DESCANSA. NÃO ME VAIS PARTIR O CORAÇÃO

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Deserdo-te da responsabilidade de destruíres o meu coração. Dei-to sim, é teu, é meu ainda, mas teu também, e dei-to com tudo. Dei-te o meu amor, a minha entrega na totalidade, porque só sei gostar assim, sem prazo de validade, sem hora marcada para devolver, sem defeito de entrega mas com defeito de fabrico, como todos têm e como está escrito, em letras pequeninas, na embalagem. Mas dei-to sem responsabilidade de cuidares dele. A mãe dele, ainda sou eu. Tenho o molde, lembras-te? Sou eu que o mantenho e o aqueço, o construo e desconstruo, o embalo e acordo, o mantenho vivo, enquanto viva estiver. Sou eu que me mantenho viva e assumo, a custódia total, pelo meu coração. Não acho que tenhas de ter o peso da responsabilidade de o manteres curado, nem terei jamais, a responsabilidade de curar o coração dos outros. Só posso curar o meu e esperar que dessa cura saia uma luz mais bonita, uma luz capaz de inspirar a que cuidem dos seus, a que tu cuides do teu. Mais nada. Ninguém tem o dom de nos curar nem de nos destruir. Cabe-nos a nós essa tarefa. Não poderás nunca ter ferramentas necessárias para me construíres, se mo partires, mas também não mo partirás, porque o meu coração é marca registada e está registado em meu nome.

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