Sofia Fonseca Costa - resultado da pesquisa

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É difícil estar longe da pessoa que amamos. Cada dia é uma luta. Cada dia é uma saudade. Cada dia é uma espera. Mas...

O meu nome é Sofia. E o meu sobrenome é saudade. Tenho saudades da minha família, das minhas amigas, do meu amor. Tenho saudades...

nem todos gostamos de viver. Ou melhor, todos gostamos de viver, mas não suportamos o sofrimento e a dor. Destes dois queremos distância. Nem sempre o conseguimos. O equilíbrio vital das emoções é dificílimo de ser atingindo. Somos naturalmente insatisfeitos e complexos até para nós próprios. Falar sobre depressão, esgotamentos, ataques de pânico, ansiedade e outros transtornos mentais é ainda hoje tabu e fracturante. É difícil levantar o véu para aquilo que não se entende nem se sabe ao certo de onde vem ou como chega.

Ele atura as minhas maluqueiras e doideiras todas, apesar de não compreender nenhuma. Ele aceita-me como sou: mau-feitio, resmungona, temperamental, quase indomável, e mesmo depois de ter ido embora, escolheu o regresso, permanecendo aqui. Ele é o pai dos meus filhos. Um, mais outro e mais uma e mais outra. Todos os meus filhos são dele. Todos os filhos dele são meus.

Na primeira casa onde entrou, atravessando paredes e corações, viu-a, a Esperança. A sua vítima deitada, rodeada de familiares que a choravam como se já não vivesse. Mas aquela criança, num corpo franzino, olhava para ambas sem entender. Como podia aquele ser, fraco e febril, vê-las?

Criou laços descomplicados com os aldeões, numa economia de trocas em que todos saíam a ganhar. Aquela era uma sociedade perfeita, fazendo cada um aquilo de que mais gostava ou para o que mais jeito tinha. O seu contributo era contar histórias não conhecidas, pois das outras estava todos cansados, até ela. Em troca, bens de primeira necessidade. Descobriu assim como as necessidades da vida lhe haviam trocado as prioridades.

O dono sentou-se numa cadeira. As costas arqueadas e as mãos irrequietas não escondiam a sua angústia. Olhou pela primeira vez para o relógio da sala, comparou-o ao seu. Levantou-se novamente. Afastou as cortinas devagar, espreitou para fora. O relógio, sempre na trajetória do seu olhar, parecia mexer-se mais depressa do que ele queria. Não. Do que ele precisava. Novamente a janela. Lá fora, a noite instalava-se escura e quente. O cão esperava.

Até agradeço que te tenhas ido embora, não aguentaria muito mais tempo a ouvir-te falar de reuniões onde sinto que nunca estiveste, fazendo-me passar por tonta. Custa-me esta raiva, a alterar-me os pensamentos, a alertar-me para mais justificações do que as que te dei, a alternar dentro de mim vontades estranhas, onde acabas sempre desfeito, desfeito por mim, por aquilo que te digo, tu desfeito e não eu, tu emaranhando-te nos teus próprios argumentos e não eu, amarfanhando-te a ti mesmo nas desculpas esfarrapadas, e eu amarrotando esta vida que não queria ter vivido.
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