Uma paixão tornada amizade. A intensa convicção de que quem o fere, fere-me. Que da sua felicidade depende a dos meus filhos. E, por tudo isso, a minha.

do Autor/a da Criada Malcriada www.facebook.com/veronicadivorciada http://www.facebook.com/acriadamalcriada
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porque para mim amor é amor, é simples e natural e é das melhores sensações do mundo. Isto vem a propósito da liminar emitida por um tribunal federal brasileiro na última sexta-feira, que autoriza psicólogos a oferecerem terapias de reversão sexual. Isso mesmo, escandalizem-se e revoltem-se, a decisão da Justiça Federal Brasileira permite que se ofereça tratamentos para a homossexualidade.

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Atreveu-se com um eyeliner preto e deixou que os olhos ganhassem protagonismo, depois ousou mais e pintou de vermelho os lábios. Ficou uns minutos frente ao espelho a olhar aquela mulher, que lhe parecia outra, bonita, interessante, viva. Confirmou que aquela que enchia o espelho não tinha o ar cansado de quem vive ao acaso, vazia de alegrias, objectivos, ambições. Depois de tantos anos, esta era sem dúvida uma manhã diferente.
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Olhas-me e não sabes que dia é hoje, não sabes o ano, não sabes o mês, não sabes que a vida te fez de cabelos grisalhos e esqueces-te que já não tens a mesma força do tempo em que subias às árvores e andavas a pé pela Serra da tua aldeia. Em ti, no fundo da tua memória, essa força está lá, e quando te levo à praia queres nadar até ao horizonte, queres subir as rochas sozinho, queres passear pela areia e correr, queres voltar à memória de ti.

Tinha ar de adolescente, ainda que não o fosse. Ainda que gorda. Eles olhavam-na e assobiavam. Faziam som de beijinhos, ao longe. Às vezes gritavam-lhe coisas, diziam-lhe o que imaginavam debaixo das calças largas. Falavam de estar entre as coxas dela. Comentavam-lhe o peito que ela tentava esconder debaixo dos sutiãs de desporto da mãe. Até esses já lhe ficavam apertados. Era a única na turma que usava.

Quase dez anos depois, começaram as amigas a casar. Apanhar o ramo deixou de ter piada. Comecei a ver-me rodeada de miúdas cada vez mais novas. O meu feminismo começou a olhar para aquele momento de uma forma cada vez menos bonita, também. Comecei a achar-me na montra das solteiras, muitas vezes incitadas a cantarolar “All the single ladies” da Beyoncé. Deixei de querer apanhar o ramo, como se o desejo de o apanhar pudesse ser visto como diretamente proporcional ao desespero de casar.
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Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

Ultimos Artigos

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Quando sais, recomponho a serenidade, os pensamentos, a paz. Varro as palavras com que me tentaste rasgar, quando me quiseste lançar para o lixo. Reorganizo a casa, os filhos, a rotina. Reorganizo-me, para a sorrir. Preparo-me para sublinhar momentos pequenos junto da família que somos. Eu não sonho, tu prometes, eles temem. Eu não choro, tu abrandas, eles sossegam. Eu não sofro, tu paras, eles sorriem. E, quando eles sorriem, eu sonho, choro e sofro por ti, reconstruo para ti o entendimento do mundo.
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Se a luta pela igualdade de direitos e oportunidades é um dos seus temas preferidos, não vai querer perder este livro e lê-lo às suas filhas e filhos
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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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