NINGUÉM NOS DISSE…

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Ninguém nos disse…
Ninguém nos disse que isto não seria sempre fácil.
Ninguém nos disse que isto ia doer de vez em quando.
Ninguém nos disse que íamos desesperar volta e meia.
Ninguém nos disse que haveria dias em que a única vontade seria chorar. Ou gritar. Ou fugir.
Ninguém nos disse que NUNCA mais iriamos dormir profundamente. Nem que o nosso coração iria morar noutro sítio, que não no nosso peito.
Ninguém nos disse que nos iríamos tornar bipolares. E às vezes um bocadinho loucas.
Ninguém nos disse que para defender um filho aprendemos um olhar fulminante e até a rosnar. Se for preciso!
Ninguém nos disse que a nossa memória iria fugir para parte incerta.
Ninguém nos disse que também iríamos precisar de colo. E poucas vezes teríamos coragem de o pedir!
Ninguém nos disse que haveria dias em que nos sentiríamos impotentes. E que essa impotência sobe à velocidade que aumenta a febre ou o choro.
Ninguém nos disse que muitas vezes acharíamos que a culpa é nossa. Ou será que chega a haver dias em que achamos que não é?
Ninguém nos disse que mesmo que passemos um dia inteiro a cuidar e a velar, iremos chegar ao fim do dia com a sensação de que não fizemos nada. Porque queremos fazer sempre muito. Sempre mais. Sempre melhor.
Ninguém nos disse que de todas as funções que algum dia possamos ter, a de ser mãe é a mais difícil, a mais desgastante, a mais complexa, a que nos suscita mais dúvidas e a que exige mais de nós. Mas é, sem dúvida, a mais maravilhosa.
Ninguém nos disse que também podemos reclamar, que também podemos chorar, que também podemos fraquejar, que também podemos duvidar. E que não será isso que nos tornará menos ou piores mães.
Ninguém nos disse, que por mais defeitos que as nossas próprias mães possam ter, passaremos a olhar para elas com outros olhos e com o coração mais amolecido.
Ninguém nos disse que é normal, que é saudável e que é importante gostarmos de nós, pensarmos em nós e dedicarmo-nos tempo. Porque só assim poderemos bem cuidar.
Ninguém nos disse que a partir do exacto momento em que nos tornamos mães, todas as nossas escolhas são julgadas e discutidas. E não! Não é só por nós e por aqueles que nos são queridos. É pelo mundo. O mundo acha que pode falar das nossas mamas, que dão ou não leite. O mundo acha que pode falar dos nossos braços que dão mais ou menos embalo. O mundo acha que pode falar sobre a nossa cama onde cabe, ou não, o nosso filho. O mundo acha que pode decidir se vamos ao segundo, ou ao terceiro. Mas que ir ao quarto já será loucura! O mundo acha que sabe mais da nossa própria vida do que nós mesmas. O mundo acha, e às vezes nós achamos que o mundo devia ir todo dar uma curva. E ninguém nos disse que às vezes nós mandamos mesmo o mundo, e algumas pessoas, darem uma curva. E que isso é libertador.
Ninguém nos disse!

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