SUPONHAMOS QUE AS MARCAS DA FIVELA ERAM MARCAS DELE JOGAR À BOLA

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Suponhamos que as marcas da fivela eram marcas dele jogar à bola. Foi esta a explicação que o juiz deu perante as fotografias da criança onde claramente se distinguem marcas de fivela entre os hematomas. Negação, negação da realidade, das provas da violência do pai, contra os filhos, contra a mãe, contra os animais bebés que torturava e matava, obrigando o filho mais velho a assistir. Cada requerimento apresentado, cada queixa feita, cada pedido de ajuda, foram todos inúteis. O juiz todos ignorou, incluindo o relatório da assistente social e o testemunho das vítimas. Olhou para o outro lado, para o lado que mais gosta, para o lado da fantasia em que todos os pais e todas as mães são bons para as crianças e o modelo ideal é o da guarda compartilhada. “Pai e mãe têm de se entender e reconciliar” dizia-nos ele com arrogância e condescendência, como se fosse um juiz estranho que consegue salvar casamentos. Cada conferência de pais era uma nova agressão, mas desta vez o agressor não era o meu ex-marido, mas o juiz que me julgava por ter sido mãe nova, que pregava sermões sobre como tratar os nossos filhos, que impingia as suas crenças e fanatismos de guarda partilhada sem ouvir as crianças que pediam para não irem às visitas, sem ter em conta o seu interesse, sem acreditar nas provas factuais de violência. A violência não terminou com o divórcio: durante quatro anos de processo os meus filhos continuaram a ser agredidos pelo pai e eu passei a ser agredida pelo juiz. Quatro anos de tortura física e psicológica, de agonia, de kilos e anos perdidos, de depressão. O processo terminou quando o meu novo agressor fez a ameaça final: ou assina o acordo de guarda compartilhada ou perde os seus filhos. Assinei contrariada o acordo que os agressores me apresentaram, mas já não me importava, não podia correr o risco de perdê-los. Recomecei do zero, dei força aos meus filhos para aguentarem as visitas. Sentia-me culpada, não sabia de quê, mas o juiz fez-me acreditar nisso. Não tardou muito após o acordo para o meu filho mais velho apresentar novamente marcas físicas de agressão. Com base nessas provas, mudei o processo de tribunal. Um novo juiz olhou para as provas e entendeu: promoveu de imediato um processo de proteção de menores, decidindo que as crianças ficavam comigo provisoriamente. Estamos assim há 3 anos e o pai raramente se lembra deles. Se o juiz agressor tivesse lido as minhas queixas, tivesse visto as fotos apresentadas, tivesse ouvido a assistente social, os meus filhos não teriam continuado a ser agredidos como foram. Dói muito, como mãe, sentir, ouvir os filhos não quererem ir e ter de lhes pedir para serem fortes obrigando-me a deixá-los ir para onde sei que correm perigo. Responsabilizo o meu ex-marido pelas agressões e o juiz por nada ter feito para nos proteger. As marcas do que ambos fizeram ficarão para sempre nos meus filhos e em mim.

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