UM MEDO IRRACIONAL DE ME TOCAR, DE ME VER, DE TER PRAZER

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Foi sempre de sorriso no rosto que cresci numa aldeia, a trepar às árvores, a brincar com animais, a construir fortes com tábuas e pedras.

Quando passei para o 5º ano de escolaridade, fui forçada a mudar para uma escola de segundo e terceiro ciclos, na cidade. A cidade que tanto me parecia um local bom, cheio de lojas, parques e pessoas. Foi no autocarro para a cidade que comecei a aprender sobre o “mal” de que tanto me tinham falado. No meio de “brincadeiras de criança” comecei a ser apalpada por um grupo de rapazes no autocarro. Nunca ninguém se meteu no meio, nunca ninguém me defendeu. Não houve um adulto sequer que dissesse àqueles rapazes para me deixarem em paz ou que explicasse que aquele tipo de atitudes estavam errada. Um dia, os adultos foram obrigados a olhar. Eu não aguentei mais e dei uma chapada a um dos rapazes que tanto me atormentava a vida. E ele? O que fez? Deu-me outra! À frente de toda a gente levei uma chapada por simplesmente me ter defendido. Com o tempo, esse sentimento de impotência foi passando e felizmente comecei a ser levada para a escola por alguém da minha família.

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