FRAGMENTOS: REMAR ATÉ À VIDA

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“Gonçalo, desculpa-me. Foi a única forma que encontrei para te fazer passar por cima da dor de me perderes. Nessa mesma tarde em que te fizeste ao mar e encontraste este barco, saí da vida por uma porta mesquinha, a de uma colisão inimaginável. Não saí da tua vida, isso não. Ficaste à deriva, perdido em mares revoltos de raiva e saudade. Acompanhei-te sempre. Apaguei os dias que se acumularam depois da minha morte. Fiz de propósito. Vais procurar a dor, no agora, mas não a vais encontrar. Este agora é muito tempo depois. O teu coração sarou. Pega nos remos, vai. Volta para casa. Já sabes, espero por ti para lá do pôr-do-sol. Prometo contar-te o que ficou por viver, mas primeiro deverás regressar à vida que ainda tens. Vai.”

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