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Era uma vez, na Nigéria, uma menina chamada Chimamanda que adorava livros. Lia todos os que encontrava e, aos sete anos, começou a escrever as suas próprias histórias. Chimamanda tinha vivido sempre na Nigéria. Comia mangas quando lhe apetecia e brincava ao sol o ano inteiro. No entanto, todas as personagens das suas histórias eram brancas: tinham olhos azuis, comiam maçãs e brincavam na neve. «Eu pensava que as pessoas com pele cor de chocolate não podiam estar em livros», disse ela.

Machismo estrutural é não te sentires segura na rua, à noite, por seres mulher. Machismo estrutural é perguntarem que roupas tinham vestidas as vítimas de violação. Machismo estrutural é um marido sentir-se mal se a mulher ganhar mais do que ele. Machismo estrutural é a pressão estética sentida para agradar aos homens e para corresponder ao padrão de beleza socialmente imposto: mulher jovem, magra e depilada.

A questão do género para mim nunca foi tema. Se determinada pessoa é competente, tem as qualidades e o mérito que a fez chegar e conquistar esse lugar, só tenho que respeitar e saber viver com essa decisão. O que não posso conceber é que recrutadores ou entidades patronais me revoguem o acesso a um posto de trabalho pelo meu género. O género, felizmente, não define a qualidade dos profissionais, nem a sua maior ou menor aptidão para realizar algum trabalho.

a próxima vez que uma mulher fizer o costume: for valente, ousada, agarrar o metafórico touro pelos cornos (sim, porque só em metáfora acho isso aceitável, com o touro verdadeiro é uma barbaridade) vou escolher dizer, com o mesmo nível de brejeirice e o mesmo tom típico aqui do norte: “É preciso ter cá um clitóris! Palmas p’rá mulher!” Como sei que não temos todos que gostar do amarelo, convido-vos a criar as vossas próprias versões desta expressão e de outras
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A meio do doutoramento, conheceu Frank Gilbreth e ficou tão intrigada com a sua obsessão pela eficiência no local de trabalho que trocou a Literatura pela Psicologia. A sua dissertação, intitulada A Psicologia da Gestão, foi o primeiro estudo sobre psicologia organizacional e a forma como as relações no trabalho nos afetam.

DIA 18 MAIO -19H00 - À FRENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA.
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no campo dos comentários misóginos e desonestos das redes sociais, parece que há apenas dois papéis para as feministas: ou são as más da fita ou as perfeitas que jamais poderão errar. Cá em Portugal, quando falamos de feministas com visibilidade, recordo-me das reações empolgadas à Fernanda Câncio, à Paula Cosme Pinto, à Carla Macedo ou à Rita Ferro Rodrigues. Para muitos, estas mulheres representam as diferentes faces do feminismo numa única pessoa - do mau feminismo, digamos assim. São más feministas porque não se focam nas “verdadeiras” questões, aquelas que são centrais e fundamentais;

Era uma vez uma fantástica tenista chamada Billie Jean. Foi uma grande campeã e venceu todos os torneios de ténis mais importantes do seu tempo. Porém, havia uma coisa que a incomodava muito. Na época, as tenistas do sexo feminino ganhavam apenas uma fração dos prémios monetários recebidos pelos tenistas do sexo masculino. «Porque é que as mulheres devem contentar-se em ganhar menos?», protestou Billie Jean. «Vendemos o mesmo número de bilhetes.»

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Machismo estrutural é não te sentires segura na rua, à noite, por seres mulher. Machismo estrutural é perguntarem que roupas tinham vestidas as vítimas de violação. Machismo estrutural é um marido sentir-se mal se a mulher ganhar mais do que ele. Machismo estrutural é a pressão estética sentida para agradar aos homens e para corresponder ao padrão de beleza socialmente imposto: mulher jovem, magra e depilada.

A questão do género para mim nunca foi tema. Se determinada pessoa é competente, tem as qualidades e o mérito que a fez chegar e conquistar esse lugar, só tenho que respeitar e saber viver com essa decisão. O que não posso conceber é que recrutadores ou entidades patronais me revoguem o acesso a um posto de trabalho pelo meu género. O género, felizmente, não define a qualidade dos profissionais, nem a sua maior ou menor aptidão para realizar algum trabalho.

a próxima vez que uma mulher fizer o costume: for valente, ousada, agarrar o metafórico touro pelos cornos (sim, porque só em metáfora acho isso aceitável, com o touro verdadeiro é uma barbaridade) vou escolher dizer, com o mesmo nível de brejeirice e o mesmo tom típico aqui do norte: “É preciso ter cá um clitóris! Palmas p’rá mulher!” Como sei que não temos todos que gostar do amarelo, convido-vos a criar as vossas próprias versões desta expressão e de outras

no campo dos comentários misóginos e desonestos das redes sociais, parece que há apenas dois papéis para as feministas: ou são as más da fita ou as perfeitas que jamais poderão errar. Cá em Portugal, quando falamos de feministas com visibilidade, recordo-me das reações empolgadas à Fernanda Câncio, à Paula Cosme Pinto, à Carla Macedo ou à Rita Ferro Rodrigues. Para muitos, estas mulheres representam as diferentes faces do feminismo numa única pessoa - do mau feminismo, digamos assim. São más feministas porque não se focam nas “verdadeiras” questões, aquelas que são centrais e fundamentais;

Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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Era uma vez, na Nigéria, uma menina chamada Chimamanda que adorava livros. Lia todos os que encontrava e, aos sete anos, começou a escrever as suas próprias histórias. Chimamanda tinha vivido sempre na Nigéria. Comia mangas quando lhe apetecia e brincava ao sol o ano inteiro. No entanto, todas as personagens das suas histórias eram brancas: tinham olhos azuis, comiam maçãs e brincavam na neve. «Eu pensava que as pessoas com pele cor de chocolate não podiam estar em livros», disse ela.

A meio do doutoramento, conheceu Frank Gilbreth e ficou tão intrigada com a sua obsessão pela eficiência no local de trabalho que trocou a Literatura pela Psicologia. A sua dissertação, intitulada A Psicologia da Gestão, foi o primeiro estudo sobre psicologia organizacional e a forma como as relações no trabalho nos afetam.

DIA 18 MAIO -19H00 - À FRENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA.
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Artigos Mais Vistos

Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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