A VÍTIMA JUSTIFICA-SE – Projeto Suponhamos

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Separei-me em consequência de um episódio de violência doméstica. Já muitos tinham havido mas este envolveu os meus filhos de tal forma que percebi que eu não era a única a estar em risco de vida naquela casa. Seguiram-se muitas justificações a dar a muita gente. Primeiro à polícia. Os agentes que vieram a minha casa nessa noite queriam convencer-me a resolver a questão, a acalmar-me e a resolver as coisas com o meu marido “a bem”. Ele não parecia nervoso quando os agentes chegaram, porque lhes falou calmamente e com um vocabulário cuidado, adequado à sua categoria de homem bem posicionado na sociedade. No entanto, o meu lábio cortado e uma nódoa negra na face desmentiam o seu ar controlado. Mais tarde, ele diria que eu própria me tinha agredido e que os meus nervos não eram um efeito da violência dele sobre mim mas uma causa que me perturbava já cronicamente, desde há algum tempo. A polícia perguntou-me se queria mesmo sair de casa e levar os meus filhos comigo, quando podíamos ficar todos ali. Disseram-me que eu pensasse bem, porque uma mulher com crianças abandonar o lar de noite podia não ser o melhor caminho. Justifiquei a minha saída, dizendo que tinha medo que ele (o pai dos meus filhos) nos matasse.

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