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Nasce em Outubro de 1962, em Lisboa, Portugal. Completa o Curso de Desenho e Pintura no IADE, ao mesmo tempo que frequenta o Curso de Pintura na Universidade de Belas Artes de Lisboa. Sobre a autora escreveu Lídia Jorge: “Através do expressionismo animista, a sua obra revela o rigor do desenho, a transfiguração do corpo e a liberdade no espaço”.
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Julgamos ser as únicas ansiosas naquela altura do mês, julgamos ser as únicas a conter o entusiasmo perante um dia de atraso e, depois, quando afinal nada, julgamos ser as únicas dececionadas, angustiadas, ansiosas. E não somos. Não somos e importa falar sobre isto. Importa falar sobre isto para que mais ninguém se sinta uma ilha, para que mais ninguém se sinta um fracasso isolado
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Que descoberta! Afinal, as vestimentas “sexy” (que na realidade pouca sensualidade me inspiram) são totalmente dispensáveis. É possível ser rapariga / mulher e andar pelo mundo livre de saltos agulha e blusas transparentes. Não percebo nada de moda e cada vez menos acompanho as tendências. O meu critério é um só: o máximo conforto

Fui crescendo e as amigas começaram a aparecer, já os namorados nem sinal deles. Eu era a gorda com quem todos desabafavam, a melhor amiga, aquela que sonhava em um dia também namorar e mandar valentes fodas como aquelas que me iam contando. Por ter sido assim, acabei por começar a olhar para mim de outra forma. Se os outros me viam como ombro amigo (ainda hoje é assim), então eu também teria que saber valer-me
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Fica difícil de conceber que uma ginecologista se sinta desconfortável em mostrar onde se encontra uma das peças principais de funcionamento do motor feminino. Seria o mesmo que o mecânico ruborescer e desfazer-se em risinhos infanto-adolescentes quando o cliente lhe pedisse “ora mostre-me aí onde fica a correia do alternador”. Há que haver coerência e ajuste da nossa atitude à tarefa que desempenhamos.

Os meus livros saíram-me da pele, do trabalho, da persistência, da teimosia e do bolso. Mas fui-me preparando para isso, uns euros de parte num mês, um bocadinho mais noutro, um bocadão menos no mês a seguir. Em gerúndio. Que vos inspire, seja para o que for, sem idade nem preconceito. Seja em que área for. Nada acontece de um dia para o outro, mas que a soma dos dias resulte em realização. A Arte de criar é tão bonita. Qualquer arte é. Percebam a vossa. Sem expectativa. Com o máximo de liberdade que conseguirem encontrar.

Estou a falar da minha depressão e de tudo o que me levou até ela. Sei que é estranho uma rapariga de dezanove anos estar a falar de tal coisa. Ouvi tantas vezes na rua que os jovens não têm esses problemas, mas poupem-me esses vossos argumentos, por favor. Devia estar neste momento a viver tudo o que um jovem vive nesta idade. Desde a faculdade até à diversão. E sabem que mais? Fui privada de tudo!

Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira. Sou uma árvore que arde com duro prazer. Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo.

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Julgamos ser as únicas ansiosas naquela altura do mês, julgamos ser as únicas a conter o entusiasmo perante um dia de atraso e, depois, quando afinal nada, julgamos ser as únicas dececionadas, angustiadas, ansiosas. E não somos. Não somos e importa falar sobre isto. Importa falar sobre isto para que mais ninguém se sinta uma ilha, para que mais ninguém se sinta um fracasso isolado
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Que descoberta! Afinal, as vestimentas “sexy” (que na realidade pouca sensualidade me inspiram) são totalmente dispensáveis. É possível ser rapariga / mulher e andar pelo mundo livre de saltos agulha e blusas transparentes. Não percebo nada de moda e cada vez menos acompanho as tendências. O meu critério é um só: o máximo conforto

Fui crescendo e as amigas começaram a aparecer, já os namorados nem sinal deles. Eu era a gorda com quem todos desabafavam, a melhor amiga, aquela que sonhava em um dia também namorar e mandar valentes fodas como aquelas que me iam contando. Por ter sido assim, acabei por começar a olhar para mim de outra forma. Se os outros me viam como ombro amigo (ainda hoje é assim), então eu também teria que saber valer-me

Fica difícil de conceber que uma ginecologista se sinta desconfortável em mostrar onde se encontra uma das peças principais de funcionamento do motor feminino. Seria o mesmo que o mecânico ruborescer e desfazer-se em risinhos infanto-adolescentes quando o cliente lhe pedisse “ora mostre-me aí onde fica a correia do alternador”. Há que haver coerência e ajuste da nossa atitude à tarefa que desempenhamos.

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

Ultimos Artigos

Nasce em Outubro de 1962, em Lisboa, Portugal. Completa o Curso de Desenho e Pintura no IADE, ao mesmo tempo que frequenta o Curso de Pintura na Universidade de Belas Artes de Lisboa. Sobre a autora escreveu Lídia Jorge: “Através do expressionismo animista, a sua obra revela o rigor do desenho, a transfiguração do corpo e a liberdade no espaço”.
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Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira. Sou uma árvore que arde com duro prazer. Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo.

uma das alunas quebrou o seu silêncio e partilhou a sua experiência pessoal, a qual esteve na base de todo o projeto e que levou a que juntos escrevessem o texto que viria a dar forma aos contornos da história da nossa “Mélanie”, a vítima de maus tratos que simboliza todas as mulheres que vivem esta realidade.

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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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