GAJAS DO NORTE por Filipa Guimarães

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No Porto e no Norte há mais chuva e mais frio. Temos de estar perto umas das outras. Sem pretexto, porque ali, vivemos noutro contexto. A amizade não é uma celebração fútil, é uma necessidade básica garantida. Estamos umas para as outras. E quando migramos, basta dizermos que somos do Porto que fica logo “tudo dito”. Explicada esta irracionalidade real, é no entanto verdade, que as minhas amigas de Lisboa (são poucas) podiam muito bem ser do Porto. Ou seja, porreiras e – não sei se existe a palavra (passa a existir) – desenmerdam-se sozinhas. Não estão com rodeios, dizem palavrões sempre que é preciso. Dizem “foda-se para esta merda”, nem que seja baixinho. Mesmo a dizerem asneiras ou a puxarem para o chinelo (quem é que não tem a sua costela de peixeira?) nunca são mal-educadas. Têm estilo.

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