GAJAS DO NORTE por Filipa Guimarães

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Para começar, devo dizer que tenho amigas de Lisboa que são “gajas do Norte”. Assim como eu. Que até nasci em Alvalade, numa clínica da moda da minha geração. As verdades são para se dizer. Estou muito agradecida aos serviços clínicos de Lisboa, mas AINDA BEM que só fiquei uma semana na capital. Eu sei lá em que mês uma pessoa “vira” lisboeta. Crescer no Porto, passar férias no Norte e ter começado a trabalhar numa delegação de uma redacção, que vai de Castelo Branco a Miranda do Douro, fazer de tudo, foram as coisas melhores que me podiam ter acontecido, como portuguesa. Querem saber porquê? Vou tentar explicar, apesar de ser tão difícil como explicar porque é que se é de um clube e não de outro. No entanto, quem for como eu, percebe que se eu crescesse em Lisboa, seria do Sporting. Sou do FCP por família e amor. Assim como é amor o que eu sinto pelas mulheres do Norte. Pelas minhas amigas do Norte. Não há iguais. Estão lá sempre. Não dizem “um dia vemo-nos”, vêm-nos buscar a casa. São leais e constantes. Têm sempre lugar para nós à mesa e em casa, mesmo que alguém tenham no sofá. Ficam do nosso lado, mesmo quando sabemos que não temos razão. A razão arranja-se porque a lealdade é cega. E ainda refilamos! “O que é que queres? Nunca te enganaste? Cala-te, mas é!”. Têm sempre lugar para nós, nem que vão elas para o sofá.

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