SAUDADE. MATAR O BICHO

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Saudade é uma palavra tipicamente portuguesa que alberga, em si mesma, muito mais do que sete letras. Torna-se difícil de explicar o que representa porque é do domínio da emoção e reporta ao passado, algo que já passou, mas que gostaríamos de voltar a viver. Não sei em que altura da vida começamos a perceber o que é, de facto, a saudade. Quando somos crianças, temos mais vontade de ir para o futuro porque ele reserva infinitas possibilidades e o relógio constitui um objeto quase místico: – «quanto falta para o autocarro, pai? – são 10h20, só passaram 3 minutos desde a última vez que perguntaste!». Lembro-me que andava na 1ª ou 2ª classe quando, pela primeira vez, me dei conta de que as pessoas não estão nesta vida para sempre, que os pais envelhecem e os filhos crescem e vão para longe – vi isso numa novela qualquer e devo ter ficado a matutar nessa coisa das saudades. Matutei por pouco tempo (essa bênção da infância!) e cheguei à conclusão que isso, a mim, não me aconteceria porque nem os meus pais envelheceriam, nem morreriam, nem eu, muito menos, viveria longe deles (cruzes, credo!).

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