OS CULPADOS ESTAVAM TODOS NAQUELE AUTOCARRO?

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Nos últimos dias esteve a circular nas redes sociais um vídeo abominável onde se vê um bando de energúmenos a divertir-se enquanto uma miúda está a ser abusada no banco de um autocarro. Enquanto o abuso sexual ocorre, com a miúda inconsciente e com uma mão enfiada na vagina, ouvem-se gargalhadas, gritos de incentivo, aplausos e há alguém que decide filmar todo este espetáculo infando para partilhar nas redes sociais. Nos poucos segundos a que consegui assistir vi rapazes e raparigas. Vi o despudor absoluto com que todos presenciaram um crime – porque se trata de um crime – sem que nenhum ou nenhuma tivesse um rebate de consciência e tomasse a iniciativa de travar aquela monstruosidade. É absolutamente chocante a desumanização registada pelas imagens de um grupo que se comporta como se estivesse num concerto ou numa qualquer festa de aniversário. Agem como animais. E por favor não me venham dizer que a culpa é da queima das fitas porque incita a que se cometam excessos… não venham culpar os pais porque não passaram valores aos miúdos enquanto era tempo. Eu já tive a idade deles e muitos de vocês também. É óbvio que todos naquele autocarro sabiam perfeitamente o que estava a acontecer… E a verdade é que nós também somos culpados. Somos culpados porque viramos a cara sempre que surge um vídeo de abuso ou de bullying na internet. Somos culpados porque continuamos a fingir que não é nada connosco para podermos seguir com as nossas vidinhas pacatas, a partilhar posts sobre a visita do Papa, a vitória do Benfica, o brilharete do Salvador na Eurovisão (eu partilhei um com orgulho) ou as tranças das filhas da Madonna. Vimos as imagens que incomodam, soltamos um “que horror!”, pontuamos com um imoji triste ou a explodir de raiva e seguimos para o post seguinte que p’rá frente é que é caminho. O assunto fica arquivado ali. Lavamos as nossas mãos. Está feito. Não nos diz respeito. “Os outros que tratem”.

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