SEXO OU VIOLÊNCIA

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No outro dia vi um vídeo que adorei.

Uma mulher, completamente nua, falava da estupidez que é a nudez chocar tanto as pessoas.

Se ligarem a televisão num sábado à tarde, provavelmente não vão encontrar cenas de sexo tórrido ou nudez, mas quase de certeza vão ver alguém morrer no ecrã. Ou seja: protegem os menores do sexo, mas da violência não.

Nunca consegui perceber muito bem esta lógica.

O sexo é bom. O sexo é normal e não faz mal a ninguém. Aliás, sem sexo ninguém existia.

Já a violência… é o oposto completo. A violência destrói, corrompe, magoa. A violência é a fundação do mal do mundo, é o fruto do ódio, do medo e do terror.

O que estará errado connosco e que faz com que a nudez nos choque mais do que a violência? O que nos obriga a proteger as crianças de uma cena de sexo, mas permite que  ofereçamos uma pistola de brincar pelo Natal? Quem nos convenceu que um momento de amor e prazer é mais nocivo para a formação pessoal que magoar o próximo?

Reparem… não estou a defender que se coloquem as crianças numa bolha. Nunca me impediram de ver filme nenhum e sobrevivi. O problema aqui é a dualidade de critérios, a perversão de algo que é natural em oposição à normalização de algo que é impensável.

É estranho que os desenhos animados violentos sejam aceitáveis, mas haja gente que se incendeie contra um beijo entre personagens (pior ainda se forem do mesmo sexo). Um beijo é a expressão do amor, é saudável, é bonito. Não existe nada no beijo que possa corromper a mente das crianças, que os possa chocar ou incomodar. A perversidade vive apenas na mente adulta, vemos o mal que queremos ver, o mal que fomos ensinados desde pequenos a identificar. E nem sequer questionamos o dogma. Eu própria enquanto escrevo estas palavras, penso que é bem pior mostrar uma cena de sexo a uma criança do que uma cena violenta.

Mas estou errada.

Estamos todos errados.

A nudez, o sexo, o amor… nada têm de perverso ou negativo. Estas são ideias que nos entranharam desde cedo, vergonhas com que crescemos, limitações que nos prendem. Até podem dizer-me que, se mostrarmos cenas de sexo aos miúdos eles podem querer experimentar… Mas não é isso verdade para tudo? Se bebemos em frente deles e lhes explicamos que não devem beber até serem grandes, porque não se pode explicar que o sexo é algo de adultos? Porque não esquecer os eufemismos na altura de explicar o milagre da vida? Porque é que o sexo nos incomoda tanto e a violência nos diverte?

A lógica da mente humana nunca cessará de me espantar.

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