O TEU CÔNJUGE NÃO TE DEFINE

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Há alguns anos, vi-me na contingência de ser “amiga” de alguém com quem eu tinha em comum pouco mais do que o facto de partilharmos um género. Com ela vivi alguns momentos dignos de nota (negativa). De todos destaca-se um: no dia em que se viu incapaz de continuar a esconder fisicamente o namorado, que ela gabava como se devêssemos esperar ver a própria personificação de Deus (perdoem-me o sacrilégio) na terra, sentiu a necessidade de logo após o apresentar pelo seu nome pedir desculpa pela sua barriga. Sim, a frase foi mesmo assim: “Este é o António. Desculpa lá, ele tem um bocadinho de barriga.” No rosto do António não vi nada mais do que uma leve resignação e um sorriso de “mea culpa”. Não sei se sentia culpa por transportar consigo a barriga ou de continuar a ser namorado de alguém que considerava que a deveria apontar por ser motivo de vergonha.

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