REFUGIADOS EM NÓS por Bárbara Alves da Costa

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A ALICE já dorme, entretanto. Passaram apenas estas linhas mas respirar paz tem o condão de uma varinha de fadas. Faz milagres. A Maria do Mar espera-me na sala para ver mais sobre o que se passa no mundo. Meninos da Síria, tal como ela. Estão em apuros.
Tem sido a conversa dos últimos dias. Assim começámos o dia, ao pequeno-almoço. A ver meninos, como elas, a fugir da guerra. Meninos que tinham escolas. Colégios. Falam inglês. Uns têm smartphones. Computadores. Como ela. A mais velha. O que os separa? Por que espera o mundo? O que responder, como mãe, às nossas crianças? O que contar? O que explicar? Por que razão uma mulher, que se diz repórter, lhes passa rasteiras? Por que têm de fugir? Por que gritam estas crianças? Precisam de paz.
Pára-me o pensamento. Nos últimos dias, demoro-me mais no olhar. Enquanto penteio uma, observo a outra a brincar. Consigo ouvir bombas e gritos. Quem me dera não pensar. Foram 16 anos na SIC. Como repórter. Foram viagens a África onde os meninos me abraçavam, sem largar, para embarcar comigo para Lisboa. Foram crianças que tentei salvar da morte certa. Corri. Muito. Bati a muitas portas. Fui muito feliz.  Chorei. Mais. E voltei a sorrir. Entretanto fui mãe. Mais mãe. Olhei mais para elas do que para o mundo. Viajei muito. Com Elas. Sem elas.

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