25 DE ABRIL? SEMPRE!

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Créditos Rui Olavo

25 DE ABRIL? SEMPRE! por Helena AmaralNa véspera do 25 de Abril de 1974, uma quarta-feira, o vespertino “Diário de Lisboa”, entretanto extinto, fazia manchete com as eleições gerais na África do Sul e “no território do Sudoeste Africano (Namíbia)” e o artigo começava de forma ousada para a época – e a censura – realçando o contraste entre o número de votantes – “mais de um milhão e meio de brancos” – com o número dos que estavam fora dos cadernos eleitorais: “Na África do Sul, dezoito milhões de negros e mestiços não votarão hoje”. Na primeira página havia ainda destaque, com direito a duas fotografias, à competição, na Florida, para bater o recorde mundial do beijo – quando a edição foi para a máquina, “quatro casais continuavam ainda a beijar-se após 80 horas” – uma chamada sobre os novos preços da madeira de pinho e eucalipto, um pequeno destaque sobre a popularidade do candidato de esquerda às presidenciais, em França, François Miterrand (“O dirigente socialista, ao aparecer na tribuna, produziu na excitada assistência a mesma reacção que produz a selecção brasileira de futebol quando entra no estádio para disputar uma final do Campeonato do Mundo”) e duas outras notícias, uma sobre o seguro de 500 contos feito para a vinda do “Missal de Mateus” para Lisboa e outra sobre os aviões estacionados no Montijo para participarem nas manobras da NATO.

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