magda gomes dias - resultado da pesquisa

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Estou a falar da minha depressão e de tudo o que me levou até ela. Sei que é estranho uma rapariga de dezanove anos estar a falar de tal coisa. Ouvi tantas vezes na rua que os jovens não têm esses problemas, mas poupem-me esses vossos argumentos, por favor. Devia estar neste momento a viver tudo o que um jovem vive nesta idade. Desde a faculdade até à diversão. E sabem que mais? Fui privada de tudo!

Exige a tua liberdade, aquela que te faz sentir como um pássaro, como um cavalo que corre pelos campos, livre para amar, para pensar, para sentir, para abraçar, para sorrir, livre para estar! E mais importante, livre para SER. Ser quem tu és. Livre para tomar as tuas decisões, para escolheres o que é realmente importante para ti! Livre para usares um penteado diferente, uma roupa diferente. Livre para te sentires seguro em meios desconfortáveis. Livre para mudares de emprego. Livre para dares a tua opinião!

Não fiquem sentadas, ocupem, circulem, falem, façam-se ouvir, e quando vos faltar a coragem não se preocupem, porque mais tarde ou mais cedo chegará o momento em que serão capazes de voltar a estar presentes. A timidez é como uma montanha russa, é como uma caminhada numa floresta em que nos sentimos muitas vezes sozinhas. É verdade, eu sei! Mas ainda assim, lembra-te: a timidez é uma flor que faz de ti um ser especial e único.

Ser mulher na sociedade que temos já é difícil. Ser uma mulher bem-sucedida, com uma carreira cimentada ainda mais. Não precisamos que a DGS use campanhas públicas para nos recriminar. Para nos dizer que, se até aos 35 anos não conseguimos ser mães, foi porque não definimos as nossas prioridades. Isso é só um julgamento que não merecemos. O que deveria ser uma campanha de sensibilização, informativa, passa a ser um castigo, uma punição. Uma sentença até em alguns casos.

Quantas mães espalhadas por esse mundo fora não se viram obrigadas a emigrar, a passar a gravidez sozinhas e a mostrar os filhos via skype à família? Quantas mães espalhadas por esse mundo fora não se viram obrigadas a recusar trabalho ou foram mesmo despedidas porque não têm ninguém que lhes fique com os filhos quando estão doentes ou em férias escolares?

Sim, a política partidária é, claramente, dos meios mais sexistas que existem. E sim, quem é mulher e se envolve... sujeita-se... tem de se sujeitar! Se quer entrar, se quer ser ouvida e olhada como igual, tem, necessariamente, de se ir habituando -"sabe que estas conversas não são nada fáceis, são durinhas... não se pode ser muito puritano aqui. Há que ter estofo! Se quer estar cá dentro tem de se ir habituando...".

Alguém já pensou “Eu sinto mesmo que sou uma mulher?”. Olho-me ao espelho e não sou capaz de o dizer. A questão é: também não posso afirmar “Eu sinto mesmo que sou um homem”. Não há nenhuma dúvida em mim: tenho uma vagina, tenho mamas, e não quero mudar nem sinto que me falte algo, isto é ponto assente. Sou feliz e não quero ser diferente.

O bem jurídico que se visa proteger é, por um lado, a liberdade sexual, num sentido amplo. O interesse em ter conversas ou ouvir afirmações de teor sexual apenas com quem se quiser, e onde se quiser. Em segundo lugar, visa-se a proteção de um direito a estar só, nesse reduto muito íntimo da personalidade que configura a sexualidade e o corpo, mesmo em lugares públicos.

EDITORIAL – Desejos para 2015
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