“JOANINHA” E OUTROS DOMINUTIVOS

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Nunca gostei muito de diminutivos. Com alcunhas não tenho problemas mas os diminutivos sempre me soaram a… bem, a melhor palavra que encontro é “diminuição”.

Dito isto, não tenho nada contra os amigos e familiares que me chamam Aninha, Aninhas ou Anita. É uma expressão carinhosa, uma prova do amor que sentem por mim. O problema é quando esses diminutivos são usados por pessoas que não têm qualquer tipo de afinidade comigo.

Há poucos dias abri o Facebook e o primeiro post que vi foi de uma amiga que partilhava uma notícia sobre a Joana Marques Vidal. Não conheço muito bem o seu percurso mas sei que é uma mulher de armas, que não se intimida facilmente. Quis saber mais, claro, só que o título da notícia deixou-me logo a ferver. No título Joana Marques Vidal passava a “Joaninha”… que coisa tão fofa.

Continuei a ler.

Por baixo da imagem que ilustra o artigo pode ler-se “Solteira e sem filhos, a procuradora de 61 anos vem de uma família de juristas”.

Só depois, já no corpo da notícia, se refere o pequeno pormenor de ter sido a primeira mulher em Portugal a dirigir o Ministério Público. Seguem-se algumas considerações sobre o seu percurso, sem esquecer a menção ao facto de alguns lhe chamarem “determinada” e outros “teimosa” porque, claro, uma mulher tem de ter algum defeito para chegar tão longe na vida.

No segundo parágrafo chegamos ao que realmente interessa.

Apesar de ser solteira, ter 61 anos e trabalhar que se mata, a “Joaninha” lá vai conseguindo manter uma forte relação com a família (de juristas). São tão próximos que “há fins-de-semana em que se juntam todos, com Marques Vidal, a mais velha de quatro rapazes e apenas outra rapariga, a tomar conta dos tachos”. Convém sempre mencionar algo relacionado com a cozinha e a vida familiar quando escrevemos sobre uma mulher, não vão as pessoas achar que não se trata de uma senhora decente e completa. Depois ficamos a saber as preferências alimentares, que tem “um fraquinho por diospiros” e que ainda hoje lhe chamam “Joaninha” porque é pequena.

Já que estamos a abordar a vida de Joana Marques Vidal, podia aproveitar-se para falar no seu percurso académico ou no que a levou a segui-lo, mas isso é chato de ler. Eu cá prefiro saber que prefere carne a peixe!

Finalmente, nos parágrafos que se seguem, fala-se da sua vida profissional, não sem mencionar a fofoca do desconhecimento de divergências com a ministra da justiça, o que é uma pena. Se elas tivessem andado à pancada a arrancar cabelos uma à outra teríamos mais uma curiosidade interessante. Assim, o resto do artigo não interessa nem ao menino Jesus.

Só tenho pena é que não se escrevam artigos sobre o Marcelinho, os Toninhos ou o Durãozinho. Sempre quis saber se eles partilhavam o meu amor por diospiros.

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