É A MÃE QUE DÁ O EXEMPLO

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Isto de dar o exemplo tem muito que se lhe diga, na verdade.

Sou mãe e sou também a principal referência da minha filha, por defeito (e por definição). 

Sou o exemplo quando acordo e na forma como encaro o início do dia.

Sou o exemplo quando saímos de casa. O exemplo quando tento manter (nem sempre consigo) a casa num estado aceitável.

 

O exemplo quando lido com as minhas responsabilidades.

O exemplo às refeições. Nos estudos. No desporto.

O exemplo ao ensiná-la a respeitar os outros e a respeitar-se a si mesma.

Sou o exemplo no sorriso, nas gargalhadas.

Sou o exemplo quando começo a dançar pelos corredores, mal acordamos.

O exemplo quando canto no carro logo de manhãzinha.

Mas também tenho de ser o exemplo quando nem tudo corre bem. E pego nela ao colo, mesmo com 1,45cm e 40 quilos. A mãe anda com ela às cavalitas!

 

Hoje tive que lhe dar uma bronca porque estava a fazer uma birra sem sentido e disse-lhe que a vida é para ser vivida de forma feliz, com sorrisos e coisas boas.

A resposta dela foi desconcertante:

“Mãe, eu não sei porque é que estás sempre feliz e bem-disposta! Eu chateio-me com as coisas às vezes…”

Eu sou o exemplo. Mas não lhe exemplifico situações más.

Mascaro o cansaço de conciliar dois trabalhos, escondo o stress que me provoca ter de pagar as contas e ter de gerir bem as idas ao supermercado.

Não deixo que me veja (ou tento, pelo menos) quando choro.

Seja por que motivo for. 

Ser o exemplo é um peso mas também implica saber mostrar as minhas fragilidades. E eu não consigo fazer isso.

 

Fui educada por uma Super Mulher para ser uma grande Mulher. 

Capaz de tudo. Com força para tudo. 

Aquela que aguenta e mantém sempre um sorriso “porque o sorriso é o nosso cartão-de-visita”.

Fui educada para ser mais. Para ser melhor. 

Fui educada par ser independente, forte e capaz.

Mas não recebi o ensinamento de ser capaz de mostrar o contrapeso da balança.

É que vivi sem esse exemplo e safei-me.

Mas fez-me falta…

 

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