HISTÓRIAS DA MINHA ALDEIA #1 por Carla Rocha

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É minha a culpa do (meu) prazer

Eles namoravam há 4 anos quando ele lhe pôs a mão na perna frente à mãe dela. O estalo que ela levou não se fez esperar. Foi um estalo seco, brutal, dado no meio de um silêncio atroz. A rapariga foi a chorar para dentro de casa. O rapaz cabisbaixo foi para a sua casa. A mãe dela pegou na malha e continuou o trabalho como se aquele último minuto simplesmente não tivesse existido. E eu, que era uma miúda, fiquei a pensar que aquilo de se pôr uma mão na perna só podia ser coisa muito grave, muito séria, talvez o suficiente para se ficar grávida. Era demasiado miúda para a minha mãe me ensinar as coisas da vida e, na verdade, era um tempo em que certas conversas nunca se tinham, apenas residiam nos livros escondidos pela casa, no burburinho das tias e nas alcoviteiras da aldeia. Nesse tempo longínquo, talvez aquele estalo me tenha feito mais mossa do que à rapariga que o levou. Não percebia porque é que ela foi a culpada de algo que o namorado lhe fez.

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