NÃO QUERO NADA. ESTOU SÓ A VER por Marine Antunes

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Quando a infelicidade aparece, deixo que venha e deixo que desapareça, com a mesma tranquilidade. Não quero ter nada. Já quis, noutra vida, ter um carro e esse sonho não me serviu para muito porque Deus não me capacitou com o dom da condução. Mas não, não quero alimentar aquele horroroso cliché que diz que “as mulheres não sabem conduzir. É tão estúpido como outra mentira qualquer e, acreditem, eu não saberia conduzir mesmo que tivesse nascido homem. Com isto, quero apenas sublinhar a ideia de que é um desperdício de tempo querermos ter tudo porque, na verdade, nada é nosso. Este mundo não é nosso. As pessoas não são nossas. Os filhos não são nossos. As coisas não são nossas. É tudo emprestado – e mais vale não estragarmos nada, porque teremos de devolver tudo (e ainda com a etiqueta), quando bazarmos daqui. Que é como quem diz, quando morrermos.

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