magda gomes dias - resultado da pesquisa

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Pergunto-me quais terão sido as consequências deste meu silêncio, motivado pela vergonha. Sem ter feito nada de errado, este episódio de tentativa de sedução de um homem mais velho contribuiu para incentivar em mim uma submissão silenciosa e cheia de vergonha no que diz respeito aos avanços agressivos dos cães que ladram, mas principalmente dos que não ladram. Como se de certa forma eu, o meu corpo, fossemos culpados do que tantas vezes acontece quase sem acontecer.

Esta libertação que acontece neste momento é importante para mim, para todas nós, e essencialmente para as meninas e adolescentes que estão a crescer. Que cresçam livres de crenças que lhes toldem o discernimento e a capacidade de se libertarem quando alguém tenta fazer delas uma presa, elogiando o seu corpo e a sua beleza com segundas e terceiras intenções. Não tentem denegrir um caminho que todas nós estamos a aprender a percorrer. Não confundam verdade com moda. Moda é outra coisa. Ser feliz e livre nas suas escolhas não é moda. É um direito de todas nós.

Não admito racismo. Racismo é crime. Não admito homofobia. Homofobia é crime. Não admito xenofobia. Xenofobia é crime. Não admito nada que condicione o ser humano e o restrinja, só porque sim. Acredito que a educação é a base de tudo, mas não aquela educação teórica que nos é transmitida através dos livros, que nos dá acesso a um canudo, mesmo que depois não sejamos capazes de colocar o que aprendemos em prática.

Na altura não questionámos, só queríamos jogar futebol. Uns meses depois, o meu pai partiu com a equipa para França e nós fomos assistidas pelo massagista do clube feminino. A Rita começou a ficar diferente, fechada em si, e raramente ia aos treinos. Eu não percebi porquê. Acabei naturalmente por deixar também o futebol, uma vez que a minha Rita não estava. A minha Rita, deixou de ser a Rita. O tempo foi passando e ela continuava em silêncio.

As afirmações de Luís Onofre, que considero serem discriminatórias, uma vez que não são fundamentadas e muito menos esclarecidas, são graves, dada a importância da consciencialização da igualdade de género, principalmente nos meios pequenos, onde as mulheres ainda são desrespeitadas na sua condição humana, num meio onde maioritariamente os cargos de liderança são ocupados por homens. As afirmações são graves, apesar do acordo de igualdade salarial que existe neste setor e que considero de extrema importância. Veio tarde… mas “mais vale tarde do que nunca”.

O programa das comparações foi instalado em nós como se estivéssemos num supermercado a comparar os preços das batatas, das cebolas e dos frangos. Desde muito cedo, começamos a usar este programa e, pior, começam a usar este programa connosco. Somos comparados desde tenra idade, ao nível do nosso desenvolvimento motor, ao nível da linguagem, da maturidade, da forma como lidamos com as emoções, como andamos, como gatinhamos, como comemos.

Há uns dias, em conversa com uma grande amiga, disse-lhe que estava farta de ser certinha, de tentar ser perfeita, de tentar não cometer erros (como se isso fosse possível!), de querer sempre agradar aos outros mesmo antes de me agradar a mim mesma, de querer controlar a vida quando a vida não é controlável, de querer controlar emoções quando elas não querem ser controladas, apenas geridas e reconhecidas. Isto de ser certinha dá muito trabalho,

Pintura: Ana Cristina Dias

Estou a falar da minha depressão e de tudo o que me levou até ela. Sei que é estranho uma rapariga de dezanove anos estar a falar de tal coisa. Ouvi tantas vezes na rua que os jovens não têm esses problemas, mas poupem-me esses vossos argumentos, por favor. Devia estar neste momento a viver tudo o que um jovem vive nesta idade. Desde a faculdade até à diversão. E sabem que mais? Fui privada de tudo!

Exige a tua liberdade, aquela que te faz sentir como um pássaro, como um cavalo que corre pelos campos, livre para amar, para pensar, para sentir, para abraçar, para sorrir, livre para estar! E mais importante, livre para SER. Ser quem tu és. Livre para tomar as tuas decisões, para escolheres o que é realmente importante para ti! Livre para usares um penteado diferente, uma roupa diferente. Livre para te sentires seguro em meios desconfortáveis. Livre para mudares de emprego. Livre para dares a tua opinião!
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