mulher, modo de construir

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O SEGUNDO SEXO era um livro em dois volumes na estante lá de casa, ao lado d’A Náusea, de Jean-Paul Sartre. É curioso que essa memória do lugar da obra seja tão nítida quando a da sua leitura é tão imprecisa. Eu tinha treze, catorze anos e lia furiosamente. Ia tudo a eito, do Mundo de Aventuras à colecção de romances de cordel da minha avó (grafismo anos 50, conteúdo a condizer), do Ajax e Outras Tragédias de Sófocles, ao Vestido Cor de Fogo, de Régio (nos preciosos Livros RTP), de Christiane F. a Emilio Salgari, com a voracidade e o deslumbramento dos primeiros amores – há dias, Eduardo Lourenço disse dos livros*, como só ele sabe dizer, que eram continentes desconhecidos onde reconhecemos o mais profundo de nós mesmos, e era (e continua a ser) isso mesmo, coisa de descoberta do mundo e dessa questão confusa que era eu.

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