SUSANA ESTEVES PINTO para Maria Capaz

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SUSANA ESTEVES PINTO para Maria Capaz

Nasci no mítico ano de 1974. Vivi no sul, vivi no norte, vivo em Lisboa. Formei-me em Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e em Gestão Cultural, no Indeg/Iscte. Quis ser programadora cultural – achei que podia fazer as pessoas felizes, dessa forma – e noutra encarnação gostaria de ser tipógrafa.

Trabalhei em tudo o que me pareceu interessante e desafiante no momento: cinema de animação, ilustração, teatro de marionetas, construção de cenários, produção de eventos

culturais, algum design gráfico… Um luxo proporcionado pelos meus pais, que, apesar de

alguma angústia permanente nos primeiros anos pós-faculdade, nunca me pressionaram para

escolher e seguir uma carreira, um emprego sério e estável, como o das “outras pessoas”.

Assistiam, com simpáticas e preocupadas perguntas de vez em quando, ao desenrolar do

caminho que me trouxe até aqui: “Estás com trabalho?”, “Tens dinheiro?” “O que vais fazer

daqui a 3 meses, quando isso terminar?”.

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Apenas conheci a vida de freelance, de procura recorrente do próximo projecto, quando o

trabalho anterior estava a terminar. Essa é a minha forma de respirar, de estar na vida. Se me

aborreço, morrerei, quanto mais não seja, intelectualmente. Nem tudo é audaz e maravilhoso, é verdade que não consegui sair de casa pelos meus meios quando o desejei, mas até isso acabou por ser apenas uma ligeira contingência e uma escolha – isso em troca de outras, que preferi fazer. Ir ficando permitiu-me ter o meu primeiro atelier em nome próprio: uma sala pequenina, a meias com um amigo, em pleno Chiado, com vista para o rio, sobre a Rua das Flores… e se fui feliz ali!

Foi quando nasceu a Wise_up como marca registada, com duas cabeças bem pensantes:

a Wise_up Team, uma mini-agência de ilustradores, focada no generoso e vasto mercado do

livro escolar (na época) e a Wise_up Weddings, uma linha de convites de casamento, de

edição limitada, com acabamentos luxuosos e uma elegância intemporal (clássicos, com um

twist, chamava-lhes eu), que me trouxe para este universo onde agora me movimento.

Estive neste formato de dupla uns anos, até que me apeteceu esticar os horizontes e ampliar o

desafio (zonas de conforto são algo que não me assiste em demasia!). Um ano a mastigar uma ideia, uns telefonemas e uma reunião no Alentejo ditaram o nascimento da plataforma digital Simplesmente Branco, há 5 anos atrás. Havia espaço no mercado, havia profissionais criativos, competentes, com frescura de ideias, só não havia uma casa que os reunisse, que os albergasse, que os mostrasse, e eu queria falar deles.

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Passei de designer a editora de conteúdos e foi uma mudança feliz. Se tinha experiência no

assunto? Não, mas desde miúda que as palavras não me faltam, ajustei-me com naturalidade e

um imenso prazer (e passar o dia a escolher imagens bonitas é muito simpático). Se tive

medo? Não propriamente. Acho que o caminho se faz caminhando e aprendendo, sem pensar

demasiado sobre isso, o importante é o processo, muito mais que o resultado, fazer bem e

melhor, era (e é) muito apelativo.

Em Dezembro de 2013, a quatro dias do ano novo, abri a minha empresa: Wise_up Sociedade

Unipessoal Lda… e a dimensão que isso tem, o empowerment que traz, com igual dose de

angústias associadas? Cada vez que digo o meu número de contribuinte para uma factura,

penso nisso, sinto-me crescida. Asseguro dois postos de trabalho e dois part-time, o gerente do

banco sabe o meu nome e pergunta-me como corre tudo. Nunca me sinto totalmente

confortável (ainda, espero!) neste novo título. O Simplesmente Branco completou 5 anos em Maio, temos cerca de 100 clientes, começámos com 19. Editámos a nossa primeira revista digital, S Magazine: fizemos 5 números, bilingues, com mais de 200 páginas e conteúdos totalmente criados por nós e pelos nossos parceiros – outra maluqueira que aconteceu com um desafio: “e se… o que achas?”.

Depois de mais outro ano a mastigar outra ideia, em 2014 lançámos um novo site: The

Destination, desta vez a olhar para fora: apresentamos Portugal como destino perfeito para

destination weddings, venha de fora casar cá dentro (e se esta expressão inglesa não vos é

estranha, e até já se cruzaram com alguma notícia sobre o assunto, é porque o trouxemos para

cima da mesa, como relevante, económica e criativamente).

Agora que estamos prestes a festejar o primeiro aniversário desta nova casa, celebramos da

forma que fazemos melhor: desafiamo-nos e presenteamos quem nos acompanha: duas novas

revistas digitais (The Destination: casar em Portugal e The Destination: weddings in Portugal),

vocacionadas (e escritas) para dois mercados de peso: o brasileiro e o inglês. Novamente,

mais de 200 páginas cada uma, cheias das mais bonitas imagens deste universo de

casamentos, de produção própria, integral. Um mês depois de as termos lançado e mesmo

depois de as ter já folheado umas boas dezenas de vezes, a cada vez, dou por mim a pensar,

genuinamente e sem arrogância, “isto é mesmo, mesmo bom…”.

A última aventura com graça neste universo, foi escrever um livro a meias com a Maria João

Soares, wedding planner de mão cheia. Novamente um luxo: fizemos o livro que queríamos,

como queríamos, o nosso “Queres casar comigo? – guia prático para um dia muito feliz”, que

saiu para a rua em Novembro. Quando recebi a primeira prova para correcções, lembro-me de

quase desatar a chorar, com aquele mono de folhas A3 rabiscadas, nas mãos: da pressão

(estávamos já em contrarrelógio), da emoção (naquele momento passou a ser palpável, físico,

um objecto real), do cansaço e sobretudo, de uma sensação de “já está”, feito, conseguido,

alcançado, um imenso orgulho e uma imensa alegria interior. O dia do lançamento foi o mais especial dos dias, na companhia das minhas pessoas: quando olho para as imagens do evento, estão lá todos e todos têm um imenso sorriso, felizes por estarem ali e felizes por mim, uma doçura só.

Isto é o que faço neste momento, sou editora de conteúdos de dois sites de referência, até que

o próximo desafio se apresente e me seduza. Há quem veja nisto um imenso glamour e

acomplishment, eu sou mais desapegada, mesmo sabendo que tenho uma quota parte

no modo como o mercado se abriu para algo mais interessante e de como estes projectos são

uma referência de gosto, profissionalismo, frescura de ideias e generosidade. Gosto do que faço. Olho para trás e gosto do caminho feito, do lastro que tenho, do que aprendi, do que escolhi. Sei que os meus pais, de inquietos, passaram a orgulhosos e tranquilos e isso sim, é um feito.

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Dizem que sou uma curadora de coisas bem feitas. Gosto de tornar o dia dos outros um pouco

mais feliz, partilhando talentos, boas ideias e respostas sábias. Acho que a beleza das coisas em geral (pessoas, objectos, ideias, palavras, cenários) é um bem essencial na vida quotidiana, e a sabedoria, uma imensa forma de sedução.

Sou curiosa por natureza e pratico um optimismo cauteloso.

O meu nome é Susana Esteves PInto.

Crédito das fotografias: Rafael Martins (http://www.rafaelmartins.net/ )