TRAGÉDIA

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Muito haverá a dizer sobre vacinas e toda a gente tem a sua opinião. O que nos diz a ciência é simples: é boa ideia vacinar os miúdos, é uma questão de saúde pública.

Mas não é sobre isso que vos quero falar.

Todos ouvimos nas notícias a tragédia da menina que morreu com sarampo. Alguns dizem que não foi vacinada por opção dos pais, outros dizem que reagiu mal a uma vacina em bebé e que, por isso, não foi novamente vacinada. A razão pouco importa, o facto é que aquela adolescente morreu de uma doença que já não nos assustava há muito tempo.

Com conclusões deste tipo, é fácil julgar. É fácil apontar o dedo aos pais, chamar-lhes criminosos, homicidas e outras coisas simpáticas. Devo confessar, eu própria tenho um ódio especial guardado para quem decide não vacinar os filhos e usa argumentos como “todos os outros estão vacinados, por isso o meu não precisa”. Esta é uma questão fracturante porque mexe com algo próximo ao nosso coração, mexe com a vida de inocentes, com decisões que influenciam a vida de toda a comunidade. É natural que as pessoas fiquem zangadas quando sentem que a sua integridade física é posta em causa. 

Só que aqui o caso é outro. Aqui não se trata de uma criança saudável que foi colocada em risco por opção dos pais, trata-se de uma família que foi desfeita por uma morte precoce, uma tragédia incontornável. Aqui as razões passam para segundo plano, o importante é que aquelas pessoas estão a passar pelo sofrimento terrível de perder um filho.

Nenhum pai quer o mal dos seus filhos. Mesmo aqueles que decidem não vacinar um filho saudável têm as suas razões, não lhe desejam mal. Todos os pais querem o melhor para os filhos, e os pais desta jovem não serão excepção. Antes de exigir linchamentos públicos, de insultar e rebaixar, devemos lembrar-nos que não sabemos a história toda e que não haverá ninguém mais arrependido do que os próprios pais da menina. O tempo não volta atrás e há decisões verdadeiramente irrevogáveis.

Uma adolescente morreu de uma causa evitável.

Usemos esta tragédia como uma arma contra a ignorância e não uns contra os outros.

Queremos todos o mesmo resultado: crianças seguras, felizes e saudáveis. Só através do diálogo construtivo podemos cumprir esse objectivo.

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