MAMAS. MAMAS. MAMAS

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Eu gosto de mamas.
Quer dizer, não é de todas as mamas mas especialmente das minhas, e também daquilo que as outras mamas simbolizam.
Nem todas as mulheres gostam de mamas, o que eu acho absolutamente legítimo, mas eu faço parte da percentagem de mulheres que gosta. Das minhas.
Até hoje, e tirando alguns minutos em que estava a ver o filme Carol, sempre fui absolutamente heterossexual, nunca tive vontade de tocar nas mamas das minhas amigas e o que me deixa a suspirar é um peito plano e cheio de pelos, mas gosto de mamas, das minhas e de saber da existência das outras.
As minhas mamas em toda a sua sumptuosidade deixam-me feliz. Quer dizer, já não são tão sumptuosas como isso, mas gosto delas na mesma. Na verdade, já com quarenta anos e alguns tratos de polé, há momentos (muitos), em que, ao espelho, lhes grito: Voltem, voltem! O chão não é o caminho! Para cima! Para cima é que é! – Mas são as minhas maminhas.
Como não sou dada ao “corta e cose”, a não ser por razões absolutamente inultrapassáveis, estas serão as minhas mamas por mais quarenta anos, ainda que a imagem se me possa afigurar um bocadinho arrepiante.
Somos aliadas. As minhas mamas já me deram muitas alegrias. Ninguém imagina. Pois… Dessas também.
Já me fizeram sentir linda, desejável, forte e fêmea. E sim, o facto de ser feminista não colide em nada com o gostar de ser mulher, de ser feliz como mulher e de ter vontade, algumas vezes, de ser allumeuse. O feminismo defende a igualdade para todos, por isso, quem gosta de ter mamas, gosta, e ninguém tem nada a ver com isso.
Ou se calhar tem. É que ultimamente, só vejo gente preocupada com o que cada um (ou uma) faz às mamas… Às próprias, está bom de ver.

Carolina Bescansa, deputada do Podemos em Espanha, amamentou o filho pequeno numa sessão de plenário e de repente só vejo gente a dizer que isso é uma grande pouca vergonha, ou os mais fofinhos… inapropriado.
A Carolina decidiu amamentar e, embora eu considere que até essa decisão é um direito, e que quem não quer dar as suas maminhas à fruição das crias pode perfeitamente não o fazer, toda a gente sabe que amamentar é bom para o país. Senão vejamos:
Uma mulher que amamenta corre um risco muito menor de sofrer de doenças como depressão pós parto ou cancro da mama e emagrece. Poupa-se aos contribuintes e fica-se com mulheres mais felizes e de mamas cheias. Para as que gostam, isso é muito bom.
Uma criança amamentada tem uma maior probabilidade de ser mais saudável que a que não é, é mais segura, mais calma e mais feliz, logo, melhores futuros contribuintes.
O leite materno é gratuito, vem em embalagens muito mais atraentes e está sempre pronto.
Podíamos continuar por aqui a enumerar vantagens, o que seria um trabalho escusado porque são sobejamente conhecidas.
A Carolina deu de mamar porque o miúdo tinha fome e, como os médicos já explicaram muitas vezes – uff!, as crianças devem ser amamentadas em livre demanda, ou seja, quando lhes apetecer e normalmente não vêm com capacidade para reconhecer um plenário… Têm fome, têm desconforto, berram! A mãe saca da mama e resolve. É assim desde que o mundo é mundo e essa é a principal função das mamas. Aliás, fisiologicamente, a única. Desenganem-se os desgraçados que acreditam que as ditas foram concebidas apenas para os próprios se agarrarem.

Se as mães têm de trabalhar, se fazem parte de uma sociedade que não respeita a maternidade e a opõe directamente à progressão de carreira, têm de levar os filhos para o trabalho, aliás, uma bela ideia. E os putos mamam, pá, faz parte. A maior parte.

Na realidade as mamas foram feitas para mamar e, felizmente, nós fomos-lhes descobrindo novas funcionalidades.

É como as mãos.
As minhas mãos, por exemplo, são boas para escrever e para cozinhar, lavam os filhos e fazem o jantar, mas, de vez em quando, as doidas, fazem umas cenas meio malucas, como as vossas, mas eu espero que ninguém se sinta incomodado de cada vez que eu tiro as luvas.
As mamas são uma coisa boa que, ainda por cima, vem aos pares. Mesmo cheias de leite, entre quatro paredes e na presença de quem as chama à parada, podem ser um despropósito de fruição e até fazer graffiti. Mas na presença de um bebé, em contacto com a boca de um bebé, voltam ao seu ministério inicial que é o de provir alimento e amor materno.
E aos deputados também lhes cabe dar o exemplo.
Obrigada, Carolina! Não sei do que fazes às maminhas porta a dentro, mas no plenário dás-lhes o uso adequado e que é tão bom de ver.
Põe o menino a arrotar na cara dos doentes e dos dementes porque arroto de mama é santo.