A MULHER QUE NÃO DESCURA O LAR

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“Uma mulher casada, que provou, como a maioria das portuguesas, que pode trabalhar e ter filhos” já que “não descurou o trabalho e não descurou a casa”.

Estas palavras foram proferidas por Gonçalo da Câmara Pereira para elogiar Assunção Cristas no momento em que a líder do CDS anunciava o acordo de coligação com o PPM e o MTP para a sua candidatura autárquica a Lisboa. Sentada no sofá, ao qual fiquei colada, perguntei-me como é possível que alguém em pleno século XXI faça um comentário destes em público, diante de um batalhão de jornalistas, fazendo-o passar por elogio. Acreditando genuinamente que pode ser encarado como um elogio a uma mulher. É certo que o senhor em questão já tem um vasto e substantivo currículo no que diz respeito a manifestações sexistas e misóginas…mas não deixei de sentir vergonha alheia. Vergonha por Assunção Cristas, por quem não nutro particular simpatia e que acabou por responder ao “gracejo” de forma totalmente despropositada e infeliz, mas acima de tudo, uma enorme vergonha por todas nós, mulheres. Vergonha pela imagem insidiosa que alguns ainda teimam em perpetuar da mulher trabalhadora que apenas consegue respeito e validação profissional se for simultaneamente uma boa mãe, uma boa esposa e uma devotada dona de casa.

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