O MUNDO AO CONTRÁRIO – UMA PEQUENA CRONOLOGIA

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Por mais que possa parecer que, em matéria de direitos das mulheres, “já conquistámos muito”, só este pensamento encerra em si um pré-conceito perigoso. Teremos muito no dia em que não houver uma única mulher no mundo a mendigar pelos seus direitos, no dia em que não houver uma única mulher no mundo a morrer única e exclusivamente por ser mulher, no dia em que não houver uma única mulher no mundo a não compreender que a luta por estes direitos fundamentais tem de ser de todas as mulheres, independentemente da sua situação pessoal. Dou-vos um pequeníssimo exemplo para ilustrar o meu ponto de vista. Há duas décadas, enquanto estudante de Coimbra, andei nas manifestações anti-propinas. Não por faltar  dinheiro para as pagar, mas porque havia quem não o tivesse e porque, no limite, quem me pagava as propinas eram os meus pais, que já contribuíam tanto para o Estado – esse que definiu que o ensino público seria tendencialmente gratuito.

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