Sofia Fonseca Costa - resultado da pesquisa

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É difícil estar longe da pessoa que amamos. Cada dia é uma luta. Cada dia é uma saudade. Cada dia é uma espera. Mas...

O meu nome é Sofia. E o meu sobrenome é saudade. Tenho saudades da minha família, das minhas amigas, do meu amor. Tenho saudades...

quando este senhor de alguma idade e muletas entrou na sala para votar, dirigiu-se ao único homem presente para entregar o seu cartão de cidadão e número de eleitor. O meu colega entregou-me os documentos, os procedimentos foram cumpridos, sempre debaixo de um olhar suspeito e desconfiado. Quando entreguei os três boletins de voto ao senhor, o olhar tornou-se ainda mais atónito. Indiquei-lhe onde votar, como dobrar os boletins e o senhor manteve-se no mesmo sítio. Reparei então que estava a aguardar aprovação do meu colega homem para prosseguir, seguindo as minhas indicações.

Era tão tarde, tão tarde para inverter o sentido daquela viagem. O bom-senso ficara esquecido havia quilómetros e, mesmo assim, ela continuava em marcha acelerada. Os punhos, cerrados de determinação, marcavam o ritmo daquela louca investida. Nos bolsos, também esquecido, o papel que lhe amarrotara o sossego mantinha em ordem os passos a dar, e Bernarda seguia-os à risca.

Chamavam-lhe louca, mas não se ralava. De certa forma, dava-lhes alguma razão e preferia ser esse o seu rótulo naquela aldeia de preconceitos. Não, não era uma aldeia de preconceitos, era uma aldeia onde a esperança esmorecia depressa. Repetia os gestos de forma mecânica, a cada dia com o vigor de que precisava, embora no íntimo somasse, a cada repetição, a força da sua crença.

Quando sais, recomponho a serenidade, os pensamentos, a paz. Varro as palavras com que me tentaste rasgar, quando me quiseste lançar para o lixo. Reorganizo a casa, os filhos, a rotina. Reorganizo-me, para a sorrir. Preparo-me para sublinhar momentos pequenos junto da família que somos. Eu não sonho, tu prometes, eles temem. Eu não choro, tu abrandas, eles sossegam. Eu não sofro, tu paras, eles sorriem. E, quando eles sorriem, eu sonho, choro e sofro por ti, reconstruo para ti o entendimento do mundo.

O estrondo fortíssimo a acordar-nos para a discussão que nos adormeceu. Esquecemos-lhe a razão, para nos concentrarmos naquilo que nos separa. Não me podendo atribuir culpas pelo barulho, retomaste a conversa do jantar, onde me apontaste todos os defeitos que colecionaste de mim. O que alinhavaste à mesa, cerzindo-me a todas as críticas, foi então arrematado sem pontas soltas. Retomámos tudo, até o tom agressivo com que nos magoámos. Adormeceste depois, nessa tua rapidez que me desconserta. Eu, em pespontos aflitos, decidi-me a partir.

Quando, há um ano, o resultado da biópsia foi revelado, desabei. Nunca conjeturei ser uma doente oncológica, nunca ponderei sobre o autoconhecimento ou a aptidão que usufruímos para resistir ao contratempo e também nunca julguei que aos 26 anos viveria uma segunda oportunidade. Prometi que não desistiria, que me manteria psicologicamente equilibrada e que construiria os meus 50%. Os médicos garantiram que se responsabilizariam pela eficácia da outra metade.
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